A Inteligência Artificial (IA) pode ser uma aliada em 2026 para quem procura emprego ou trocar de posição. Mesmo as ferramentas gratuitas conseguem organizar bem as habilidades e experiências do profissional. Porém, especialistas alertam: honestidade e revisão dos dados continuam sendo indispensáveis.
Ferramentas gratuitas como ChatGPT, Gemini, NotebookLM e Perplexity são boas alternativas na hora de preparar currículos, organizar informações, revisar textos ou tentar se destacar nos sistemas de triagem das empresas. No entanto, é preciso cuidado para não levar recrutadores ou algoritmos ao engano.
Nos últimos anos, o mercado de Recursos Humanos tem intensificado o uso de IA nos processos seletivos, tanto por candidatos quanto por empresas. Hoje, a maioria das plataformas de recrutamento utilizam sistemas que comparam o currículo com a descrição da vaga para ranquear e encontrar, de forma automática, candidatos que se encaixem nas oportunidades divulgadas.
Segundo dados da plataforma de recrutamento Gupy, 35% dos currículos enviados não têm nenhuma habilidade cadastrada. Além disso, 64% trazem descrições de experiência com menos de 200 caracteres, o que também prejudica o desempenho nos sistemas de IA.
Jhenyffer Coutinho, sócia e líder em Experiência das Pessoas Candidatas da Gupy, explica quais os errosm mais comuns.
“O erro mais comum é não colocar as informações básicas. Isso derruba muito o ranqueamento. Em uma plataforma em que não há limites para descrever sua jornada, quanto mais detalhes você coloca, mais elementos a tecnologia tem para encontrar no seu perfil”.
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Empresas de RH adotam inteligência artificial em entrevistas e seleção de candidatos
Os riscos de tentar “driblar robôs”
Alguns candidatos têm tentado driblar os sistemas de seleção que utilizam Inteligência Artificial por meio do uso de palavras-chave invisíveis. Ou seja, inserem textos ocultos dentro do currículo com o objetivo de “fisgar” os algoritmos.
Segundo Juliana Maria, especialista em recrutamento e seleção, tentar burlar o sistema, como inserir iscas para enganar filtros, pode até gerar um avanço inicial, mas costuma resultar em desclassificação e prejuízo à reputação do candidato.
Como fazer um bom currículo usando IA
As plataformas mais populares e acessíveis para criar um bom currículo são ChatGPT, Gemini e NotebookLM.
A principal recomendação é que o candidato carregue o currículo real e a descrição da vaga, pedindo apenas ajustes e melhorias: sem esquecer de revisar cuidadosamente o resultado para evitar “alucinações” da IA, como a inclusão de habilidades ou idiomas que a pessoa não domina.
Veja abaixo o passo a passo das recomendações dos especialistas:
- Defina seu objetivo (vaga, área, senioridade);
- Peça à IA um prompt-modelo para o seu contexto e preencha com dados reais;
- Carregue o currículo atual e a descrição da vaga, depois peça sugestões de ajuste;
- Crie duas ou três versões do currículo e teste em plataformas diferentes;
- Preencha todos os campos nos portais de candidatura;
- Revise linha por linha, buscando exageros ou inconsistências;
- Declare níveis reais de idiomas e tecnologias;
- Evite truques como texto invisível ou códigos ocultos;
- Inclua evidências de aprendizado contínuo;
- Prepare-se para a entrevista com exemplos práticos que sustentem o currículo.
*Com informações de G1