O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) iniciou o planejamento operacional das Eleições Gerais de 2026 com uma preocupação central, garantir que a estiagem prevista para este ano não comprometa o transporte de urnas eletrônicas e equipes até as comunidades mais isoladas do estado. Durante a primeira reunião do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), realizada nesta terça-feira (7/7), representantes das forças de segurança e de órgãos parceiros discutiram estratégias para minimizar os impactos da seca, que pode reduzir a navegabilidade dos rios justamente no período eleitoral.
A preocupação do TRE-AM ocorre em um momento em que o Amazonas já enfrenta os primeiros sinais da vazante dos rios. De acordo com a Defesa Civil do Estado, 13 municípios estão em estado de atenção para a estiagem, e a expectativa é que a dimensão dos impactos seja conhecida na primeira quinzena de agosto. A previsão é de que o fenômeno El Niño influencie o regime de chuvas na região, favorecendo um período de seca mais intenso, como ocorreu em 2023 e 2024, quando milhares de comunidades ficaram isoladas e diversos rios atingiram níveis historicamente baixos.
Atuação integrada entre instituições
A presidente do TRE-AM, desembargadora Carla Reis, destacou que a realização das eleições no Amazonas depende da atuação integrada entre diversas instituições, devido às características geográficas do estado.
“Nós sabemos que os servidores da casa têm o know-how desde sempre, mas não fazemos eleições sozinhos. O TRE precisa de todos os órgãos, especialmente no estado do Amazonas, considerando as dimensões territoriais. Na verdade, é um trabalho em conjunto, e temos que dar resposta ao Tribunal Superior Eleitoral, nosso órgão superior comandado pelo ministro Kassio Nunes”, afirmou.
Entre os principais temas debatidos estiveram o apoio às comunidades remotas, o emprego de forças federais, a infraestrutura dos locais de votação e a elaboração de um plano de contingência para assegurar que as urnas eletrônicas cheguem às localidades de difícil acesso. A estratégia prevê a revisão do cronograma logístico e, se necessário, a antecipação do transporte de equipamentos, materiais e servidores antes que os rios atinjam níveis críticos.
Leia mais:
Eleições 2026: convenções partidárias começam em 20 de julho
Novos juízes do TRE-AM apontam a Inteligência Artificial como um dos desafios das eleições
Planejamento revisto
O TRE-AM vai reforçar o planejamento logístico para evitar que a estiagem comprometa o transporte de urnas eletrônicas, equipes e materiais às comunidades mais isoladas do estado. A estratégia prevê um plano de contingência com a revisão de rotas e, se necessário, a antecipação da distribuição dos equipamentos, diante da possibilidade de redução da navegabilidade dos rios.
As medidas levam em consideração o alerta da Defesa Civil sobre o avanço da seca no Amazonas e a possibilidade de um cenário semelhante ao registrado em 2024. O planejamento também incorpora a definição da distribuição do efetivo da Polícia Militar, considerada essencial para garantir a segurança e a logística da operação eleitoral em todo o estado.
O TRE-AM mantém ainda alinhamento com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Comando Militar da Amazônia (CMA), o VII Comando Aéreo Regional (VII COMAR) e a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) para assegurar o atendimento de 49 comunidades remotas e realizar vistorias nos locais de votação. A reunião reuniu representantes das forças de segurança e de instituições parceiras, reforçando a atuação integrada para garantir a realização das eleições mesmo diante dos desafios impostos pela estiagem.

