Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Defensoria Pública do Amazonas procura solução para lixão flutuante na fronteira

Reunião sugere opções para lidar com resíduos que impactam Benjamin Constant

A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) está em contato com autoridades de Benjamin Constant para encontrar soluções para o problema do lixão flutuante em Islândia, no Peru. Os detritos desse lixão estão poluindo as águas da tríplice fronteira. Uma das opções debatidas é a utilização de uma balsa peruana para o armazenamento do lixo.

O defensor Maurilio Casas Maia, coordenador do Grupo de Articulação e Atuação Estratégica para Acesso à Justiça dos Grupos Vulneráveis e Vulnerabilizados (Gaegruv), se encontrou na quinta-feira (26/06) com o secretário municipal de Meio Ambiente, Francisco Gladson da Silva, com o subsecretário Weique Andrade de Almeida e com o vereador Walker Pires da Cruz. Uma das propostas debatidas foi a opção de o governo peruano alugar uma balsa para o armazenamento dos resíduos.

“O lado positivo é que, após a articulação da Defensoria Pública, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima iniciou contato com o Município”, destaca Casas Maia. Contudo, a crise internacional prossegue e sem encaminhamentos decisivos pelo governo federal, afirma o defensor. “O pequeno município não possui recursos para construir aterro sanitário com padrão internacional para receber dejetos do vilarejo peruano”, observa.

O subsecretário Weique de Almeida disse que discussão foi centrada nas possibilidades de solução.

“Discutimos os quais seriam os nossos próximos passos e como a Defensoria Pública pode nos ajudar em relação a isso”.

“Nós, da secretaria municipal, não conseguimos fazer muita coisa, fazemos o que está a nosso alcance. Mas, infelizmente não é o suficiente. O lixão de Islândia continua contaminando as águas do Javarizinho, do rio Javari e do rio Amazonas. “Precisamos da internacionalização do problema, que o governo federal, o Itamaraty atue”, acrescenta.

“Está faltando empenho federal. A população continua vulnerável, principalmente a ribeirinha, porque a água que as comunidades usam está contaminada e aumentou o índice de doenças de veiculação hídrica”, complementa.

O vereador Walker Pires ressaltou que “já são décadas convivendo com o problema”.

“Esse lixo gera chorume e despeja coliformes fecais no rio, que desce para a nossa cidade, onde fazemos a coleta d’água”.

(Foto: Divulgação/Prefeitura de Benjamin Constant)

Weique de Almeida contou que a prefeitura monitora a qualidade da água e que a análise da última coleta mostrou que o índice de oxigênio dissolvido (OD) está em 1,28 miligrama por litro, muito abaixo de 5,0 mg/L, que é o valor considerado mínimo para a preservação da vida aquática estabelecido pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) 357/05.

A prefeitura está finalizando um relatório detalhado da situação para encaminhar ao Ministério do Meio Ambiente.

Só a ‘ponta do iceberg’

O lixão de Islândia ocupa uma área aproximada de 4,8 mil metros quadrados (60×80), além de nove metros de altura. São cerca de 8.640 toneladas de lixo, sendo que, desse total, 90% fica submerso durante o período da cheia.

Alternativas

De acordo com o subsecretário, governo federal pode ajudar na implantação de um aterro sanitário no município, que hoje tem um lixão em terra firme, em consórcio com Atalaia do Norte, para receber o lixo de Islândia. “Mas, isso necessitaria de um acordo entre o os governos brasileiro e peruano, para que o Peru também arcasse com alguns custos”.

“Islândia é uma ilha. Eles não têm terra firme. Então o resíduo deles sempre vai ser descartado no rio. A área mais alta do vilarejo é essa onde está sendo descartado hoje”, complementa.

Outra sugestão de Weique de Almeida é que o governo peruano contrate uma balsa que armazene o lixo e que, periodicamente, descarte os resíduos em outra cidade do país.

O vereador Walker Pires discorda da possibilidade de Benjamin Constant receber o lixo de Islândia.

“Eu acho que nós vamos ter mais problemas, até porque nós ainda temos um lixão que é irregular, como é na maioria dos municípios do Brasil. A gente assumir o problema, é outro problema. Eu acho que nesse momento cada um deve assumir a sua responsabilidade e cuidar do seu lixo para preservar o nosso meio ambiente, cuidar da nossa casa”.

Estimativas da prefeitura apontam que hoje a produção de resíduos sólidos de Benjamin Constant gira entre 30 e 36 toneladas por dia. Já Islândia produz aproximadamente 10 toneladas diariamente.

O parlamentar conta que, durante um breve período, anos atrás, a solução da balsa foi adotada pelo governo peruano.

“Eles colocavam o lixo em uma balsa e levavam possivelmente para a cidade de Santa Teresa. Aí, ficamos esse tempo sem esse problema, que agora voltou”, recorda.

Atuação da Defensoria

Na semana passada, a DPE-AM enviou ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e ao ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) solicitando cooperação interinstitucional para solucionar um impasse internacional envolvendo a situação, na região da tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru.

Os documentos, produzidos pelo Gaegruv, narram o problema e apontam que os vulneráveis mais afetados pelas consequências do problema são potenciais assistidos da instituição. Por esta razão, a DPE-AM solicitou mobilização interinstitucional para obtenção de cooperação internacional na solução do impasse. A instituição se colocou à disposição para apoio referente à proteção dos direitos humanos e dos necessitados.

Ainda não houve uma manifestação do MMA e MRE para implementar uma medida que resultaria na solução do problema ambiental, sanitário e internacional.

“A ausência de sinalização concreta na articulação internacional preocupa e seguiremos na atuação”, destacou o defensor Maurilio Casas Maia.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) está em contato com autoridades de Benjamin Constant para encontrar soluções para o problema do lixão flutuante em Islândia, no Peru. Os detritos desse lixão estão poluindo as águas da tríplice fronteira. Uma das opções debatidas é a utilização de uma balsa peruana para o armazenamento do lixo.

O defensor Maurilio Casas Maia, coordenador do Grupo de Articulação e Atuação Estratégica para Acesso à Justiça dos Grupos Vulneráveis e Vulnerabilizados (Gaegruv), se encontrou na quinta-feira (26/06) com o secretário municipal de Meio Ambiente, Francisco Gladson da Silva, com o subsecretário Weique Andrade de Almeida e com o vereador Walker Pires da Cruz. Uma das propostas debatidas foi a opção de o governo peruano alugar uma balsa para o armazenamento dos resíduos.

“O lado positivo é que, após a articulação da Defensoria Pública, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima iniciou contato com o Município”, destaca Casas Maia. Contudo, a crise internacional prossegue e sem encaminhamentos decisivos pelo governo federal, afirma o defensor. “O pequeno município não possui recursos para construir aterro sanitário com padrão internacional para receber dejetos do vilarejo peruano”, observa.

O subsecretário Weique de Almeida disse que discussão foi centrada nas possibilidades de solução.

“Discutimos os quais seriam os nossos próximos passos e como a Defensoria Pública pode nos ajudar em relação a isso”.

“Nós, da secretaria municipal, não conseguimos fazer muita coisa, fazemos o que está a nosso alcance. Mas, infelizmente não é o suficiente. O lixão de Islândia continua contaminando as águas do Javarizinho, do rio Javari e do rio Amazonas. “Precisamos da internacionalização do problema, que o governo federal, o Itamaraty atue”, acrescenta.

“Está faltando empenho federal. A população continua vulnerável, principalmente a ribeirinha, porque a água que as comunidades usam está contaminada e aumentou o índice de doenças de veiculação hídrica”, complementa.

O vereador Walker Pires ressaltou que “já são décadas convivendo com o problema”.

“Esse lixo gera chorume e despeja coliformes fecais no rio, que desce para a nossa cidade, onde fazemos a coleta d’água”.

(Foto: Divulgação/Prefeitura de Benjamin Constant)

Weique de Almeida contou que a prefeitura monitora a qualidade da água e que a análise da última coleta mostrou que o índice de oxigênio dissolvido (OD) está em 1,28 miligrama por litro, muito abaixo de 5,0 mg/L, que é o valor considerado mínimo para a preservação da vida aquática estabelecido pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) 357/05.

A prefeitura está finalizando um relatório detalhado da situação para encaminhar ao Ministério do Meio Ambiente.

Só a ‘ponta do iceberg’

O lixão de Islândia ocupa uma área aproximada de 4,8 mil metros quadrados (60×80), além de nove metros de altura. São cerca de 8.640 toneladas de lixo, sendo que, desse total, 90% fica submerso durante o período da cheia.

Alternativas

De acordo com o subsecretário, governo federal pode ajudar na implantação de um aterro sanitário no município, que hoje tem um lixão em terra firme, em consórcio com Atalaia do Norte, para receber o lixo de Islândia. “Mas, isso necessitaria de um acordo entre o os governos brasileiro e peruano, para que o Peru também arcasse com alguns custos”.

“Islândia é uma ilha. Eles não têm terra firme. Então o resíduo deles sempre vai ser descartado no rio. A área mais alta do vilarejo é essa onde está sendo descartado hoje”, complementa.

Outra sugestão de Weique de Almeida é que o governo peruano contrate uma balsa que armazene o lixo e que, periodicamente, descarte os resíduos em outra cidade do país.

O vereador Walker Pires discorda da possibilidade de Benjamin Constant receber o lixo de Islândia.

“Eu acho que nós vamos ter mais problemas, até porque nós ainda temos um lixão que é irregular, como é na maioria dos municípios do Brasil. A gente assumir o problema, é outro problema. Eu acho que nesse momento cada um deve assumir a sua responsabilidade e cuidar do seu lixo para preservar o nosso meio ambiente, cuidar da nossa casa”.

Estimativas da prefeitura apontam que hoje a produção de resíduos sólidos de Benjamin Constant gira entre 30 e 36 toneladas por dia. Já Islândia produz aproximadamente 10 toneladas diariamente.

O parlamentar conta que, durante um breve período, anos atrás, a solução da balsa foi adotada pelo governo peruano.

“Eles colocavam o lixo em uma balsa e levavam possivelmente para a cidade de Santa Teresa. Aí, ficamos esse tempo sem esse problema, que agora voltou”, recorda.

Atuação da Defensoria

Na semana passada, a DPE-AM enviou ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e ao ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) solicitando cooperação interinstitucional para solucionar um impasse internacional envolvendo a situação, na região da tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru.

Os documentos, produzidos pelo Gaegruv, narram o problema e apontam que os vulneráveis mais afetados pelas consequências do problema são potenciais assistidos da instituição. Por esta razão, a DPE-AM solicitou mobilização interinstitucional para obtenção de cooperação internacional na solução do impasse. A instituição se colocou à disposição para apoio referente à proteção dos direitos humanos e dos necessitados.

Ainda não houve uma manifestação do MMA e MRE para implementar uma medida que resultaria na solução do problema ambiental, sanitário e internacional.

“A ausência de sinalização concreta na articulação internacional preocupa e seguiremos na atuação”, destacou o defensor Maurilio Casas Maia.

- Publicidade -[adrotate group="9"]
Josemar Antunes
Josemar Antunes
Josemar Antunes é jornalista formado pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte). Desde 2014, atua com experiências em matérias de polícia, esportes entre outras editorias.

Mais lidas

Vídeo: ônibus capota e deixa feridos no São Jorge

Um ônibus do transporte coletivo da empresa Via Verde colidiu com uma árvore no canteiro central e tombou no início da tarde desta segunda-feira...

Equoterapia gratuita atende crianças e adultos em Manaus

Você sabia que cavalos podem ser agentes terapêuticos, ajudando crianças e adultos a lidar com variados transtornos? A Onda Digital visitou nesta segunda-feira (10/8)...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Instituto Mamirauá abre seleção para bolsas de pesquisa em Tefé

O Instituto Mamirauá está com inscrições abertas para seleção de cinco bolsas vinculadas ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração em Ecologia, Monitoramento...

Tremores são sentidos em Manaus após terremoto na Colômbia

Moradores de diferentes pontos de Manaus relataram ter sentido tremores de terra nesta segunda-feira (10), após um terremoto de magnitude 7,4 atingir a Colômbia....
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Manaus tem dia mais quente do ano com 35,4°C, diz Inmet

Manaus registrou o dia mais quente de 2026 neste domingo (9). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura na capital amazonense chegou...

Lua de Sangue? Eclipse lunar será visível em todo o Brasil

O mês de agosto traz dois fenômenos astronômicos que podem ser vistos a olho nu de diversas partes do mundo. Um eclipse solar total...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Vídeo: ônibus capota e deixa feridos no São Jorge

Um ônibus do transporte coletivo da empresa Via Verde colidiu com uma árvore no canteiro central e tombou no início da tarde desta segunda-feira...

Equoterapia gratuita atende crianças e adultos em Manaus

Você sabia que cavalos podem ser agentes terapêuticos, ajudando crianças e adultos a lidar com variados transtornos? A Onda Digital visitou nesta segunda-feira (10/8)...

Instituto Mamirauá abre seleção para bolsas de pesquisa em Tefé

O Instituto Mamirauá está com inscrições abertas para seleção de cinco bolsas vinculadas ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração em Ecologia, Monitoramento...

Tremores são sentidos em Manaus após terremoto na Colômbia

Moradores de diferentes pontos de Manaus relataram ter sentido tremores de terra nesta segunda-feira (10), após um terremoto de magnitude 7,4 atingir a Colômbia....

Manaus tem dia mais quente do ano com 35,4°C, diz Inmet

Manaus registrou o dia mais quente de 2026 neste domingo (9). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura na capital amazonense chegou...

Lua de Sangue? Eclipse lunar será visível em todo o Brasil

O mês de agosto traz dois fenômenos astronômicos que podem ser vistos a olho nu de diversas partes do mundo. Um eclipse solar total...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]