A Anvisa autorizou o início dos testes clínicos em humanos da Vivaxin, vacina brasileira desenvolvida para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. O imunizante foi criado pelo Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (CTVacinas/UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.
A primeira fase do estudo reunirá 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que nunca tiveram malária. Os testes serão realizados no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
Os pesquisadores avaliarão três dosagens da vacina. Os participantes receberão a Vivaxin ou um placebo, em três aplicações, com intervalo de 28 dias entre cada dose. O acompanhamento durará 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento de possíveis reações.
Nesta etapa, conhecida como fase 1, o objetivo principal é verificar a segurança do imunizante, as reações provocadas pela aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica. Estudos posteriores serão necessários para determinar se a vacina é eficaz na prevenção da doença.
Vacina pode beneficiar diretamente a Amazônia
A Vivaxin foi desenvolvida para atuar contra o Plasmodium vivax, uma das espécies que representam maior ameaça à saúde humana. Atualmente, as duas vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M, são direcionadas ao Plasmodium falciparum.
Caso tenha a segurança e a eficácia comprovadas nas fases clínicas, a Vivaxin poderá tornar-se a primeira vacina contra o P. vivax. O avanço tem relevância especial para a Amazônia Legal, que concentra mais de 99% dos casos autóctones de malária registrados no Brasil.
A doença é transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Entre os sintomas mais frequentes estão febre, calafrios e dor de cabeça. Em 2024, a OMS estimou 282 milhões de casos e 610 mil mortes por malária em 80 países.
