A ausência de Roberto Cidade (União) no primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, realizado pela Band neste domingo (9), tinha, segundo a campanha, duas justificativas: uma jurídica, relacionada ao início oficial da campanha eleitoral, e outra política. A equipe avaliava que o encontro poderia se transformar em um “palanque de ataques” contra o governador e candidato à reeleição.
A nota divulgada pela campanha foi explícita ao afirmar que Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL) estariam concentrando ataques em Cidade e que o debate poderia se transformar em um “três contra um”. Na prática, foi um “quatro contra um”.
Os ataques dos adversários
Mesmo fora do palco, Cidade foi citado em diferentes momentos por diferentes adversários. As críticas passaram por saúde, segurança, gestão hospitalar, gastos públicos e pela relação do atual governo com a administração de Wilson Lima (União Brasil).
David Almeida foi um dos que mais explorou a ausência. Em determinado momento, chamou Cidade de “candidato fujão” e afirmou que ele teria herdado o governo de Wilson Lima e “acobertado” supostos maus feitos da gestão anterior. Também atribuiu aos dois governos a responsabilidade pelo que classificou como caos nos serviços públicos.
Isael Munduruku também atacou diretamente Cidade ao discutir a gestão hospitalar. Chamou o governador de “fujão”, relacionou sua administração aos problemas herdados de Wilson Lima e citou escândalos envolvendo a área da saúde.
Omar Aziz também explorou a ausência e questionou a capacidade do governo de resolver problemas da saúde estadual, citando a fila do SISREG, dentro de uma disputa maior sobre quem estaria preparado para assumir o Estado.
Cidade não esteve no palco e, por isso, não precisou responder diretamente a uma sequência de ataques, mas também não teve a oportunidade de rebatê-los no momento em que foram feitos. A campanha dizia querer evitar um debate transformado em “três contra um”, mas o que se viu, na prática, foi um debate em que Cidade continuou sendo um dos principais alvos, mesmo ausente.
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A estratégia por trás da ausência
A própria comunicação da equipe de Roberto Cidade ofereceu uma pista sobre como a decisão de não participar do debate foi pensada para atingir os adversários. O jornalista Paulo Castro, que atua na campanha, publicou: “Estratégia é a arte de fazer o adversário acreditar que sabe o que você vai fazer… até você fazer exatamente o que ele não esperava.”
A frase pode ser lida como uma espécie de confirmação, pela própria equipe, de que havia um componente estratégico na decisão. A ausência não seria apenas uma forma de evitar o confronto, mas uma tentativa de retirar o candidato de uma situação considerada desfavorável e guardar sua entrada em cena para outro momento.
Há, porém, uma ironia nessa estratégia, pois, ao tentar impedir que os adversários transformassem o debate em um palco contra Cidade, a campanha acabou permitindo que eles falassem sobre o governador sem que ele estivesse presente para responder. Ou seja, Cidade saiu do palco, mas não saiu do debate.
O teste real começa em 16 de agosto
Agora, o verdadeiro teste da estratégia começa em 16 de agosto, quando oficialmente começa a campanha eleitoral nas ruas e na internet. É a partir dessa data, também, que Cidade se colocou à disposição para participar de debates contra seus adversários.
Resta esperar para ver se Cidade vai participar dos próximos confrontos ou se vai deixar seus adversários atacá-lo livremente, usando o tempo para fazer campanha e correr atrás do voto do eleitor.
