A versão brasileira da terapia CAR-T Cell, desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com o Instituto Butantan, apresentou resposta positiva em 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin, segundo resultados preliminares divulgados nesta quarta-feira (10/6) pelo Ministério da Saúde.
O tratamento utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas geneticamente em laboratório, para combater o câncer. A pesquisa, conduzida pela Universidade de São Paulo (USP), avalia a segurança, os possíveis efeitos adversos e a eficácia da terapia.
De acordo com os dados iniciais, cerca de nove em cada dez pacientes apresentaram redução significativa ou desaparecimento do tumor após o tratamento. Até o momento, 75 pessoas foram incluídas no estudo clínico, sendo que 25 já receberam a infusão das células CAR-T.
Especialistas envolvidos no projeto destacam que a tecnologia é considerada uma das mais avançadas no combate a leucemias e linfomas. Atualmente, terapias semelhantes no exterior podem custar cerca de US$ 500 mil, mas a expectativa é que a versão brasileira seja incorporada futuramente ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do tratamento contra cânceres hematológicos, pesquisadores estudam ampliar o uso da terapia para doenças autoimunes, como lúpus e miastenia gravis. Os próximos passos incluem a continuidade dos testes clínicos e a análise dos resultados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O estudo conta com apoio de hospitais e instituições de referência, incluindo unidades da USP, Unicamp, Hospital Sírio-Libanês e Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
