Mesmo com o avanço da internet e das redes sociais, o rádio continua ocupando espaço na vida de milhares de pessoas. Seja para informar, tocar música ou fazer companhia, o veículo atravessa gerações e mantém uma característica que resiste às mudanças tecnológicas: a proximidade com o público. Neste sábado (7), quando é celebrado o Dia do Radialista, a data destaca o trabalho dos profissionais que fazem da voz um instrumento de comunicação e conexão com a sociedade.
Em Manaus, os radialistas Luiz Carvalho e Guilherme Guedes, da Antena 1 Manaus, vivem essa relação diariamente. Mais do que apresentar programas, eles buscam estabelecer um vínculo com os ouvintes, que participam da programação por meio de mensagens e interações.
Para Luiz Carvalho, a satisfação de trabalhar no rádio está justamente nessa troca com o público. Ele conta que a paixão pela profissão começou ainda na adolescência, aos 13 anos, quando teve o primeiro contato com um estúdio.
“Ser radialista, para mim, é mais do que uma profissão. Estar à frente do microfone, onde você leva e compartilha informações, boa música e entretenimento, é muito importante. Quando existe essa reciprocidade do ouvinte, quando ele se comunica, manda um WhatsApp e diz que está gostando da programação, isso é gratificante”, relata.
A relação com o rádio também acompanhou as transformações na maneira de consumir informação. Se antes a voz do locutor chegava principalmente pelas ondas radiofônicas, hoje ela também está presente em vídeos, transmissões e publicações nas redes sociais.
Na avaliação de Guilherme Guedes, as ferramentas digitais ampliam as possibilidades de interação e divulgação das emissoras, sem tirar a importância do rádio tradicional.
“Essas plataformas digitais chegam para somar com o rádio. Aquela história de que o rádio iria morrer nunca vai acontecer. Na era digital, você vê o locutor interagindo não somente com quem acompanha a rádio, mas também com o internauta. Você mostra a cara da voz”, afirma.
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Rádio comunitária aproxima moradores e dá espaço às reivindicações
Além de informar e entreter, o rádio também desempenha uma função social, principalmente em regiões onde a população enfrenta dificuldades para ter suas demandas ouvidas. Na zona leste de Manaus, a Rádio Comunitária A Voz das Comunidades utiliza a comunicação como instrumento de participação popular.
Primeira rádio comunitária legalizada do Amazonas, a emissora prioriza assuntos de interesse dos moradores da região, abrindo espaço para lideranças comunitárias, representantes de projetos sociais e pessoas que buscam apresentar problemas enfrentados nos bairros.
A presidente e locutora da rádio, Neidinha Maciel, explica que a proposta é colocar a comunidade no centro da programação.
“A gente prioriza as comunidades, aquela comunidade que está aqui próxima da rádio comunitária, aquela liderança, aquela pessoa que é envolvida em um trabalho social. Por isso que a gente sempre tem esse leque voltado para a comunicação popular, porque a gente dá voz e vez às comunidades”, destaca.
O espaço também permite que moradores participem da programação, compartilhem histórias e apresentem reivindicações relacionadas aos serviços públicos e às necessidades dos bairros.
Neidinha define a emissora como o “alto-falante dos excluídos”, justamente pela oportunidade de levar ao conhecimento público situações que muitas vezes não recebem atenção.
“Somos o alto-falante dos excluídos. A gente realmente dá voz e vez para as pessoas que estão ali com uma dificuldade na sua comunidade. Recebemos as demandas e buscamos uma resposta para que sejam resolvidas”, explica.
Profissionais mantêm viva a comunicação pelo rádio
A presença do rádio nas grandes emissoras e nas comunidades mostra como o veículo continua se adaptando às mudanças sem perder sua função de aproximar pessoas. Enquanto a tecnologia amplia os canais de distribuição e interação, a comunicação comunitária reforça a importância de ouvir diferentes realidades.
Celebrado em 7 de novembro, o Dia do Radialista homenageia os profissionais que informam, entretêm, contam histórias e ajudam a conectar pessoas por meio da comunicação. Em um cenário de constantes transformações, o rádio segue mostrando que sua força não está apenas na transmissão, mas também na capacidade de fazer cada ouvinte se sentir parte dela.
