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Nossa relação com a tecnologia: especialista explica porque pessoas se apaixonam por IAs e robôs

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Nossa relação com a tecnologia: especialista explica porque pessoas se apaixonam por IAs e robôs
Foto: Freepik.

Recentemente, viralizou on-line o vídeo da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, caminhando ao lado de um robô humanoide na Casa Branca. Ela apresentou o robô em um encontro educacional sobre inteligência artificial.

Dirigindo-se à plateia, o robô disse:

“Obrigada, primeira-dama Melania Trump, por me convidar à Casa Branca. É uma honra estar na reunião inaugural da Coalizão Global ‘Fostering the Future Together’ (Cultivando o Futuro Juntos). Eu sou a Figure 3, um humanoide construído nos Estados Unidos da América. Sou grata por fazer parte deste movimento histórico para capacitar crianças com tecnologia e educação”.

Em seguida, a robô deu boas-vindas aos presentes em inglês, espanhol, português e outros oito idiomas. De acordo com a empresa Figure, criadora da “assistente”, ela “cuida de tarefas domésticas como lavar roupa, limpar e lavar a louça, tudo de forma autônoma”.

Melania Trump com robô na Casa Branca (Foto: Reprodução).

Robôs e inteligência artificial costumavam ser coisas de histórias de ficção-científica, mas hoje fazem parte da realidade. Empresas em vários países estão desenvolvendo robôs humanoides para realizar tarefas domésticas, como apoio logístico ou até como soldados em operações militares. Alguns desses robôs estão sendo feitos para imitar a aparência humana, com pele e calor corporal.

Inteligências artificiais já servem como apoio emocional e até psicológico para várias pessoas, e começam a se tornar comuns os casos de pessoas que se apaixonam ou desenvolvem apego emocional pelas suas IAs. Especialistas já até desenvolveram o termo “digissexualidade”, para designar práticas afetivas e eróticas envolvendo máquinas.

Com IAs e robôs se tornando cada vez mais comuns na vida diária, como essas tecnologias poderão afetar os seres humanos, do ponto de vista emocional e psicológico?

Para responder a essa pergunta, a Onda Digital conversou com especialista no tema: o doutor Edu Honorato, PhD em Saúde Pública (Fiocruz Amazônia), professor associado da UEA (Universidade Estadual do Amazonas) e especialista em Inteligência Artificial (UFSCar), com mais de 20 anos de experiência em Psicologia, Cibercultura e Saúde Mental.

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O Doutor Edu Honorato, no estúdio da Onda Digital.

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Após retornar do Vale do Silício, nos Estados Unidos, o especialista destacou que a interação entre humanos e tecnologias inteligentes tem ganhado cada vez mais intensidade. Segundo ele, o avanço recente está ligado à capacidade desses sistemas de simular conversas, atenção e até traços de afeto, o que impacta diretamente a forma como as pessoas se relacionam com essas ferramentas.

“Do ponto de vista psicológico, nós temos a tendência de tratar como humano tudo que apresenta algum tipo de resposta coerente. Fazemos isso com animais, quando eles respondem de forma parecida com a gente. Nós os humanizamos. Quanto mais essa tecnologia interagir e evoluir, mais ela vai estimular esse efeito na gente. O diferencial agora é que essa tecnologia consegue conversar e se adaptar, e assim nossos vínculos com elas se tornam mais intensos. É o que vemos agora, gente desenvolvendo sentimentos pelas inteligências artificiais. Teve um caso de alguém que queria se casar com uma IA. É uma resposta humana a um tipo de interação que foi feita para parecer de verdade”, explica.

Quando devemos começar a nos preocupar com apego excessivo a IA?

“O problema é que o ponto de atenção não é o sentimento em si, mas se isso começa a substituir uma relação real, ou se a pessoa passa a não mais diferenciar de que aquilo é uma interação simulada. Aí podemos ter um uso patológico da inteligência artificial. A tecnologia não é real, é por isso que não se pode fazer tratamento psicológico com ChatGPT, porque ele não é uma pessoa”, pontou.

Incertezas

Ao comentar os próximos passos da inteligência artificial, o especialista avaliou que ainda há incertezas sobre os impactos a longo prazo dessas ferramentas, especialmente entre públicos mais jovens.

“As tecnologias são muito recentes, então não temos clareza sobre os efeitos disso a longo prazo. […] O potencial dessas tecnologias é muito grande, mas ainda não compreendemos os riscos totalmente. Não é para ter medo, mas as pessoas precisam entender como as ferramentas funcionam e quem está por trás delas”. Ele também alertou para a necessidade de uso consciente, sobretudo entre crianças e adolescentes.

Quanto aos humanoides, os entusiastas da área estão ficando muito empolgados: “são robôs para fazer cirurgias, para tarefas domésticas, e sabemos que alguns estão em desenvolvimento para apoio emocional e educação… Então temos que ver como isso vai mexer com questões de dependência e isolamento”.

Essas tecnologias já estão aqui, não há como evitar. O desafio agora é conviver com elas de forma critica, consciente e ética. Elas vão mudar inclusive a forma como as pessoas se relacionam umas com as outras.