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Especialistas alertam: redes de proteção podem evitar mortes de crianças em apartamentos

A morte de uma criança de 11 anos após cair do quinto andar de um prédio, nesta terça-feira (30/6), em Manaus, reacendeu o debate sobre a prevenção de acidentes em apartamentos. O caso também chamou a atenção para a importância da instalação de redes de proteção em janelas, sacadas e outras áreas elevadas.

Especialistas afirmam que as redes de proteção são equipamentos essenciais para reduzir o risco de quedas graves e fatais envolvendo crianças. A recomendação é que o dispositivo seja instalado em imóveis onde vivem ou circulam menores de idade, independentemente da idade da criança.

A pediatra Kamilla Fernandes, pós-graduada em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o risco de quedas começa ainda nos primeiros meses de vida. Segundo a médica, o perigo aumenta à medida que a criança desenvolve habilidades motoras, passa a escalar móveis e ganha autonomia para caminhar e explorar os ambientes da residência.

Foto: Arquivo Pessoal

“A tela de proteção é indispensável para quem tem crianças e pets. A partir do momento que o bebê aprende a escalar, isso inclui por volta dos 10 meses a medida já é indispensável. Risco piora quando a criança sabe andar e subir nos lugares”, destaca.

Do ponto de vista clínico, Kamilla explica que quedas de altura podem causar não apenas fraturas, mas também lesões neurológicas graves. Ela ressalta que, em muitos casos, é necessária a realização de tomografia de crânio, já que sangramentos internos podem não apresentar sintomas imediatos, dificultando a identificação da gravidade.

“Além de fraturas graves, é indispensável realizar investigação com tomografia de crânio, às vezes o sangramento dentro da cabeça da criança pode demorar para dar sintomas e então passar batido a gravidade do caso”, explicou.

A pediatra também chama atenção para o atendimento de emergência nesses casos, que deve seguir protocolos internacionais como o ATLS (Advanced Trauma Life Support). Segundo ela, o procedimento ajuda a identificar rapidamente sinais de gravidade e orientar intervenções imediatas.

“Na Medicina quando a criança cai de uma altura significativa o primeiro atendimento deve ser realizado conforme ATLS (Advanced Trauma Life Support ou Suporte Avançado de Vida no Trauma) que é um protocolo internacional capaz de identificar sinais de gravidade com precisão e intervir com segurança para que os danos sejam menores aos pacientes”, afirmou.

Kamilla reforça ainda que o tempo entre o acidente, o socorro e o diagnóstico é decisivo. “Sim, o tempo de socorro é muito importante assim como o tempo de diagnóstico e intervenção médica. Por isso todos os médicos que atendem pronto atendimento devem se profissionalizar e realizar o curso de ATLS.”

Sobre o risco em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências, a especialista afirma que a vulnerabilidade pode ser maior em alguns casos. “Sim, mas isso depende do nível de suporte, não dá para generalizar. Se a criança tem dificuldade de entender/obedecer comandos isso aumenta MUITO o risco de exposição. Falando em neurodivergência os pacientes TDAH tendem a ter uma procura maior por adrenalina em determinada fase da vida, portanto o cuidado deve ser redobrado para esse tipo de exposição”, concluiu.

Segurança

Para prevenir acidentes e reforçar a segurança dentro de apartamentos, o ideal é que redes de proteção sejam instaladas em janelas, sacadas e outros locais que representem risco para crianças. Sobre o assunto, o engenheiro civil Pedro Cristiano, técnico em eletrotécnica e pós-graduado em Gestão de Obras na Construção Civil, explica que esses equipamentos seguem a norma técnica ABNT NBR 16046, que estabelece critérios gerais para a instalação em janelas, sacadas e varandas, mas não há uma regulamentação exclusiva voltada apenas para apartamentos.

Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ele, a instalação deve respeitar tanto as orientações do fabricante quanto as características estruturais de cada edifício, já que os pontos de fixação variam conforme o tipo de construção.

“Cada prédio pode ter características construtivas diferentes (tijolo ou bloco), então a instalação precisa ser compatível com o tipo de concreto, alvenaria ou estrutura onde a rede vai ser instalada”, explicou.

Pedro afirma ainda que não há uma exigência geral de ART ou laudo técnico para todas as instalações em condomínios, embora o serviço deva ser feito por empresas especializadas. Em alguns casos, o próprio condomínio pode exigir o documento.

Do ponto de vista da engenharia, ele destaca que a responsabilidade técnica é obrigatória quando há intervenções que possam impactar a estrutura da edificação. Sobre a função das redes, o engenheiro explica que elas atuam como sistema de proteção passiva, funcionando como barreira permanente contra quedas.

“A rede de proteção é considerada uma barreira física permanente, sem depender da ação do morador para funcionar. Basicamente a função dela é reduzir o risco de acidentes”, afirmou.

Em relação aos materiais, ele aponta o polietileno como o mais utilizado em apartamentos, por sua resistência e durabilidade, enquanto o nylon e o aço galvanizado são aplicados em situações específicas. “O polietileno é o mais utilizado em apartamentos porque tem boa resistência mecânica, não absorve água e suporta melhor a exposição ao sol. O nylon tem alta resistência à tração e absorve bem impactos, mas tende a absorver umidade e pode sofrer um desgaste mais rápido e o aço galvanizado tem resistência mecânica muito superior porém são mais usados na indústria”, explicou.

Manutenção

Já o empresário Fernando Maciel, que atua na instalação de redes de proteção há 5 anos em Manaus, destaca que os pontos de fixação são definidos conforme a estrutura da parede, podendo variar entre 20 e 35 centímetros, tanto na parte superior quanto inferior da instalação, para garantir segurança sem comprometer a estrutura do imóvel.

Foto: Fernando Maciel/Arquivo Pessoal

Maciel também chama atenção para a falta de manutenção após a instalação, o que pode comprometer a segurança com o passar dos anos.

“Muitos esquecem de fazer a verificação, por exemplo, eu dou um ano, um ano e meio de garantia, mas eu falo, olha, a durabilidade é mais de 5 anos, entre 4 anos, 3, 4 anos, dá uma verificada na tela, vê se está puindo alguma coisa, principalmente a corda de amarração, dê uma olhada nos ganchos, verifica como é que está, todo dia, mas uma vez na semana, chegue na tela, empurre para frente e para trás, vê como é que está a situação dela, justamente é uma manutenção em que o próprio proprietário tem que verificar”, explicou.

Foto: Fernando Maciel/Arquivo Pessoal

Segundo ele, muitos problemas só são percebidos quando o material já está bastante comprometido.

“Às vezes tem clientes que chega, ah, não, eu só quero trocar a tela, quando a gente chega lá, todos os ganchos já estão enferrujados, já estão quebrados, as buchas já estão ressecadas, são ganchos que já estão lá há 8 anos, há 10 anos, entendeu, e eles não querem que troque, porque às vezes muda o valor”, finalizou.

Dados

Dados do Ministério da Saúde, por meio do DATASUS, mostram que as quedas estão entre os principais acidentes envolvendo crianças no Brasil e representam a maior parte das ocorrências dentro do ambiente doméstico.

Em 2023, mais de 34 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em razão desse tipo de acidente, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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A morte de uma criança de 11 anos após cair do quinto andar de um prédio, nesta terça-feira (30/6), em Manaus, reacendeu o debate sobre a prevenção de acidentes em apartamentos. O caso também chamou a atenção para a importância da instalação de redes de proteção em janelas, sacadas e outras áreas elevadas.

Especialistas afirmam que as redes de proteção são equipamentos essenciais para reduzir o risco de quedas graves e fatais envolvendo crianças. A recomendação é que o dispositivo seja instalado em imóveis onde vivem ou circulam menores de idade, independentemente da idade da criança.

A pediatra Kamilla Fernandes, pós-graduada em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o risco de quedas começa ainda nos primeiros meses de vida. Segundo a médica, o perigo aumenta à medida que a criança desenvolve habilidades motoras, passa a escalar móveis e ganha autonomia para caminhar e explorar os ambientes da residência.

Foto: Arquivo Pessoal

“A tela de proteção é indispensável para quem tem crianças e pets. A partir do momento que o bebê aprende a escalar, isso inclui por volta dos 10 meses a medida já é indispensável. Risco piora quando a criança sabe andar e subir nos lugares”, destaca.

Do ponto de vista clínico, Kamilla explica que quedas de altura podem causar não apenas fraturas, mas também lesões neurológicas graves. Ela ressalta que, em muitos casos, é necessária a realização de tomografia de crânio, já que sangramentos internos podem não apresentar sintomas imediatos, dificultando a identificação da gravidade.

“Além de fraturas graves, é indispensável realizar investigação com tomografia de crânio, às vezes o sangramento dentro da cabeça da criança pode demorar para dar sintomas e então passar batido a gravidade do caso”, explicou.

A pediatra também chama atenção para o atendimento de emergência nesses casos, que deve seguir protocolos internacionais como o ATLS (Advanced Trauma Life Support). Segundo ela, o procedimento ajuda a identificar rapidamente sinais de gravidade e orientar intervenções imediatas.

“Na Medicina quando a criança cai de uma altura significativa o primeiro atendimento deve ser realizado conforme ATLS (Advanced Trauma Life Support ou Suporte Avançado de Vida no Trauma) que é um protocolo internacional capaz de identificar sinais de gravidade com precisão e intervir com segurança para que os danos sejam menores aos pacientes”, afirmou.

Kamilla reforça ainda que o tempo entre o acidente, o socorro e o diagnóstico é decisivo. “Sim, o tempo de socorro é muito importante assim como o tempo de diagnóstico e intervenção médica. Por isso todos os médicos que atendem pronto atendimento devem se profissionalizar e realizar o curso de ATLS.”

Sobre o risco em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências, a especialista afirma que a vulnerabilidade pode ser maior em alguns casos. “Sim, mas isso depende do nível de suporte, não dá para generalizar. Se a criança tem dificuldade de entender/obedecer comandos isso aumenta MUITO o risco de exposição. Falando em neurodivergência os pacientes TDAH tendem a ter uma procura maior por adrenalina em determinada fase da vida, portanto o cuidado deve ser redobrado para esse tipo de exposição”, concluiu.

Segurança

Para prevenir acidentes e reforçar a segurança dentro de apartamentos, o ideal é que redes de proteção sejam instaladas em janelas, sacadas e outros locais que representem risco para crianças. Sobre o assunto, o engenheiro civil Pedro Cristiano, técnico em eletrotécnica e pós-graduado em Gestão de Obras na Construção Civil, explica que esses equipamentos seguem a norma técnica ABNT NBR 16046, que estabelece critérios gerais para a instalação em janelas, sacadas e varandas, mas não há uma regulamentação exclusiva voltada apenas para apartamentos.

Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ele, a instalação deve respeitar tanto as orientações do fabricante quanto as características estruturais de cada edifício, já que os pontos de fixação variam conforme o tipo de construção.

“Cada prédio pode ter características construtivas diferentes (tijolo ou bloco), então a instalação precisa ser compatível com o tipo de concreto, alvenaria ou estrutura onde a rede vai ser instalada”, explicou.

Pedro afirma ainda que não há uma exigência geral de ART ou laudo técnico para todas as instalações em condomínios, embora o serviço deva ser feito por empresas especializadas. Em alguns casos, o próprio condomínio pode exigir o documento.

Do ponto de vista da engenharia, ele destaca que a responsabilidade técnica é obrigatória quando há intervenções que possam impactar a estrutura da edificação. Sobre a função das redes, o engenheiro explica que elas atuam como sistema de proteção passiva, funcionando como barreira permanente contra quedas.

“A rede de proteção é considerada uma barreira física permanente, sem depender da ação do morador para funcionar. Basicamente a função dela é reduzir o risco de acidentes”, afirmou.

Em relação aos materiais, ele aponta o polietileno como o mais utilizado em apartamentos, por sua resistência e durabilidade, enquanto o nylon e o aço galvanizado são aplicados em situações específicas. “O polietileno é o mais utilizado em apartamentos porque tem boa resistência mecânica, não absorve água e suporta melhor a exposição ao sol. O nylon tem alta resistência à tração e absorve bem impactos, mas tende a absorver umidade e pode sofrer um desgaste mais rápido e o aço galvanizado tem resistência mecânica muito superior porém são mais usados na indústria”, explicou.

Manutenção

Já o empresário Fernando Maciel, que atua na instalação de redes de proteção há 5 anos em Manaus, destaca que os pontos de fixação são definidos conforme a estrutura da parede, podendo variar entre 20 e 35 centímetros, tanto na parte superior quanto inferior da instalação, para garantir segurança sem comprometer a estrutura do imóvel.

Foto: Fernando Maciel/Arquivo Pessoal

Maciel também chama atenção para a falta de manutenção após a instalação, o que pode comprometer a segurança com o passar dos anos.

“Muitos esquecem de fazer a verificação, por exemplo, eu dou um ano, um ano e meio de garantia, mas eu falo, olha, a durabilidade é mais de 5 anos, entre 4 anos, 3, 4 anos, dá uma verificada na tela, vê se está puindo alguma coisa, principalmente a corda de amarração, dê uma olhada nos ganchos, verifica como é que está, todo dia, mas uma vez na semana, chegue na tela, empurre para frente e para trás, vê como é que está a situação dela, justamente é uma manutenção em que o próprio proprietário tem que verificar”, explicou.

Foto: Fernando Maciel/Arquivo Pessoal

Segundo ele, muitos problemas só são percebidos quando o material já está bastante comprometido.

“Às vezes tem clientes que chega, ah, não, eu só quero trocar a tela, quando a gente chega lá, todos os ganchos já estão enferrujados, já estão quebrados, as buchas já estão ressecadas, são ganchos que já estão lá há 8 anos, há 10 anos, entendeu, e eles não querem que troque, porque às vezes muda o valor”, finalizou.

Dados

Dados do Ministério da Saúde, por meio do DATASUS, mostram que as quedas estão entre os principais acidentes envolvendo crianças no Brasil e representam a maior parte das ocorrências dentro do ambiente doméstico.

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