Trabalhadores do comércio foram ouvidos pela Rede Onda Digital na manhã desta quinta-feira (15/10), no Centro de Manaus sobre o fim da escala 6×1. Após a aprovação da proposta pelo Senado Federal na quarta-feira (14), parte dos entrevistados destacou a expectativa de ter mais tempo para descansar, cuidar da família e resolver compromissos pessoais. Outra trabalhadora, porém, demonstrou preocupação com possíveis impactos na remuneração.
A vendedora Antônia Alves afirmou que ter apenas um dia de folga é insuficiente para descansar e cumprir as tarefas domésticas. Apesar das dificuldades, ela não acredita que um dia adicional de descanso mudaria significativamente sua rotina.
“Só um dia não dá para fazer nada. Não dá nem para descansar também, que tem a rotina da casa”, relatou.
Já a operadora de caixa Rose Oliveira vê a possibilidade de mais tempo livre como uma oportunidade de melhorar a convivência familiar e resolver questões que atualmente precisam ser adiadas.
“Dá para a gente resolver bastante coisa, dá para aproveitar mais a família, curtir mais a família, passear, que é o que a gente não tem. Isso somente nas férias mesmo”, afirmou.
Vendedora teme perder renda com mudança
Em posição diferente dos demais entrevistados, a vendedora Maxeline da Silva afirmou que o fim da escala 6×1 pode beneficiar outros trabalhadores, mas não necessariamente quem recebe por comissão, como é o caso dela.
“Para mim, não é muita vantagem, mas para as outras pessoas que trabalham em outras empresas, de segunda a sexta, é mais vantagem”, avaliou.
Segundo Maxeline, sua remuneração depende das vendas realizadas, o que faz com que mais dias de folga possam representar uma preocupação financeira.
“Se eu folgar vários dias, a gente ganha por comissão, não tem condições para nós, porque nós não ganhamos só um salário”, disse.
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A operadora de caixa Daniele Souza, por outro lado, discordou parcialmente dessa avaliação. Para ela, trabalhadores que recebem metas também precisam de mais tempo para cuidar da vida pessoal, independentemente da função exercida.
“Eu não concordo com essa escala seis por um, porque a gente não tem tempo para cuidar da nossa vida também”, afirmou.
Mãe de uma menina de nove anos, Daniele relatou dificuldades para conciliar o trabalho com os cuidados da filha e compromissos médicos. Ela disse que depende da ajuda da própria mãe para cuidar da criança enquanto trabalha.
“Eu passo a maior parte do tempo fora trabalhando. E eu não posso deixar uma criança de nove anos sozinha em casa”, relatou.
Mais tempo para os filhos e tarefas domésticas
A vendedora Graziele Cardoso Campos também defendeu a ampliação do descanso. Segundo ela, a rotina de trabalho faz com que muitas responsabilidades fiquem acumuladas para o único dia de folga.
“O domingo é o único dia que tem para a gente folgar, então a gente acaba acumulando, deixando o que tem para fazer só no domingo mesmo”, afirmou.
Para Graziele, um dia adicional de descanso permitiria dedicar mais tempo aos filhos e às tarefas de casa.
“Ia dar mais atenção para os filhos, para a casa e tudo mais”, disse.
Transição da escala 6×1
O fim da escala 6×1 poderá começar a valer 60 dias após a promulgação da emenda constitucional pelo Congresso Nacional. A proposta, aprovada pelo Senado em dois turnos na quarta-feira (14), ainda precisa ser promulgada e publicada oficialmente para que o prazo comece a contar.
A transição será dividida em duas etapas. Na primeira, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, e os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana. Após 14 meses da promulgação, o limite passará para 40 horas semanais, com jornada diária de até oito horas.
A proposta prevê a redução da jornada sem corte salarial, inclusive dos pisos das categorias. Durante a transição, as empresas deverão adaptar as escalas de trabalho às novas regras, respeitando os limites de jornada e descanso.
A distribuição dos dias trabalhados e das folgas poderá variar conforme a atividade profissional e os acordos e convenções coletivas, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos pela emenda. A data de início da mudança dependerá da promulgação oficial do texto.
