O Festival Folclórico de Parintins vai muito além do entretenimento: ele é um poderoso palco de disputa simbólica e poder. Essa é a avaliação do pesquisador Ytallo Byancco Soares da Silva, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Ufam e autor de artigo publicado recentemente na Espanha sobre o tema.

Em entrevista à Rede Onda Digital nesta quinta-feira (25), Ytallo destacou que o festival funciona como um “recorte temporal” que não representa a totalidade dos povos originários. O público de fora costuma homogeneizar a identidade nativa, mas a realidade é feita de múltiplas etnias, línguas e comportamentos distintos.
No entanto, o pesquisador destaca um processo de desconstrução na arena. Um exemplo claro é a evolução da Cunha-Poranga: o que antes se assimilava a um concurso de “miss”, hoje exalta a mulher indígena guerreira. Embora ainda exista o debate sobre a erotização do corpo feminino, o passo em direção à quebra de paradigmas foi dado.