Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Mudanças climáticas ameaçam conhecimento indígena na Amazônia, diz estudo

A Amazônia pode enfrentar nas próximas décadas uma perda significativa de espécies vegetais e do conhecimento tradicional acumulado por povos indígenas ao longo de milhares de anos. É o que aponta o estudo “The Forest of Knowledge Under Global Change” (“A Floresta do Conhecimento em Meio às Mudanças Globais”), publicado na quarta-feira (8) na revista científica Nature e liderado pelos pesquisadores Rodrigo Cámara-Leret, Patrick R. Roehrdanz e Jordi Bascompte.

Os pesquisadores reuniram um banco de dados com 90.536 registros publicados entre 1504 e 2023, documentando o uso de plantas amazônicas por povos indígenas e comunidades tradicionais em toda a bacia amazônica. A análise mostrou que essas populações utilizam 5.796 espécies de plantas nativas, o equivalente a aproximadamente um terço de toda a flora conhecida da região.

Segundo os modelos climáticos utilizados na pesquisa, mais de 30% dessas espécies poderão deixar de existir localmente em territórios indígenas entre 2060 e 2080, dependendo do cenário de aquecimento global. Além da perda da biodiversidade, os pesquisadores estimam que a extinção de línguas indígenas poderá resultar na perda do conhecimento tradicional documentado sobre os usos de plantas da região.

“Localmente, as culturas indígenas podem perder, em média, de 28% a 34% das espécies vegetais que utilizam e de 18% a 23% dos serviços ecossistêmicos associados devido às mudanças climáticas. Regionalmente, a perda de línguas indígenas ameaçadas pode resultar em uma redução de 26% no acervo de conhecimento amazônico. De modo geral, nossos resultados apontam para a forte vulnerabilidade do patrimônio biocultural amazônico às mudanças climáticas e linguísticas”, diz trecho do estudo.

Desmatamento pode agravar o cenário

Os autores do estudo afirmam que as projeções apresentadas provavelmente são conservadoras, já que os modelos não incluíram os impactos combinados do desmatamento, das queimadas, da mineração e de outros fatores de degradação ambiental que já pressionam a floresta amazônica.

Segundo os pesquisadores, essas ameaças atuam de forma simultânea e podem acelerar a perda tanto das espécies quanto do conhecimento tradicional associado a elas. Na avaliação dos autores, o desmatamento reduz áreas de floresta primária, fragmenta habitats e dificulta a sobrevivência de espécies utilizadas pelas comunidades amazônicas para alimentação, medicina tradicional, construção, artesanato e práticas culturais.

A destruição da floresta também afeta diretamente os povos indígenas, que dependem desses recursos naturais para manter seus modos de vida e transmitir conhecimentos entre gerações.

Patrimônio cultural em risco

Os pesquisadores identificaram informações envolvendo 243 povos indígenas, registradas em 156 línguas indígenas vivas. Desse total, mais da metade das línguas já está ameaçada de extinção.

Outro dado apontado pelo estudo é que 74% dos conhecimentos registrados sobre plantas pertencem exclusivamente a um único povo indígena, o que significa que, caso determinada cultura ou idioma desapareça, grande parte desse conhecimento pode ser perdida definitivamente.

Entre os principais usos registrados das plantas amazônicas estão medicina tradicional, alimentação, construção, fabricação de utensílios, produção de fibras, rituais culturais e produção de corantes e artesanato.


Leia mais

Estudo liga desemprego a desmatamento na Amazônia

Amazonas vira destaque nacional por redução no desmatamento em 2025


Plantas usadas por comunidades são mais vulneráveis

Um dos resultados do estudo mostra que as plantas utilizadas pelos povos amazônicos são mais vulneráveis às mudanças climáticas do que espécies sem uso conhecido. Em alguns cenários analisados, a redução na distribuição dessas espécies ocorre de forma mais intensa por estarem amplamente presentes em áreas onde o aumento da temperatura e as alterações no regime de chuvas serão mais severos.

Isso significa que comunidades poderão perder acesso a alimentos, remédios naturais e outros recursos essenciais antes da extinção completa dessas espécies.

Pesquisadores defendem integração entre ciência e saberes indígenas

Os autores do estudo defendem que políticas públicas voltadas apenas para a conservação da biodiversidade não serão suficientes. Segundo eles, proteger a Amazônia exige também fortalecer os povos indígenas, preservar suas línguas e valorizar seus conhecimentos tradicionais.

O estudo recomenda maior integração entre ciência, conservação ambiental e saberes indígenas, além de ações coordenadas entre os países amazônicos para reduzir os impactos das mudanças climáticas e conter o avanço da degradação ambiental.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

A Amazônia pode enfrentar nas próximas décadas uma perda significativa de espécies vegetais e do conhecimento tradicional acumulado por povos indígenas ao longo de milhares de anos. É o que aponta o estudo “The Forest of Knowledge Under Global Change” (“A Floresta do Conhecimento em Meio às Mudanças Globais”), publicado na quarta-feira (8) na revista científica Nature e liderado pelos pesquisadores Rodrigo Cámara-Leret, Patrick R. Roehrdanz e Jordi Bascompte.

Os pesquisadores reuniram um banco de dados com 90.536 registros publicados entre 1504 e 2023, documentando o uso de plantas amazônicas por povos indígenas e comunidades tradicionais em toda a bacia amazônica. A análise mostrou que essas populações utilizam 5.796 espécies de plantas nativas, o equivalente a aproximadamente um terço de toda a flora conhecida da região.

Segundo os modelos climáticos utilizados na pesquisa, mais de 30% dessas espécies poderão deixar de existir localmente em territórios indígenas entre 2060 e 2080, dependendo do cenário de aquecimento global. Além da perda da biodiversidade, os pesquisadores estimam que a extinção de línguas indígenas poderá resultar na perda do conhecimento tradicional documentado sobre os usos de plantas da região.

“Localmente, as culturas indígenas podem perder, em média, de 28% a 34% das espécies vegetais que utilizam e de 18% a 23% dos serviços ecossistêmicos associados devido às mudanças climáticas. Regionalmente, a perda de línguas indígenas ameaçadas pode resultar em uma redução de 26% no acervo de conhecimento amazônico. De modo geral, nossos resultados apontam para a forte vulnerabilidade do patrimônio biocultural amazônico às mudanças climáticas e linguísticas”, diz trecho do estudo.

Desmatamento pode agravar o cenário

Os autores do estudo afirmam que as projeções apresentadas provavelmente são conservadoras, já que os modelos não incluíram os impactos combinados do desmatamento, das queimadas, da mineração e de outros fatores de degradação ambiental que já pressionam a floresta amazônica.

Segundo os pesquisadores, essas ameaças atuam de forma simultânea e podem acelerar a perda tanto das espécies quanto do conhecimento tradicional associado a elas. Na avaliação dos autores, o desmatamento reduz áreas de floresta primária, fragmenta habitats e dificulta a sobrevivência de espécies utilizadas pelas comunidades amazônicas para alimentação, medicina tradicional, construção, artesanato e práticas culturais.

A destruição da floresta também afeta diretamente os povos indígenas, que dependem desses recursos naturais para manter seus modos de vida e transmitir conhecimentos entre gerações.

Patrimônio cultural em risco

Os pesquisadores identificaram informações envolvendo 243 povos indígenas, registradas em 156 línguas indígenas vivas. Desse total, mais da metade das línguas já está ameaçada de extinção.

Outro dado apontado pelo estudo é que 74% dos conhecimentos registrados sobre plantas pertencem exclusivamente a um único povo indígena, o que significa que, caso determinada cultura ou idioma desapareça, grande parte desse conhecimento pode ser perdida definitivamente.

Entre os principais usos registrados das plantas amazônicas estão medicina tradicional, alimentação, construção, fabricação de utensílios, produção de fibras, rituais culturais e produção de corantes e artesanato.


Leia mais

Estudo liga desemprego a desmatamento na Amazônia

Amazonas vira destaque nacional por redução no desmatamento em 2025


Plantas usadas por comunidades são mais vulneráveis

Um dos resultados do estudo mostra que as plantas utilizadas pelos povos amazônicos são mais vulneráveis às mudanças climáticas do que espécies sem uso conhecido. Em alguns cenários analisados, a redução na distribuição dessas espécies ocorre de forma mais intensa por estarem amplamente presentes em áreas onde o aumento da temperatura e as alterações no regime de chuvas serão mais severos.

Isso significa que comunidades poderão perder acesso a alimentos, remédios naturais e outros recursos essenciais antes da extinção completa dessas espécies.

Pesquisadores defendem integração entre ciência e saberes indígenas

Os autores do estudo defendem que políticas públicas voltadas apenas para a conservação da biodiversidade não serão suficientes. Segundo eles, proteger a Amazônia exige também fortalecer os povos indígenas, preservar suas línguas e valorizar seus conhecimentos tradicionais.

O estudo recomenda maior integração entre ciência, conservação ambiental e saberes indígenas, além de ações coordenadas entre os países amazônicos para reduzir os impactos das mudanças climáticas e conter o avanço da degradação ambiental.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Show solidário arrecada alimentos para famílias afetadas pela estiagem no Amazonas

O cantor amazonense Filho do Piseiro será a principal atração do Amazonas Solidário, evento marcado para o próximo dia 6/11, às 19h, no Sambódromo...

Multas somam R$ 8,5 milhões durante proibição de uso do fogo no AM

As multas aplicadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) somaram R$ 8,5 milhões durante o período de proibição do uso do fogo...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Marcelo Ramos segue estratégia de Janones para ganhar espaço no Amazonas

Nos últimos dias, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) tem adotado uma estratégia de comunicação nas redes sociais semelhante à utilizada pelo deputado federal...

Agenda cultural em Manaus: Halloween e festas no feriado

Manaus terá um fim de semana prolongado por causa do feriado de Finados, na segunda-feira, dia 2. Confira os eventos culturais da cidade e...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Temporal deixa principais avenidas de Manaus alagadas; veja vídeos

Após vários dias de calor intenso e presença de fumaça, a chuva chegou a Manaus nesta sexta-feira (30). A partir das 10h, o temporal...

Justiça argentina determina preservação de imagens da entrada de Flávio Bolsonaro

A Justiça da Argentina determinou que o governo do presidente Javier Milei preserve as imagens das câmeras de segurança que registraram a entrada do...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Show solidário arrecada alimentos para famílias afetadas pela estiagem no Amazonas

O cantor amazonense Filho do Piseiro será a principal atração do Amazonas Solidário, evento marcado para o próximo dia 6/11, às 19h, no Sambódromo...

Multas somam R$ 8,5 milhões durante proibição de uso do fogo no AM

As multas aplicadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) somaram R$ 8,5 milhões durante o período de proibição do uso do fogo...

Marcelo Ramos segue estratégia de Janones para ganhar espaço no Amazonas

Nos últimos dias, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) tem adotado uma estratégia de comunicação nas redes sociais semelhante à utilizada pelo deputado federal...

Agenda cultural em Manaus: Halloween e festas no feriado

Manaus terá um fim de semana prolongado por causa do feriado de Finados, na segunda-feira, dia 2. Confira os eventos culturais da cidade e...

Temporal deixa principais avenidas de Manaus alagadas; veja vídeos

Após vários dias de calor intenso e presença de fumaça, a chuva chegou a Manaus nesta sexta-feira (30). A partir das 10h, o temporal...

Justiça argentina determina preservação de imagens da entrada de Flávio Bolsonaro

A Justiça da Argentina determinou que o governo do presidente Javier Milei preserve as imagens das câmeras de segurança que registraram a entrada do...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]