Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Saiba quais são os nomes de origem indígena mais comuns entre os brasileiros

Você conhece alguém chamado Tainá, Maiara, Cauã ou Raoni? Nomes de origem indígena estão espalhados pelo Brasil e carregam muito mais do que uma sonoridade marcante: eles também contam parte da história do país.

Um estudo do professor Eduardo de Almeida Navarro, da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados retrospectivos do Censo de 2010 e identificou os nomes de origem indígena mais comuns entre os brasileiros.

Entre eles, dois se destacam e ultrapassam 100 mil registros: Tainá e Maiara.

Segundo Navarro, Tainá é uma variação de Taína, termo do nheengatu, língua de origem tupi ainda falada na região do rio Negro, no Amazonas, associado ao significado de “criança”. Já Maiara, do tupi antigo, significa “senhora das riquezas” ou “dos bens”.

Apesar da presença expressiva, os nomes indígenas ainda ficam atrás de nomes estrangeiros. Para comparação, o nome Jefferson registrou cerca de 253 mil ocorrências no Censo de 2010, quase o dobro de Tainá.

De onde veio essa moda?

A popularização dos nomes indígenas não aconteceu por acaso. Um dos principais responsáveis foi a literatura brasileira.

Romances indianistas de José de Alencar, como O Guarani e Iracema, ajudaram a levar nomes como Peri, Ceci e Moacir para além das páginas dos livros.

A escolha desses nomes também ganhou força entre as décadas de 1930 e 1960, quando referências indígenas passaram a ser utilizadas como símbolos de identidade nacional, especialmente durante a Era Vargas.

Décadas depois, outro movimento impulsionou essa tendência: o ambientalismo. A partir dos anos 1970, o aumento da preocupação mundial com a preservação ambiental contribuiu para uma nova valorização dos povos indígenas e da Amazônia. Foi nesse contexto que nomes como Raoni ganharam maior visibilidade.

Nem todo nome parece indígena

O estudo também revela uma curiosidade: nem todo nome que soa indígena realmente tem origem indígena.

Alguns foram criados ou adaptados de maneira incorreta a partir de elementos de línguas indígenas. Outros surgiram na literatura. É o caso de nomes como Jurandir e Lindoia, associados a criações literárias, enquanto Janaína, apesar da sonoridade frequentemente associada aos povos indígenas, tem origem africana.

A pesquisa mostra, assim, que os nomes próprios funcionam como uma espécie de arquivo da história brasileira. Por trás de um simples Tainá, Maiara ou Raoni podem existir influências da literatura, do nacionalismo, da cultura popular e da crescente valorização dos povos originários.

O estudo Os nomes de origem indígena dos brasileiros no século XX foi publicado em 2025 na Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, da USP.

Acesse a íntegra do estudo, publicado em 2025.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

Você conhece alguém chamado Tainá, Maiara, Cauã ou Raoni? Nomes de origem indígena estão espalhados pelo Brasil e carregam muito mais do que uma sonoridade marcante: eles também contam parte da história do país.

Um estudo do professor Eduardo de Almeida Navarro, da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados retrospectivos do Censo de 2010 e identificou os nomes de origem indígena mais comuns entre os brasileiros.

Entre eles, dois se destacam e ultrapassam 100 mil registros: Tainá e Maiara.

Segundo Navarro, Tainá é uma variação de Taína, termo do nheengatu, língua de origem tupi ainda falada na região do rio Negro, no Amazonas, associado ao significado de “criança”. Já Maiara, do tupi antigo, significa “senhora das riquezas” ou “dos bens”.

Apesar da presença expressiva, os nomes indígenas ainda ficam atrás de nomes estrangeiros. Para comparação, o nome Jefferson registrou cerca de 253 mil ocorrências no Censo de 2010, quase o dobro de Tainá.

De onde veio essa moda?

A popularização dos nomes indígenas não aconteceu por acaso. Um dos principais responsáveis foi a literatura brasileira.

Romances indianistas de José de Alencar, como O Guarani e Iracema, ajudaram a levar nomes como Peri, Ceci e Moacir para além das páginas dos livros.

A escolha desses nomes também ganhou força entre as décadas de 1930 e 1960, quando referências indígenas passaram a ser utilizadas como símbolos de identidade nacional, especialmente durante a Era Vargas.

Décadas depois, outro movimento impulsionou essa tendência: o ambientalismo. A partir dos anos 1970, o aumento da preocupação mundial com a preservação ambiental contribuiu para uma nova valorização dos povos indígenas e da Amazônia. Foi nesse contexto que nomes como Raoni ganharam maior visibilidade.

Nem todo nome parece indígena

O estudo também revela uma curiosidade: nem todo nome que soa indígena realmente tem origem indígena.

Alguns foram criados ou adaptados de maneira incorreta a partir de elementos de línguas indígenas. Outros surgiram na literatura. É o caso de nomes como Jurandir e Lindoia, associados a criações literárias, enquanto Janaína, apesar da sonoridade frequentemente associada aos povos indígenas, tem origem africana.

A pesquisa mostra, assim, que os nomes próprios funcionam como uma espécie de arquivo da história brasileira. Por trás de um simples Tainá, Maiara ou Raoni podem existir influências da literatura, do nacionalismo, da cultura popular e da crescente valorização dos povos originários.

O estudo Os nomes de origem indígena dos brasileiros no século XX foi publicado em 2025 na Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, da USP.

Acesse a íntegra do estudo, publicado em 2025.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Direita ensaia caminho diferente do bolsonarismo

A reação negativa de lideranças da direita à carta aberta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode indicar uma mudança de posicionamento de setores que,...

Secretário de Saúde do AM destaca redução de filas e expansão de atendimentos especializados

O secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luiz Alberto Saraiva, destacou os avanços e os desafios da rede pública estadual durante entrevista ao...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Manaus lidera no Brasil ranking de risco de calor extremo, aponta estudo de Oxford

Manaus é a cidade brasileira com maior risco associado ao calor extremo e ocupa a 27ª posição no ranking mundial de 205 centros urbanos...

Valdemar diz que Jair Bolsonaro não sabia da saída de Flávio do país

O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29/10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro não sabia do plano de saída...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Flávio foi para os EUA, e os aliados ficaram com a crise

A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos expôs diferentes reações dentro do próprio grupo político. Enquanto alguns aliados tentam transformar a saída do...

Roberto Cidade destaca investimentos recorde no Amazonas

O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), destacou a atração recorde de investimentos para o Estado neste ano. Ele atribui a força do...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Direita ensaia caminho diferente do bolsonarismo

A reação negativa de lideranças da direita à carta aberta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode indicar uma mudança de posicionamento de setores que,...

Secretário de Saúde do AM destaca redução de filas e expansão de atendimentos especializados

O secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luiz Alberto Saraiva, destacou os avanços e os desafios da rede pública estadual durante entrevista ao...

Manaus lidera no Brasil ranking de risco de calor extremo, aponta estudo de Oxford

Manaus é a cidade brasileira com maior risco associado ao calor extremo e ocupa a 27ª posição no ranking mundial de 205 centros urbanos...

Valdemar diz que Jair Bolsonaro não sabia da saída de Flávio do país

O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29/10) que o ex-presidente Jair Bolsonaro não sabia do plano de saída...

Flávio foi para os EUA, e os aliados ficaram com a crise

A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos expôs diferentes reações dentro do próprio grupo político. Enquanto alguns aliados tentam transformar a saída do...

Roberto Cidade destaca investimentos recorde no Amazonas

O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), destacou a atração recorde de investimentos para o Estado neste ano. Ele atribui a força do...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]