O eleitor do Amazonas pode até saber em quem votar para governador, mas, quando chega a hora de escolher o segundo nome para o Senado, a conta não fecha. A disputa pelas duas vagas expõe uma dificuldade curiosa das alianças deste ano: os candidatos conseguiram organizar chapas para o governo, mas não conseguiram transformar essa lógica em uma dobradinha clara para o Senado.
Para quem vota por ideologia, o problema fica ainda mais evidente. Na esquerda, faltam opções competitivas. Na direita, falta unidade. E, no meio desse embaralhado, alguns candidatos acabaram funcionando como segunda opção para eleitores de campos diferentes.
A indefinição no campo da direita
Quem vota para o governo em Professora Maria do Carmo (PL), por exemplo, tem apenas a indicação de voto em Alberto Neto (PL). Outra candidatura dita de direita é a do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), alvo dos aliados da empresária, além de estar na chapa de um dos principais adversários dela, o governador Roberto Cidade (União Brasil). Xuxa do Amazonas (Mobiliza) e Dailson Queiroz (DC) são as outras opções que restam ao eleitor.
A esquerda também enfrenta impasse
No outro lado do tabuleiro, o eleitor do senador Omar Aziz (PSD) tem claro apenas o voto em Eduardo Braga (MDB), que tirou Marcelo Ramos (PT) da disputa e deixou sem outra opção o eleitor de esquerda que vota em Omar.
Sendo assim, o eleitor que pretende votar em Omar precisa procurar fora dessa dobradinha um segundo nome para o Senado.
O enigma do eleitor de David Almeida
O eleitor de David Almeida (Avante) é o que enfrenta maior estranheza na hora de votar. Oficialmente, o partido não tem candidato ao Senado desde que Marcos Rotta deixou a candidatura e se aliou a Roberto Cidade.
Nos bastidores, contudo, o Avante seguiu a estratégia de “adotar” candidaturas senatoriais de outros partidos a partir do prefeito Renato Junior, que primeiro anunciou voto em Eduardo Braga e depois em Plínio Valério (PSDB), na sexta-feira (28).
Assim como em 2018, Plínio vai se consolidando como uma segunda opção para diferentes lados do eleitorado. A ironia é que o senador aparece como alternativa para grupos distintos ao mesmo tempo em que é criticado pelos candidatos ao governo.
Uma chapa é a exceção
A exceção está na Federação Psol-Rede Sustentabilidade. Entre as sete chapas ao governo, é a única que oferece duas opções ao Senado dentro da mesma linha ideológica: Ismael Munduruku e Professora Evany.
No fim, a eleição para o Senado criou um problema que as campanhas ainda não resolveram: para muitos eleitores, escolher o primeiro voto é uma decisão política; escolher o segundo virou exercício de combinação.
