A Petrobras anunciou, na sexta-feira (2), uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A área fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e possui lâmina d’água de 2.886 metros, sendo classificada como de águas ultraprofundas.
A nova descoberta ocorreu após a identificação de outro intervalo com petróleo no mesmo poço, anunciada em agosto. De acordo com a estatal, o material coletado será submetido a análises laboratoriais para determinar as características do óleo e ampliar o conhecimento sobre o potencial exploratório da região.
A presença de petróleo foi confirmada por meio de registros elétricos, indícios observados nas rochas e amostras de fluidos coletadas durante a perfuração. A operação continua para avaliar as formações geológicas encontradas.
Foz do Amazonas tem potencial de bilhões de barris
A Bacia da Foz do Amazonas é considerada uma nova fronteira exploratória de petróleo e gás no Brasil. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial recuperável da bacia possa chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente — medida que reúne petróleo e gás natural.
A projeção, no entanto, não representa uma reserva já comprovada. As duas descobertas no poço Morpho também não significam que todo esse volume tenha sido encontrado ou que a exploração comercial esteja assegurada. Para isso, ainda serão necessários estudos de delimitação, avaliações econômicas e novas autorizações.
A Petrobras afirma que a exploração do bloco FZA-M-59 faz parte da estratégia de recomposição das reservas de petróleo e gás e busca contribuir para o atendimento da demanda energética brasileira no longo prazo.
Leia mais
Ibama libera três novos poços na Foz do Amazonas
MPF cobra Ibama sobre prazo de exploração de petróleo na Foz do Amazonas
Exploração divide opiniões
A perfuração do poço Morpho foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025. O projeto é defendido pela Petrobras e pelo governo federal como estratégico para a segurança energética do país, mas enfrenta críticas de ambientalistas preocupados com possíveis impactos sobre os ecossistemas marinhos.
Apesar de integrar a Bacia da Foz do Amazonas, o bloco FZA-M-59 fica a aproximadamente 540 quilômetros da desembocadura do Rio Amazonas, segundo informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia.
A descoberta ocorre em meio ao debate sobre a ampliação da produção energética brasileira e a necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental.
