O impasse sobre a eleição para a escolha do novo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas entrou no primeiro mês nesta sexta-feira (5), ainda sem solução à vista. O presidente interino, deputado Adjuto Afonso (União Brasil), primeiro vice-presidente da Casa, segue conduzindo os trabalhos da Aleam, mas evita adotar medidas que caracterizem uma transição definitiva de comando. Até agora, ele não assumiu oficialmente o gabinete da presidência nem promoveu mudanças amplas na estrutura administrativa.
As únicas alterações feitas por Adjuto ocorreram em cargos ligados diretamente a pessoas da confiança do ex-presidente Roberto Cidade, que deixaram a Aleam para assumir funções no Governo do Estado.
O centro do impasse está na interpretação do Regimento Interno da Aleam. O texto estabelece que cada cargo da Mesa Diretora possui eleição própria, o que abre espaço para o entendimento de que a ascensão do primeiro vice-presidente ao comando da Casa não ocorre automaticamente.
Por outro lado, há interpretações jurídicas que sustentam a possibilidade de Adjuto assumir a presidência sem nova eleição, com base em precedentes registrados em Assembleias Legislativas de outros estados. Até o momento, porém, a Procuradoria-Geral da Aleam ainda não apresentou um parecer definitivo sobre o tema.
Nos bastidores, o silêncio público dos deputados contrasta com a movimentação interna. Embora poucos falem abertamente sobre a disputa, parlamentares já articulam possíveis candidaturas ao cargo. Entre os nomes citados estão Felipe Souza (Podemos), atual ouvidor da Mesa Diretora, e Carlinhos Bessa (União Brasil), ambos interessados na presidência, mas evitando confronto direto com Adjuto e com o principal articulador político dele: Roberto Cidade.
Adjuto lançou sua candidatura assim que Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas, mas tem buscado construir uma candidatura de consenso dentro da Casa. A postura discreta, sem ocupar o gabinete presidencial ou promover mudanças profundas na administração herdada, é interpretada nos bastidores como um gesto para evitar desgastes e manter apoio entre os parlamentares.