Consumidores de energia elétrica no Amazonas têm relatado aumentos expressivos no valor das contas nos últimos meses. O movimento coincide com a aplicação do Reajuste Tarifário Anual (RTA) de 2026, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e com a mudança de controle da distribuidora estadual, que passou da Amazonas Energia para a Âmbar Energia.
O que mudou na tarifa de energia
A Aneel aprovou, em 19 de maio de 2026, o reajuste tarifário anual aplicado à distribuidora que atende o Amazonas. A medida entrou em vigor em 26 de maio e trouxe impacto médio de 6,58% para o conjunto dos consumidores. Para as unidades de baixa tensão, categoria que inclui residências, pequenos comércios e propriedades rurais, o reajuste médio aprovado foi de 3,79%.
Segundo a Aneel, os principais fatores que pressionaram o reajuste foram os custos de aquisição e transporte de energia elétrica, além de encargos setoriais definidos por legislação federal.
Por que a conta pode ter subido mais do que o esperado
Antes da decisão final, uma nota técnica da própria Aneel havia indicado a possibilidade de um reajuste bem mais alto, próximo de 23% para consumidores de baixa tensão. Segundo o documento, o principal fator de pressão seria a incidência do ICMS-ST sobre a compra de energia pela distribuidora.
O percentual final aprovado ficou abaixo dessa estimativa depois que a Aneel considerou a antecipação de R$ 735 milhões referentes à repactuação de cotas de Uso de Bem Público (UBP), prevista na Lei nº 15.235/2025, o que ajudou a reduzir o impacto sobre a tarifa.
Um exemplo real de aumento na conta
Contas de consumidores residenciais de Manaus mostram a diferença de valores entre os meses de junho e julho de 2026. Em uma delas, referente a uma consumidora da zona sul da cidade, o valor total passou de R$ 267,29, com consumo de 289 kWh em junho, para R$ 315,53, com consumo de 331 kWh em julho.


Além do valor referente ao consumo em kWh, a fatura traz itens como o adicional da bandeira tarifária amarela e a Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), que também compõem o total cobrado.
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Mudança de controle da distribuidora
Desde abril de 2026, a distribuição de energia elétrica no Amazonas passou a ser operada pela Âmbar Energia, unidade de negócios da J&F S.A., após autorização da Aneel, da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Justiça Federal.
Em nota publicada em seu site oficial, a Âmbar Energia afirma que a transferência de controle da distribuidora não é responsável pelo aumento nas contas de luz, já que as tarifas são definidas exclusivamente pela Aneel, e não pela empresa.
Reclamações de consumidores e cobrança na Câmara Municipal
Nas redes sociais, moradores de Manaus e de outras regiões do Amazonas têm relatado aumentos consideráveis no valor das contas nos últimos meses, mesmo sem grande variação no padrão de consumo declarado pelos próprios usuários.
O tema também chegou à Câmara Municipal de Manaus, onde foi apresentada uma proposta pelo vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) para convocar o diretor-presidente da distribuidora a prestar esclarecimentos sobre os critérios de faturamento, o aumento registrado nas contas e as condições de atendimento aos consumidores.
A reportagem entrou em contato com a fornecedora e aguarda resposta.
