O vazamento de gás estireno ocorrido em uma fábrica do Distrito Industrial de Manaus na tarde da última quarta-feira (15) já provocou 414 atendimentos médicos na capital amazonense, conforme balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O incidente, que ainda está sendo monitorado pelo Gabinete de Crise montado pela prefeitura, deixou dois pacientes internados, sendo um deles em UTI.
Um óbito foi registrado no período, mas a morte está sendo investigada para apurar se há relação com a exposição ao gás.
Do total de pessoas que buscaram assistência desde o início do vazamento até as 15h desta sexta-feira (17), a rede pública de saúde atendeu 157 casos em prontos-socorros e serviços de pronto atendimento. A rede hospitalar particular registrou 200 atendimentos, enquanto as unidades municipais de Atenção Primária contabilizaram 57 ocorrências. A maioria dos pacientes apresentou sintomas leves, como ardência nos olhos e desconforto respiratório, e já recebeu alta.
A titular da Diretoria de Vigilância Ambiental, Epidemiológica, Zoonoses e Saúde do Trabalhador, Marinélia Ferreira, informou que as áreas técnicas da Semsa acompanham os desdobramentos do vazamento de gás desde as primeiras horas, aplicando protocolos de vigilância em saúde e analisando cenários para tomada de decisões. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência realizou sete remoções de vítimas que estavam próximas ao centro da ocorrência, e as equipes permanecem em prontidão.
O Ministério da Saúde também foi acionado e participa do monitoramento do caso. Técnicos da pasta e da Semsa realizaram reunião virtual para trocar informações sobre a situação local e as condutas adotadas. A secretaria municipal apresentou os números e as medidas de contenção, além de reforçar a necessidade de registro adequado dos casos de intoxicação nos sistemas oficiais.
A prefeitura elaborou dois documentos para orientar a população e os profissionais de saúde: uma Nota Técnica, produzida logo após o início do vazamento, e um Alerta de Risco de Intoxicação por Exposição ao Estireno, emitido pelo Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde no dia seguinte ao acidente. Ambos estão disponíveis no site da Semsa.
Entre as recomendações à população, a Semsa orienta que moradores de áreas próximas ao vazamento mantenham portas e janelas fechadas e desliguem aparelhos que tragam ar externo para dentro de casa. Em áreas com forte odor químico, a orientação é se afastar em direção contrária à nuvem de gás. Motoristas devem manter os vidros fechados e desligar a entrada de ar externo dos veículos. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas devem ser retiradas prioritariamente das regiões afetadas pelo vazamento de gás.
Como o estireno é inflamável, a recomendação é não acender fósforos, cigarros ou velas em locais com forte odor. Os sintomas mais comuns da intoxicação incluem ardência nos olhos, irritação no nariz e garganta, tosse, falta de ar, chiado no peito, dor de cabeça, tontura e náuseas. Em casos mais graves, podem ocorrer desmaios ou piora respiratória horas após a exposição.
A Semsa alerta que pessoas com sintomas leves devem procurar a unidade de saúde mais próxima e informar sobre a possível exposição ao estireno. Casos de falta de ar, dor no peito ou alteração da consciência exigem acionamento imediato do Samu pelo número 192.
