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Amazônia muda para sobreviver a eventos extremos, aponta estudo

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Amazônia muda para sobreviver a eventos extremos, aponta estudo
Foto: Pablo Albarenga/Divulgação

Um experimento realizado na Amazônia mostrou que a floresta pode estar desenvolvendo mecanismos rápidos de adaptação diante do avanço das mudanças climáticas extremas.

Pesquisadores observaram que plantas amazônicas reorganizaram suas estruturas para captar mais nutrientes em um ambiente com alta concentração de dióxido de carbono (CO₂), principal gás responsável pelo efeito estufa.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, acompanhou durante dois anos espécies do sub-bosque amazônico submetidas a condições simuladas do futuro climático.

Os testes fazem parte do programa AmazonFACE, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e pela Universidade Estadual de Campinas.

Os pesquisadores identificaram que, em solos pobres em fósforo, nutriente essencial para a floresta, as plantas passaram a desenvolver raízes mais longas e finas.

Já as raízes subterrâneas aumentaram a associação com fungos, estratégia que melhora a absorção de nutrientes e altera a dinâmica de competição entre plantas e microrganismos.


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Os resultados impressionaram os cientistas: houve aumento de 67% na assimilação de carbono e crescimento de 65% no diâmetro dos caules. O fenômeno é chamado de “fertilização por CO₂”, quando a vegetação cresce mais rapidamente em ambientes com maior concentração do gás.

Para os pesquisadores, a descoberta reforça o papel estratégico da Amazônia no equilíbrio climático global. Ao mesmo tempo, o estudo alerta que a floresta continua vulnerável aos eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas severas e enchentes históricas.

Efeito estufa

O efeito estufa é um fenômeno natural que ajuda a manter a Terra aquecida e própria para a vida. O problema acontece quando há excesso de gases como o dióxido de carbono (CO₂), liberado principalmente pela queima de combustíveis, desmatamento e poluição.

Esse excesso funciona como uma “coberta” mais grossa ao redor do planeta, o que prende mais calor do que deveria e aumenta a temperatura global.

Na Amazônia, esse aquecimento provoca secas mais intensas, incêndios florestais, rios em níveis extremos e dificuldade para as árvores conseguirem água e nutrientes. Com isso, parte da floresta perde força para absorver carbono da atmosfera, função essencial para frear o aquecimento do planeta.