Um laudo do Instituto de Criminalística Lorena dos Santos Baptista (IC-LSB), não identificou cortes, supressões ou inserções em um vídeo apresentado pela defesa de Juliana Brasil Santos, investigada no caso Benício. O exame, porém, aponta limitações na análise, porque o arquivo não tem metadados de origem e parte da tela filmada está encoberta por um caderno.

De acordo com o documento, o vídeo tem cerca de 34 segundos e mostra a tela de um computador com um sistema de prescrição hospitalar. Nas imagens, há mudanças nos campos relacionados à adrenalina: a via de administração aparece inicialmente como intravenosa e depois é alterada para inalatória. O laudo também descreve mudanças no diluente e na dose exibida pelo sistema.

Durante a gravação, um caderno encobre parte da tela. Segundo os peritos, isso impede a análise do conteúdo que ficou oculto. O documento também informa que não foi possível determinar por que o objeto foi colocado diante do monitor.

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A perícia constatou ainda que o arquivo não registra som ambiente. No entanto, não foi possível estabelecer se o áudio deixou de ser captado durante a gravação ou se foi silenciado antes do envio. Também não foi possível identificar quem fez a filmagem, o sistema utilizado ou a data e o horário em que o vídeo foi gravado.
O exame foi solicitado pelo 24º Distrito Integrado de Polícia no âmbito do Inquérito Policial nº 3472/2026, para apuração de suspeita de fraude processual. O laudo foi assinado em 6 de outubro de 2026.
A equipe de reportagem da Rede Onda Digital entrou em contato com Joyce Xavier, mãe de Benício, para comentar a conclusão do laudo pericial, que não identificou sinais de edição no vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil Santos. Até a publicação desta matéria, não houve resposta.
Caso Benício
Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu na madrugada de 23 de novembro de 2025, após receber adrenalina diretamente na veia durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Ele havia sido levado ao hospital no dia anterior, com tosse seca e suspeita de laringite. A médica Juliana Brasil Santos teria prescrito o medicamento por via intravenosa, embora a administração indicada para o quadro fosse por inalação.
Após receber a medicação, Benício teve piora no estado de saúde e sofreu várias paradas cardíacas. A criança foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. A morte passou a ser investigada pela Polícia Civil do Amazonas. Em junho de 2026, a Justiça tornou rés a médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, responsável pela aplicação do medicamento, por homicídio qualificado com dolo eventual.
