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Comida de mulher: existe uma razão biológica ou é construção social da vida moderna?

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Comida de mulher: existe uma razão biológica ou é construção social da vida moderna?

O Dia Internacional da Mulher, neste domingo (08/03), serve para nos lembrar que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, mas no caso da gastronomia podemos dizer que há certas nuances olfativas, nutricionais e culturais que fazem a diferença na mesa de cada um.

Culturalmente, por exemplo, donos de restaurantes, chefes de cozinha e garçons sabem que mulheres na hora de escolher um prato optam, na maioria dos casos, por refeições mais leves, saladas e frutas, o que sinaliza uma benéfica preocupação com a alimentação saudável, o que é menos prevalente entre os homens, adeptos de comidas mais pesadas. Elas também são as maiores consumidoras de pratos oferecidos em meia porção.

Sobre este último aspecto, a nutróloga Bruna D’Ávila acrescenta que há uma tendência global pelas porções menores de alimentos consumidos fora de casa, principalmente por conta do uso, tanto por homens quanto por mulheres, de medicamentos injetáveis para combater a obesidade (canetinhas).

As grandes redes de fast food, por exemplo, já estão reformulando cardápios para oferecer porções menores e mais saudáveis“, pondera Bruna, professora de pós-graduação da  Faculdade Afya Educação Médica de Manaus.

São as mulheres também que, nos supermercados, mais leem os rotulos de produtos para saber composição nutricional e impactos na saúde da família. Ao passo que poucos são os homens que buscam informação nutricional, preferindo se ater as marcas mais tradicionais e cujo consumo remonta a origens familiares.

Confira as dicas da nutróloga Bruna D’Ávila (drabrunadavila):


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Biologia x nutrição: pratos diferentes

Se nos direitos e obrigações somos todos iguais e que na mesa há uma opção preferencial da maioria das mulheres por pratos mais saudáveis, existem ainda aspectos biológicos que indicam uma alimentação diferenciada ao longo da vida feminina.

Bruna D’Ávila explica que do ponto de vista da nutrologia os “alimentos não têm gênero”, mas é bastante conhecido o fato de que fatores biológicos variados entre os sexos, como fases da vida, hormônios e composição corporal podem levar a algumas necessidades nutricionais específicas.

Assim, necessidades nutricionais femininas podem influenciar a alimentação e o prato escolhido na mesa de um restaurante.

Mulheres, por exemplo, costumam precisar mais de:

  • Ferro: por causa da menstruação (feijão, carne, espinafre);
  • Cálcio: importante para ossos (leite, queijo, iogurte);
  • Ácido fólico: fundamental na gestação (verduras verdes, leguminosas).

A exemplo do período de gestação, existem dois outros momentos da vida feminina em que é possível e necessário ajustes no cardápio e nos hábitos alimentares cotidianos: Durante a amamentação por exemplo a sugestão é:

  • Alimentos ricos em proteínas, que ajudam na recuperação do organismo e na produção do leite:  Carnes magras, peixes, ovos, frango, feijão, lentilha e grão-de-bico;
  • Alimentos ricos em cálcio, importante para a saúde dos ossos da mãe e do bebê: leite e derivados (queijo, iogurte), brócolis, couve e gergelim;
  • Fontes de ferro, evitam anemia pós-parto: carnes vermelhas, feijão, espinafre e vísceras animais, principalmente fígado,;
  • Frutas, verduras e legumes, que são essenciais fontes de vitaminas e fibras: Banana, mamão. laranja, cenoura e abóbora;
  • Cereais integrais, ótimas fontes de energia: arroz integral, aveia e pães integrais
  • Bastante água: hidratação é essencial para a produção do leite

Já na menopausa, a dica é:

  • Alimentos ricos em fitoestrógenos, substâncias vegetais que têm efeito semelhante ao estrogênio no corpo: soja e derivados (tofu, leite de soja), linhaça, grão-de-bico e lentilha. São alimentos quee ajudam a reduzir ondas de calor e desconfortos hormonais
  • Alimentos ricos em cálcio, que protegem os ossos e reduzem o risco de osteoporose: leite, queijo e iogurte, couve, brócolis e sardinha;
  • Fontes de vitamina D, importante porque melhora a absorção do cálcio: peixes como salmão e atum e ovos.
  • Alimentos ricos em ômega-3, que ajudam no humor e na saúde cardivascular: peixes, como sardinha e salmão, chia, linhaça e nozes;
  • Frutas e verduras antioxidantes, essenciais no controle das inflamações e na saúde geral: frutas vermelhas, laranja, cenoura e tomate;
  • Cereais integrais, fornecem energia e ajudam no controle do peso: arroz integral e quinoa;