Um júri concluiu nesta quarta-feira (15/4) que a gigante de shows Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster mantinham um monopólio prejudicial sobre grandes casas de espetáculo, impondo uma derrota à empresa em um processo movido por dezenas de estados americanos e pelo Distrito de Columbia. O veredicto representa uma vitória histórica para a legislação antitruste nos Estados Unidos.
“É um grande dia para a legislação antitruste”, afirmou o advogado Jeffrey Kessler ao deixar o tribunal. Antes disso, o juiz orientou as equipes jurídicas de ambos os lados a se reunirem entre si e com o governo federal para apresentar, até o fim da próxima semana, uma proposta conjunta com o cronograma das próximas etapas do processo, incluindo a fase de definição de punições.
O julgamento levou ao banco de testemunhas o CEO da Live Nation, Michael Rapino, que foi questionado sobre diversos temas, incluindo o caos na venda de ingressos da turnê de Taylor Swift em 2022. Rapino atribuiu o episódio a um ataque cibernético. Durante o processo, também vieram à tona mensagens internas de um funcionário da empresa, que classificava alguns preços como “absurdos”, chamava clientes de “muito estúpidos” e dizia que a companhia estava “roubando-os descaradamente”. O funcionário, Benjamin Baker – hoje promovido a um cargo executivo na área de ingressos, afirmou em depoimento que as mensagens foram “muito imaturas e inaceitáveis”.
A Live Nation Entertainment possui, opera, agenda eventos ou tem participação acionária em centenas de casas de shows. Já a Ticketmaster é considerada a maior plataforma de venda de ingressos do mundo. A decisão pode custar centenas de milhões de dólares às empresas, apenas considerando a cobrança indevida de US$ 1,72 por ingresso identificada pelo júri em 22 estados. Além disso, podem ser aplicadas multas e outras penalidades. Entre as possíveis medidas está a obrigação de vender parte dos negócios, incluindo arenas e anfiteatros.