O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça anunciou nesta quinta-feira (3/9) que deixará a sociedade do Instituto Iter, entidade criada em 2024 com atuação nas áreas educacional e acadêmica. Segundo nota divulgada pela assessoria do magistrado, Mendonça cederá a totalidade de suas cotas e também as da esposa, sem receber qualquer contrapartida financeira.
O ministro afirmou ainda que nunca obteve lucro com o instituto. A saída do quadro societário foi definida na quarta-feira (2), após uma conversa com o presidente da instituição, Victor Godoy.
De acordo com o comunicado, o Instituto Iter passará por uma mudança em sua estrutura e será transformado em uma entidade sem fins lucrativos, com atuação voltada a atividades sociais e educacionais.
“O ministro André Mendonça decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, cedendo a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira”, informou a nota, que acrescenta que eventuais valores relacionados às cotas permanecerão destinados integralmente a finalidades sociais e educacionais.
Vínculo
Apesar de deixar a sociedade, Mendonça não romperá completamente os vínculos com o Instituto Iter. Segundo a assessoria, o ministro continuará participando das atividades da instituição exclusivamente na condição de professor.
“Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor”, diz a nota.
A decisão ocorre em meio à repercussão de reportagens que levantaram questionamentos sobre a atuação do instituto e contratos firmados pela entidade com órgãos públicos. A assessoria de Mendonça, porém, reforçou que o ministro jamais teve lucro com o Instituto Iter.
Instituto Iter
Criado em 2024, o Instituto Iter atua com cursos, programas de capacitação e outras atividades relacionadas à educação e à formação acadêmica.
Mendonça aparece entre os fundadores da instituição. Com a saída anunciada nesta quinta-feira, ele deixa de integrar o quadro societário e passa a manter apenas o vínculo acadêmico com a entidade. A mudança também ocorre meses depois de o próprio ministro ter falado publicamente sobre a destinação dos possíveis resultados financeiros do instituto.
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Lucro e doações
Em uma pregação realizada em 10 de fevereiro deste ano, Mendonça mencionou o Instituto Iter e afirmou que havia decidido, junto com a esposa, destinar parte de eventuais lucros para ações sociais e educacionais. Na ocasião, o ministro utilizou uma passagem bíblica sobre Abraão para explicar a decisão.
“Eu, com a minha esposa, e sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será a consagração de um altar a Deus”, afirmou.
Na sequência, Mendonça declarou que pretendia destinar 10% dos possíveis lucros como dízimo e aplicar os 90% restantes em projetos sociais e educacionais. “Tudo o que vier, possivelmente, a dar de lucro e resultado. Eu vou separar 10% por dízimo e os 90% restante será investido em obras sociais e em educação”, disse.
Agora, ao anunciar sua saída da sociedade, o ministro afirma que não recebeu lucro do instituto e que suas cotas serão cedidas sem pagamento.
Alteração
Além da saída de Mendonça e de sua esposa do quadro societário, o Instituto Iter deverá ser transformado em uma organização sem fins lucrativos. Segundo a nota, a alteração pretende reforçar o caráter educacional e social da instituição.

