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Renato chega à prefeitura sem nunca ter recebido um voto direto do eleitorado amazonense

Desde a redemocratização do Brasil, em 1985, Renato Junior (Avante) será o primeiro prefeito de Manaus que nunca recebeu diretamente um voto sequer do eleitor amazonense para qualquer cargo eletivo. Ele herda o posto de David Almeida após ter se tornado vice na primeira eleição que disputou, em 2024.

Caso parecido só ocorreu em 1983, quando, no fim da ditadura militar (1964-1985), o governador do Amazonas tinha a prerrogativa de indicar, por livre convencimento, o prefeito da capital. Naquela ocasião, Gilberto Mestrinho indicou o advogado Amazonino Mendes, que, assim como Renato Junior, era dono de uma construtora, a Arca.

Neste período, o primeiro vice que herdou a prefeitura foi Eduardo Braga, em 1994, contudo, o substituto de Amazonino Mendes já tinha sido eleito vereador em Manaus e deputado estadual, tendo sido, inclusive, relator da Constituição do Estado.

Uma nova troca do tipo aconteceu em abril  de 2004, quando o então titular da prefeitura de Manaus, Alfredo Nascimento, foi chamado para assumir o Ministério dos Transportes no primeiro governo Lula (2003-2006). O vice de Alfredo naquele mandato era Omar Aziz, mas este tinha trocado a vice-prefeitura pelo posto de vice-governador na chapa de Eduardo Braga dois anos antes.

Sem vice, o substituto de Alfredo Nascimento foi definido em uma eleição indireta feita pelos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Alfredo indicou o então secretário-chefe da Casa Civil, Aluisio Braga, que assim como Renato, hoje, nunca tinha disputado uma eleição. Um grupo de vereadores, contudo, não aceitou a indicação e elegeu o então presidente da Casa, Luiz Alberto Carijó, para cumprir o mandato-tampão até o fim de 2004. Diferente de Renato, Carijó já tinha disputado o voto popular e se eleito vereador.


Saiba mais:

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Da feira à Prefeitura de Manaus

O novo prefeito de Manaus, Renato Junior, construiu uma trajetória incomum na política amazonense ao chegar ao mais alto cargo do Executivo municipal sem ter disputado eleições anteriores. Natural de Manaus, ele iniciou a vida profissional ainda jovem, trabalhando na feira da Manaus Moderna. Anos depois, passou a atuar como empresário no setor da construção civil, antes de ingressar na administração pública.

A entrada na vida pública ocorreu em 2021, já no primeiro escalão da Prefeitura de Manaus, durante a gestão de David Almeida. Ele assumiu a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), em um movimento que marcou sua estreia no setor público sem passagem prévia por cargos eletivos ou mandatos legislativos.

Na Semacc, esteve à frente de ações voltadas ao ordenamento do comércio informal e à reorganização de feiras da cidade. A visibilidade obtida na função levou à sua nomeação, em 2022, para a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), uma das pastas com maior orçamento e capilaridade da prefeitura.

À frente da Seminf, Renato Junior passou a conduzir programas de obras viárias, recapeamento e intervenções urbanas, consolidando um perfil associado à execução de serviços e presença em áreas periféricas da cidade.

Em 2024, foi escolhido por David Almeida para compor a chapa à reeleição como candidato a vice-prefeito. A eleição marcou sua primeira participação em uma disputa eleitoral. Com a vitória nas urnas, assumiu o cargo de vice-prefeito de Manaus, mantendo vínculo direto com a estrutura administrativa que o projetou politicamente.

A trajetória de Renato Júnior evidencia um caminho distinto do padrão tradicional da política brasileira, no qual a experiência eleitoral costuma anteceder a ocupação de cargos no Executivo. No caso do vice-prefeito, o percurso foi inverso: a entrada se deu diretamente pela gestão, com posterior legitimação nas urnas.

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Desde a redemocratização do Brasil, em 1985, Renato Junior (Avante) será o primeiro prefeito de Manaus que nunca recebeu diretamente um voto sequer do eleitor amazonense para qualquer cargo eletivo. Ele herda o posto de David Almeida após ter se tornado vice na primeira eleição que disputou, em 2024.

Caso parecido só ocorreu em 1983, quando, no fim da ditadura militar (1964-1985), o governador do Amazonas tinha a prerrogativa de indicar, por livre convencimento, o prefeito da capital. Naquela ocasião, Gilberto Mestrinho indicou o advogado Amazonino Mendes, que, assim como Renato Junior, era dono de uma construtora, a Arca.

Neste período, o primeiro vice que herdou a prefeitura foi Eduardo Braga, em 1994, contudo, o substituto de Amazonino Mendes já tinha sido eleito vereador em Manaus e deputado estadual, tendo sido, inclusive, relator da Constituição do Estado.

Uma nova troca do tipo aconteceu em abril  de 2004, quando o então titular da prefeitura de Manaus, Alfredo Nascimento, foi chamado para assumir o Ministério dos Transportes no primeiro governo Lula (2003-2006). O vice de Alfredo naquele mandato era Omar Aziz, mas este tinha trocado a vice-prefeitura pelo posto de vice-governador na chapa de Eduardo Braga dois anos antes.

Sem vice, o substituto de Alfredo Nascimento foi definido em uma eleição indireta feita pelos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Alfredo indicou o então secretário-chefe da Casa Civil, Aluisio Braga, que assim como Renato, hoje, nunca tinha disputado uma eleição. Um grupo de vereadores, contudo, não aceitou a indicação e elegeu o então presidente da Casa, Luiz Alberto Carijó, para cumprir o mandato-tampão até o fim de 2004. Diferente de Renato, Carijó já tinha disputado o voto popular e se eleito vereador.


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