A morte de Valentina Nobre Lima, de 11 anos, após ser picada por um escorpião ao calçar um sapato no Distrito Federal, reacendeu o alerta para os riscos do envenenamento por esses animais, especialmente entre crianças.
Após a picada, a menina recebeu soro antiescorpiônico em um hospital regional e foi transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu internada por 24 dias em coma induzido. Ela morreu no último domingo (5).
Segundo a pediatra Joelma Gonçalves Martin, da Sociedade Brasileira de Pediatria, as crianças são mais vulneráveis porque a mesma quantidade de veneno recebida por um adulto se concentra em um organismo menor.
“É um veneno extremamente agressivo. A criança recebe a mesma quantidade de veneno que um adulto, mas essa toxina se distribui em um organismo com menor peso corporal. Isso resulta em uma dose muito maior por quilo de peso do que no adulto”, explica.
A peçonha pode provocar dor intensa, suor excessivo, vômitos, alterações na pressão arterial e falta de ar. Nos casos mais graves, o envenenamento pode causar insuficiência cardíaca, edema pulmonar e choque.
Escorpiões na Amazônia
Na Amazônia, os escorpiões mais comuns não costumam representar risco de morte, mas podem provocar sintomas intensos após a picada.
Segundo o especialista em técnicas e estudos de insetos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Francisco Xavier, entre as espécies encontradas na região estão os escorpiões do gênero Brotheas amazonicus, que vêm sendo estudados por possíveis aplicações do veneno no combate a células cancerígenas, e os do gênero Tityus, conhecidos popularmente como escorpiões-negros e presentes em toda a Amazônia.
O pesquisador afirma que a expansão das áreas urbanas sobre a floresta tem aumentado o contato entre pessoas e esses animais.
Veneno pode comprometer coração, pulmões e sistema nervoso
De acordo com a pediatra, a peçonha age diretamente sobre o sistema nervoso e pode desencadear complicações graves em poucas horas. Entre os principais sintomas estão dor intensa no local da picada, taquicardia, suor excessivo, alterações na pressão arterial, falta de ar, vômitos, dor abdominal, convulsões, sonolência e redução da resposta neurológica.
Nos casos mais graves, o envenenamento pode provocar edema agudo de pulmão, insuficiência cardíaca e choque.
Leia mais
Criança de 8 anos morre vítima de picada de escorpião
Menino de 3 anos morre após picada de escorpião no norte do Paraná
Tempo para receber o soro pode fazer diferença
O tratamento mais importante é a aplicação do soro antiescorpiônico, que deve ocorrer o mais rápido possível nos casos indicados. Segundo a pediatra, um dos maiores desafios é que nem todas as unidades de saúde mantêm o soro disponível.
Enquanto o atendimento especializado não acontece, a recomendação é lavar o local da picada apenas com água e sabão, manter o membro afetado elevado e procurar imediatamente um hospital de referência. Analgésicos podem aliviar parcialmente a dor, mas não substituem o tratamento específico.
Em caso de emergência, o SAMU, pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, podem ser acionados para encaminhar o paciente a uma unidade habilitada para realizar a soroterapia.
Como prevenir acidentes com escorpiões
Como os escorpiões costumam se esconder em locais escuros e pouco movimentados, especialistas orientam alguns cuidados simples que podem evitar acidentes, principalmente com crianças:
- Sacudir sapatos, roupas e toalhas antes de usar;
- Evitar o acúmulo de entulho, madeira, tijolos e materiais de construção;
- Manter ralos, frestas e pias vedados;
- Afastar camas e berços das paredes e impedir que lençóis encostem no chão;
- Não permitir que crianças brinquem em terrenos com entulho, buracos, pedras ou vegetação densa.
O Ministério da Saúde também recomenda manter quintais limpos para evitar a proliferação de insetos, principal alimento dos escorpiões.
