Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Por que comprar no Centro deixou de ser a primeira opção para muitos manauaras? Entenda

Durante décadas, quem precisava resolver qualquer assunto em Manaus inevitavelmente passava pelo Centro da cidade. Era lá que funcionavam bancos, repartições públicas, grandes lojas e parte da vida cultural da capital. Todos os dias, milhares de pessoas circulavam pela região, que concentrava boa parte da atividade econômica e administrativa do município.

Esse cenário, porém, mudou ao longo dos últimos anos. A expansão dos bairros, a chegada dos shoppings, o crescimento das compras pela internet, a saída de órgãos públicos e os impactos da pandemia de Covid-19 reduziram o fluxo de consumidores. Agora, comerciantes, especialistas e o poder público tentam devolver ao Centro o protagonismo que ele já teve.

Segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), o fluxo diário de pessoas, que chegou a cerca de 80 mil, caiu para aproximadamente 60 mil durante o período mais crítico dos últimos anos. Atualmente, a entidade estima que a circulação esteja em torno de 70 mil pessoas por dia e trabalha para recuperar o antigo patamar.

Um Centro que mudou com a cidade

O processo de transformação da região central começou antes mesmo da pandemia.

Conforme a publicação Manaus: história e arquitetura, de Otoni Mesquita, um dos fatores que contribuíram para a perda de movimento foi a retirada gradual das repartições públicas federais, estaduais e municipais que, até os anos 1990, atraíam milhares de pessoas diariamente. A diminuição das atividades ligadas ao porto e a redução da presença de agências bancárias também reduziram a circulação na região.

O esvaziamento também ocorreu no âmbito imobiliário e político. O arquiteto Roberto Moita observa que, ao longo dos últimos 30 anos, o Centro perdeu poder econômico, político e residencial.

Roberto Moita – arquiteto (Foto: Acervo pessoal)

“Primeiro foi embora o Executivo, depois o Legislativo e por último o Judiciário. Ao mesmo tempo, ocorreu esse processo de esvaziamento de moradia, na medida em que também não havia novos lançamentos imobiliários.”

A descentralização dos serviços públicos coincidiu com o fortalecimento do comércio nos bairros e a expansão dos shoppings centers, que passaram a oferecer estacionamento, climatização e maior comodidade aos consumidores. Nos últimos anos, o crescimento do comércio eletrônico acelerou ainda mais essa mudança de comportamento.

Os números mostram sinais de recuperação

Apesar das perdas, o comércio vê sinais de retomada. Segundo Ralph Assayag, presidente da CDL Manaus, há cerca de três anos o Centro sofreu um dos momentos mais difíceis da sua história recente.

Durante a pandemia de Covid-19, aproximadamente 20% das lojas encerraram as atividades, provocando a perda de cerca de 3 mil empregos na região.

Hoje, de acordo com o dirigente, o cenário começa a mudar. A CDL utiliza dados do monitoramento da bilhetagem eletrônica do transporte coletivo para acompanhar a movimentação diária de pessoas no Centro.

O levantamento aponta que o fluxo passou de aproximadamente 60 mil para 70 mil pessoas por dia. A meta, segundo Assayag, é voltar ao patamar de 80 mil. Essa recuperação também aparece nas pesquisas de intenção de compra.

Antes da pandemia, os shoppings concentravam cerca de 60% da preferência dos consumidores, enquanto o Centro registrava aproximadamente 30%. Os levantamentos mais recentes mostram o Centro com 40% da preferência, os shoppings com 50% e o comércio dos bairros com 10%.

Ralph Assayag – presidente da CDL Manaus

A voz da população

As mudanças também são percebidas por quem utiliza a região. Para a estudante de Farmácia Michelle Souza, de 34 anos, o Centro continua sendo a melhor opção quando o assunto é variedade e preço.

Michelle Souza (Foto: Acervo pessoal)

“Ainda prefiro fazer compras no Centro porque, na maioria das vezes, encontro preços melhores e maior variedade de produtos. Quando procuro algo específico, tenho mais opções para comparar. Muita coisa mudou: hoje existem shoppings e comércios em praticamente todos os bairros, então muitas pessoas não precisam mais ir ao Centro. Mesmo assim, continuo frequentando pela variedade e pelos preços. Acredito que a região perdeu movimento, tanto pelo crescimento do comércio nos bairros quanto pelo medo da falta de segurança. Investir mais em segurança, organização, limpeza e infraestrutura ajudaria a trazer os consumidores de volta.”

Já para a enfermeira Eliana Damasceno, a praticidade passou a pesar mais do que os preços encontrados na região.

“Meu tempo é curto, pois trabalho em um pronto-socorro. Ter que ir ao Centro da cidade no meu dia de folga é algo desmotivante, quando penso no calor e no risco de assaltos, prefiro comprar on-line. Voltar a fazer todas as compras no Centro é impossível. Além dos fatores citados, não tenho disponibilidade suficiente, mas há coisas que inevitavelmente precisamos resolver lá. A praticidade é o principal motivo, além da falta de estacionamento nos locais onde eu gostaria de ir. Algumas lojas fazem entrega em domicílio e isso facilita bastante.”

Eliana Damasceno (Foto: Acervo pessoal)

Leia mais

União inclui terreno no Centro de Manaus para projetos do Minha Casa, Minha Vida Entidades

Roubo a comércios de Manaus teve queda de mais de 62%, diz SSP-AM


Diagnóstico técnico: os fatores do esvaziamento

Na avaliação de especialistas e representantes do comércio, não existe uma única explicação para a redução do fluxo de consumidores. Entre os principais fatores estão:

Comércio e bairros: a expansão de opções comerciais descentralizadas reduziu a dependência do Centro, embora a região mantenha apelo popular relevante.

Segurança e vulnerabilidade: a presença de população em situação de rua e ocorrências pontuais em áreas específicas geraram sensação de vulnerabilidade. Ralf Assayag afirma que a atuação conjunta com a Prefeitura e as forças de segurança, incluindo a ampliação do efetivo da Polícia Militar de 30 para 100 policiais, o aumento de viaturas e motocicletas e o reforço da Guarda Municipal, já mostra impactos positivos na percepção de ordem pública.

Conforto urbano, clima e mobilidade: calor intenso, calçadas em condições precárias em trechos específicos, escassez de vagas de estacionamento e custo do transporte público influenciam a decisão de evitar o trajeto até o Centro.

Novos hábitos digitais: o avanço das compras pela internet e a entrega em domicílio substituíram parte das transações presenciais, sobretudo para consumidores com pouco tempo disponível.

Perspectivas de revitalização

O Centro de Manaus segue diante do desafio de se adaptar aos novos hábitos de consumo digital, ao mesmo tempo em que busca valorizar seu patrimônio histórico, arquitetônico e cultural para reconquistar a rotina dos manauaras.

Apesar dos desafios, especialistas e lideranças comerciais veem espaço para transformação.

Roberto Moita destaca que o Centro segue desempenhando papel relevante como polo comercial e destino turístico, com hotéis tradicionais, restaurantes e expansão de bares voltados ao público jovem. Para consolidar essa retomada, o arquiteto aponta como necessárias a melhoria da zeladoria urbana, a preservação do patrimônio e a atração de investimentos privados voltados à habitação, hotelaria e locação por temporada.

Ralph Assayag detalha que o diálogo com a administração municipal, com envolvimento de secretarias e projetos de requalificação urbana nas ruas Ferreira Pena, Tamaracá e entorno, prevê redesenhar calçadões em vias transitáveis, criar áreas de convivência e gastronomia e implementar equipamentos de apoio social, como albergues noturnos e casas de passagem.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

Durante décadas, quem precisava resolver qualquer assunto em Manaus inevitavelmente passava pelo Centro da cidade. Era lá que funcionavam bancos, repartições públicas, grandes lojas e parte da vida cultural da capital. Todos os dias, milhares de pessoas circulavam pela região, que concentrava boa parte da atividade econômica e administrativa do município.

Esse cenário, porém, mudou ao longo dos últimos anos. A expansão dos bairros, a chegada dos shoppings, o crescimento das compras pela internet, a saída de órgãos públicos e os impactos da pandemia de Covid-19 reduziram o fluxo de consumidores. Agora, comerciantes, especialistas e o poder público tentam devolver ao Centro o protagonismo que ele já teve.

Segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), o fluxo diário de pessoas, que chegou a cerca de 80 mil, caiu para aproximadamente 60 mil durante o período mais crítico dos últimos anos. Atualmente, a entidade estima que a circulação esteja em torno de 70 mil pessoas por dia e trabalha para recuperar o antigo patamar.

Um Centro que mudou com a cidade

O processo de transformação da região central começou antes mesmo da pandemia.

Conforme a publicação Manaus: história e arquitetura, de Otoni Mesquita, um dos fatores que contribuíram para a perda de movimento foi a retirada gradual das repartições públicas federais, estaduais e municipais que, até os anos 1990, atraíam milhares de pessoas diariamente. A diminuição das atividades ligadas ao porto e a redução da presença de agências bancárias também reduziram a circulação na região.

O esvaziamento também ocorreu no âmbito imobiliário e político. O arquiteto Roberto Moita observa que, ao longo dos últimos 30 anos, o Centro perdeu poder econômico, político e residencial.

Roberto Moita – arquiteto (Foto: Acervo pessoal)

“Primeiro foi embora o Executivo, depois o Legislativo e por último o Judiciário. Ao mesmo tempo, ocorreu esse processo de esvaziamento de moradia, na medida em que também não havia novos lançamentos imobiliários.”

A descentralização dos serviços públicos coincidiu com o fortalecimento do comércio nos bairros e a expansão dos shoppings centers, que passaram a oferecer estacionamento, climatização e maior comodidade aos consumidores. Nos últimos anos, o crescimento do comércio eletrônico acelerou ainda mais essa mudança de comportamento.

Os números mostram sinais de recuperação

Apesar das perdas, o comércio vê sinais de retomada. Segundo Ralph Assayag, presidente da CDL Manaus, há cerca de três anos o Centro sofreu um dos momentos mais difíceis da sua história recente.

Durante a pandemia de Covid-19, aproximadamente 20% das lojas encerraram as atividades, provocando a perda de cerca de 3 mil empregos na região.

Hoje, de acordo com o dirigente, o cenário começa a mudar. A CDL utiliza dados do monitoramento da bilhetagem eletrônica do transporte coletivo para acompanhar a movimentação diária de pessoas no Centro.

O levantamento aponta que o fluxo passou de aproximadamente 60 mil para 70 mil pessoas por dia. A meta, segundo Assayag, é voltar ao patamar de 80 mil. Essa recuperação também aparece nas pesquisas de intenção de compra.

Antes da pandemia, os shoppings concentravam cerca de 60% da preferência dos consumidores, enquanto o Centro registrava aproximadamente 30%. Os levantamentos mais recentes mostram o Centro com 40% da preferência, os shoppings com 50% e o comércio dos bairros com 10%.

Ralph Assayag – presidente da CDL Manaus

A voz da população

As mudanças também são percebidas por quem utiliza a região. Para a estudante de Farmácia Michelle Souza, de 34 anos, o Centro continua sendo a melhor opção quando o assunto é variedade e preço.

Michelle Souza (Foto: Acervo pessoal)

“Ainda prefiro fazer compras no Centro porque, na maioria das vezes, encontro preços melhores e maior variedade de produtos. Quando procuro algo específico, tenho mais opções para comparar. Muita coisa mudou: hoje existem shoppings e comércios em praticamente todos os bairros, então muitas pessoas não precisam mais ir ao Centro. Mesmo assim, continuo frequentando pela variedade e pelos preços. Acredito que a região perdeu movimento, tanto pelo crescimento do comércio nos bairros quanto pelo medo da falta de segurança. Investir mais em segurança, organização, limpeza e infraestrutura ajudaria a trazer os consumidores de volta.”

Já para a enfermeira Eliana Damasceno, a praticidade passou a pesar mais do que os preços encontrados na região.

“Meu tempo é curto, pois trabalho em um pronto-socorro. Ter que ir ao Centro da cidade no meu dia de folga é algo desmotivante, quando penso no calor e no risco de assaltos, prefiro comprar on-line. Voltar a fazer todas as compras no Centro é impossível. Além dos fatores citados, não tenho disponibilidade suficiente, mas há coisas que inevitavelmente precisamos resolver lá. A praticidade é o principal motivo, além da falta de estacionamento nos locais onde eu gostaria de ir. Algumas lojas fazem entrega em domicílio e isso facilita bastante.”

Eliana Damasceno (Foto: Acervo pessoal)

Leia mais

União inclui terreno no Centro de Manaus para projetos do Minha Casa, Minha Vida Entidades

Roubo a comércios de Manaus teve queda de mais de 62%, diz SSP-AM


Diagnóstico técnico: os fatores do esvaziamento

Na avaliação de especialistas e representantes do comércio, não existe uma única explicação para a redução do fluxo de consumidores. Entre os principais fatores estão:

Comércio e bairros: a expansão de opções comerciais descentralizadas reduziu a dependência do Centro, embora a região mantenha apelo popular relevante.

Segurança e vulnerabilidade: a presença de população em situação de rua e ocorrências pontuais em áreas específicas geraram sensação de vulnerabilidade. Ralf Assayag afirma que a atuação conjunta com a Prefeitura e as forças de segurança, incluindo a ampliação do efetivo da Polícia Militar de 30 para 100 policiais, o aumento de viaturas e motocicletas e o reforço da Guarda Municipal, já mostra impactos positivos na percepção de ordem pública.

Conforto urbano, clima e mobilidade: calor intenso, calçadas em condições precárias em trechos específicos, escassez de vagas de estacionamento e custo do transporte público influenciam a decisão de evitar o trajeto até o Centro.

Novos hábitos digitais: o avanço das compras pela internet e a entrega em domicílio substituíram parte das transações presenciais, sobretudo para consumidores com pouco tempo disponível.

Perspectivas de revitalização

O Centro de Manaus segue diante do desafio de se adaptar aos novos hábitos de consumo digital, ao mesmo tempo em que busca valorizar seu patrimônio histórico, arquitetônico e cultural para reconquistar a rotina dos manauaras.

Apesar dos desafios, especialistas e lideranças comerciais veem espaço para transformação.

Roberto Moita destaca que o Centro segue desempenhando papel relevante como polo comercial e destino turístico, com hotéis tradicionais, restaurantes e expansão de bares voltados ao público jovem. Para consolidar essa retomada, o arquiteto aponta como necessárias a melhoria da zeladoria urbana, a preservação do patrimônio e a atração de investimentos privados voltados à habitação, hotelaria e locação por temporada.

Ralph Assayag detalha que o diálogo com a administração municipal, com envolvimento de secretarias e projetos de requalificação urbana nas ruas Ferreira Pena, Tamaracá e entorno, prevê redesenhar calçadões em vias transitáveis, criar áreas de convivência e gastronomia e implementar equipamentos de apoio social, como albergues noturnos e casas de passagem.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Incêndio florestal na BR-319 mobiliza bombeiros

Um incêndio florestal mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) desde a tarde de sábado (19/9), em um trecho da BR-319...

El Niño pode levar rios da Amazônia a repetir calor extremo e mortandade de botos

O fortalecimento do El Niño coloca a fauna aquática da Amazônia novamente diante de um cenário de alerta. O fenômeno climático pode contribuir para...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Boto-cor-de-rosa é resgatado após ficar encalhado no Rio Solimões no AM

Um boto-cor-de-rosa foi resgatado após ficar encalhado em uma área rasa do Rio Solimões, próximo à comunidade Ilha do Porto Américo, em Santo Antônio...

Lívia Christina é anunciada como nova Cunhã-Poranga do Boi Garantido

O Boi-Bumbá Garantido anunciou neste sábado (19) Lívia Christina como a nova Cunhã-Poranga do boi vermelho e branco. A mudança marca uma nova etapa...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Imagens falsas e enquetes irregulares são alvo da Justiça Eleitoral no AM

Em pouco mais de um mês, 84 conteúdos publicados nas redes sociais entraram no radar da Justiça Eleitoral do Amazonas por suspeita de irregularidades. O...

Funai abre processo seletivo com 807 vagas e salários de até R$ 7,6 mil

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) abriu processo seletivo para contratar temporariamente 807 profissionais em todo o país, sendo 105 vagas destinadas ao...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Incêndio florestal na BR-319 mobiliza bombeiros

Um incêndio florestal mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) desde a tarde de sábado (19/9), em um trecho da BR-319...

El Niño pode levar rios da Amazônia a repetir calor extremo e mortandade de botos

O fortalecimento do El Niño coloca a fauna aquática da Amazônia novamente diante de um cenário de alerta. O fenômeno climático pode contribuir para...

Boto-cor-de-rosa é resgatado após ficar encalhado no Rio Solimões no AM

Um boto-cor-de-rosa foi resgatado após ficar encalhado em uma área rasa do Rio Solimões, próximo à comunidade Ilha do Porto Américo, em Santo Antônio...

Lívia Christina é anunciada como nova Cunhã-Poranga do Boi Garantido

O Boi-Bumbá Garantido anunciou neste sábado (19) Lívia Christina como a nova Cunhã-Poranga do boi vermelho e branco. A mudança marca uma nova etapa...

Imagens falsas e enquetes irregulares são alvo da Justiça Eleitoral no AM

Em pouco mais de um mês, 84 conteúdos publicados nas redes sociais entraram no radar da Justiça Eleitoral do Amazonas por suspeita de irregularidades. O...

Funai abre processo seletivo com 807 vagas e salários de até R$ 7,6 mil

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) abriu processo seletivo para contratar temporariamente 807 profissionais em todo o país, sendo 105 vagas destinadas ao...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]