O Ministério da Saúde vai encaminhar à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) a proposta para incluir o cabotegravir, medicamento injetável de longa duração usado na prevenção do HIV, na rede pública. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27/7) pelo ministro Alexandre Padilha, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.
Antes de uma eventual oferta pelo SUS, a Conitec deverá avaliar critérios como eficácia, segurança, custo-benefício e impacto orçamentário. O cabotegravir é utilizado na profilaxia pré-exposição ao HIV, conhecida como PrEP, e poderá ampliar as alternativas disponíveis para pessoas com maior risco de contrair o vírus.
Diferentemente da PrEP oral oferecida atualmente pelo SUS, que exige o uso frequente de comprimidos, o novo medicamento é aplicado por via intramuscular. As duas primeiras doses são administradas com intervalo de quatro semanas e, depois, as aplicações ocorrem a cada dois meses, facilitando a adesão de pessoas que enfrentam dificuldades para manter o tratamento diário.
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O cabotegravir foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 para adultos e adolescentes com mais de 12 anos e peso mínimo de 35 quilos, como parte de uma estratégia de prevenção combinada. A aprovação sanitária, porém, não garante automaticamente a incorporação ao sistema público.
Padilha informou que o governo negociou um preço considerado adequado com a fabricante ViiV Healthcare, mas não revelou o valor nem detalhou quando o medicamento poderá começar a ser distribuído. A proposta deverá ser submetida à Conitec na próxima semana.
O ministro também criticou o preço do lenacapavir, outra opção injetável de prevenção, administrada duas vezes por ano. Segundo Padilha, a fabricante não aceitou a proposta apresentada pelo governo, que condiciona uma futura incorporação à definição de um valor compatível com a capacidade financeira do SUS.
