A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) a demissão de cerca de 3,3 mil funcionários, o equivalente a aproximadamente 10% de seu quadro de pessoal. É o maior corte promovido pela empresa desde o início da pandemia de Covid-19, e ocorre em meio aos desafios impostos pelo avanço dos robotáxis e pela crescente concorrência no setor de transporte por aplicativo.
Segundo o presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, a reestruturação tem como objetivo reduzir os níveis hierárquicos da companhia e tornar a organização mais ágil. A empresa pretende diminuir a complexidade criada durante um período de forte expansão, que, segundo o executivo, passou a dificultar a tomada de decisões.
“Uma organização mais enxuta significará responsabilidades mais claras, decisões mais rápidas e mais tempo dedicado à construção em vez da coordenação”, afirmou Khosrowshahi em comunicado aos funcionários.
O executivo também disse que a mudança deverá gerar economias a serem reinvestidas em crescimento, inovação e nas competências consideradas estratégicas para os próximos anos.
Pressão dos carros autônomos
A expansão dos robotáxis é um dos principais desafios para a Uber, que enfrenta o avanço de companhias como Waymo e Tesla, ambas ampliando os investimentos em veículos autônomos.
Leia mais
Uber Mulher passa a funcionar em todo o Brasil; veja como usar
MPF arquiva denúncia contra Bolsonaro por supostos crimes na pandemia
A Waymo, considerada a maior operadora de robotáxis dos Estados Unidos, utiliza o aplicativo da Uber para operar veículos em Austin e Atlanta, mas também vem expandindo suas operações para outros mercados sem depender da plataforma. Esse crescimento dos carros sem motorista gera preocupação porque pode reduzir a importância da Uber como intermediária entre passageiros e motoristas.
Para tentar manter espaço nesse mercado, a Uber planeja investir mais de US$ 10 bilhões em robotáxis nos próximos anos. A estratégia inclui apoiar empresas que desenvolvem sistemas de direção autônoma e posicionar a Uber como plataforma de referência para viagens realizadas por veículos sem motorista.
Mudanças na estrutura da empresa
Como parte da reestruturação, a Uber pretende reduzir em 20% o número de funcionários que estão sete ou mais níveis hierárquicos abaixo do CEO, além de cortar pela metade o número de equipes com apenas um ou dois subordinados diretos.
Algumas equipes serão integradas, enquanto uma parcela maior dos funcionários deverá ser concentrada em centros estratégicos. A empresa também pretende limitar o trabalho totalmente remoto a cerca de 1% dos funcionários, mantendo a política atual de três dias presenciais por semana nos escritórios.
Maior corte desde 2020
As demissões anunciadas nesta quarta-feira são as maiores realizadas pela Uber desde maio de 2020, quando, durante a pandemia, a queda na demanda por viagens levou a empresa a eliminar 6,7 mil postos de trabalho, cerca de um quarto de sua força de trabalho na época.
A Uber encerrou o ano passado com cerca de 34 mil funcionários em todo o mundo, segundo seu relatório anual.
As ações da Uber acumulam queda de quase 8% neste ano e tiveram desempenho inferior ao índice S&P 500 e à concorrente Lyft, em um cenário de preocupação dos investidores com o aumento da competição.
