Desde que, no século passado, o governador Plínio Ramos Coelho, aos 35 anos, nomeou Gilberto Mestrinho, aos 28, prefeito de Manaus, uma dupla tão jovem não concentrava, ao mesmo tempo, o comando das duas principais máquinas do Amazonas. Hoje, esse cenário volta a se desenhar com Roberto Cidade, 39, e Renato Júnior, um ano mais novo.
Com as carreiras interrompidas pela ditadura militar (1964-1985), Plínio e Mestrinho ainda assim conseguiram marcar profundamente a política do Estado. Mestrinho, mesmo cassado em 1964, voltou à ribalta em 1982 e manteve influência até 2007, após três mandatos como governador e um como senador, uma trajetória longa e consolidada.
O contexto atual é diferente. Cidade e Renato despontam como uma nova geração, mas ainda dividem espaço com lideranças experientes como Omar Aziz (67), Eduardo Braga (65) e Plínio Valério (71). Logo abaixo, nomes como David Almeida (57) e Wilson Lima (49) ainda têm peso político e seguem ativos no jogo.
Num patamar um pouco abaixo nessa escala, mas já experimentados em cargos de peso, vêm o ex-prefeito David Almeida, que tem 57 anos, e o ex-governador Wilson Lima, com 49. Ambos ainda têm fôlego político, mas já não carregam o mesmo horizonte de tempo que a nova dupla tenta capitalizar.
A trajetória de Cidade e Renato Junior ambos é bem diferente, embora a chegada ao poder tenha ocorrido sem voto direto neste momento específico.
Cidade vem de uma família tradicional na política do interior do Amazonas, com histórico em Manicoré e Manacapuru e presença em cargos legislativos. Renato Júnior, por outro lado, construiu sua carreira ao lado de David Almeida, passando por secretarias municipais até chegar à vice e, depois, à prefeitura.
Hoje, como governador interino e prefeito de Manaus, ambos tentam ampliar espaço e tempo no poder. Renato já busca a reeleição, enquanto Cidade ainda precisa passar pela eleição suplementar antes de mirar outubro. Se avançarem, podem se consolidar como protagonistas, mas, por enquanto, ainda estão em fase de afirmação dentro de um cenário político competitivo.