Manaus é a cidade brasileira com maior risco associado ao calor extremo e ocupa a 27ª posição no ranking mundial de 205 centros urbanos analisados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. O levantamento considera não apenas a exposição às altas temperaturas, mas também a vulnerabilidade da população e a capacidade de cada cidade de enfrentar seus efeitos.
O resultado foi um dos temas discutidos nesta terça-feira (28), durante uma palestra promovida pela Escola Superior da Defensoria Pública do Amazonas (Esudpam) sobre a atuação das instituições em emergências climáticas. O debate abordou medidas de proteção à população durante eventos como secas, estiagens e enchentes.
Publicado em 2026 na revista científica Sustainable Cities and Society, o estudo Moving beyond exposure: a globally comparable framework for heat risk assessment in cities avaliou cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Entre os fatores considerados estão condições socioeconômicas, estrutura de resfriamento, cobertura vegetal e características demográficas que aumentam a exposição aos efeitos do calor.
A classificação não significa necessariamente que Manaus registre as temperaturas mais altas entre todas as cidades analisadas. O risco resulta da combinação entre exposição ao calor, vulnerabilidade social e condições disponíveis para proteger a população.
Vulnerabilidade e políticas públicas
A defensora pública do Amazonas Isabela Sales, chefe de gabinete da Secretaria-Executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) alertou para o acompanhamento de políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis.
Crianças, idosos e pessoas com menos recursos para enfrentar temperaturas elevadas estão entre os grupos que exigem atenção. O acesso à saúde, à energia elétrica, a ambientes ventilados e a áreas arborizadas influencia a capacidade de enfrentar períodos de calor intenso.
Sales também chamou a atenção para a necessidade de elaborar e executar planos de adaptação às mudanças climáticas. Segundo ela, a ausência dessas medidas compromete a resposta do poder público durante emergências.
Experiências durante secas e enchentes
O encontro também reuniu relatos da atuação das Defensorias Públicas do Amazonas e do Rio Grande do Sul em emergências recentes.
No Amazonas, a defensora pública Daniele Fernandes relatou as dificuldades enfrentadas durante a seca de 2023 e a vazante de 2024. Em Maués, diante da falta de informações oficiais sobre comunidades isoladas, a instituição recorreu a rádios locais e grupos de WhatsApp para receber relatos, fotografias e vídeos enviados pelos próprios moradores.
As informações ajudaram a identificar demandas e fundamentar medidas judiciais, ampliando a visibilidade de problemas enfrentados por comunidades distantes dos centros urbanos.
No Rio Grande do Sul, a defensora pública Roberta Eifler Barbosa relatou os desafios da atuação durante as enchentes de 2024, que também atingiram a sede da instituição e comprometeram seus sistemas internos.
A Defensoria organizou uma comissão de crise, implantou plantão de atendimento durante 24 horas e adotou canais alternativos para continuar prestando assistência. A atuação incluiu visitas a abrigos, atendimento às famílias atingidas e articulação com outros órgãos públicos.
