O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar a oferta de medicamentos para pacientes com doenças como Crohn, doença renal crônica, vasculites e inflamações oculares. A definição sobre a compra e o fornecimento de nove opções de tratamento ocorreu nesta quinta-feira (27/8), durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília.
As responsabilidades serão divididas entre o Ministério da Saúde e os governos estaduais, de acordo com cada medicamento. Entre as novidades está ainda a oferta de um remédio destinado ao atendimento de pessoas com intoxicação aguda por mercúrio.
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Tratamentos para vasculites e inflamações nos olhos
Para pacientes com vasculites associadas à ANCA, grupo de doenças que provoca inflamação dos vasos sanguíneos, os estados serão responsáveis pela compra da ciclofosfamida 50 mg, utilizada na fase inicial do tratamento. A estimativa é atender cerca de 1,5 mil pessoas.
Na fase de manutenção, que envolve aproximadamente 378 pacientes por ano, o Ministério da Saúde ficará responsável pela compra do rituximabe, nas apresentações de 100 mg e 500 mg, e do metotrexato injetável 25 mg/mL. A azatioprina 50 mg poderá ser utilizada como alternativa e ficará sob responsabilidade dos estados.
Crianças e adolescentes com uveíte não infecciosa sem relação com artrite infantil também terão novos tratamentos disponíveis. O Ministério da Saúde comprará diretamente metotrexato em comprimidos de 2,5 mg, com previsão de atender quase 3,3 mil jovens, além do adalimumabe 40 mg, destinado a 67 pacientes.
Doença de Crohn e doença renal
Pacientes com doença de Crohn, inflamação crônica do intestino, terão uma nova opção de tratamento. O Ministério da Saúde comprará infliximabe 120 mg para aplicação subcutânea. A nova apresentação poderá beneficiar mais de 13,5 mil pessoas com quadros moderados a graves ou complicações locais.
O investimento previsto para a aquisição do infliximabe é de até R$ 59,1 milhões.
Para pacientes com doença renal crônica em estágios mais avançados, serão destinados R$ 21,1 milhões para que as secretarias estaduais adquiram ciclossilicato de zircônio sódico 5 g. O medicamento é utilizado para controlar o excesso de potássio no sangue e deverá atender cerca de 4,8 mil pessoas.
Medicamento para intoxicação por mercúrio
Outra medida é a oferta do ácido meso-2,3-dimercaptossuccínico (DMSA), conhecido como succímero, para casos de intoxicação aguda por mercúrio. O Ministério da Saúde ficará responsável pela gestão e compra centralizada do medicamento.
A estimativa é beneficiar aproximadamente 300 pessoas por ano, com orçamento previsto de R$ 6 milhões. O medicamento já havia sido incorporado ao SUS em junho deste ano.
A intoxicação por mercúrio é especialmente relevante na Amazônia devido, entre outros fatores, à exposição relacionada ao garimpo de ouro. O medicamento atua como agente quelante, favorecendo a eliminação do metal pelo organismo.
