Pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (31/8), mostra que uma parcela relevante do eleitorado que declara voto no 2º turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não está motivada pela preferência ao candidato escolhido, mas pela rejeição ao adversário.
No total, 22% de todo o eleitorado que participa da simulação de segundo turno diz votar apenas para impedir a vitória do outro lado. Esse percentual, porém, se distribui de forma desigual entre os dois campos.
Rejeição pesa mais do lado de Flávio
Entre os entrevistados que escolheram Lula no cenário de segundo turno, 82% dizem que o voto é motivado porque o consideram o melhor candidato, e 13% afirmam votar nele apenas para derrotar Flávio. Os demais 5% não souberam ou não responderam.
Do lado de Flávio, o quadro é diferente: 59% dizem vê-lo como o melhor candidato, mas 35% afirmam que seu voto serve apenas para derrotar Lula. Outros 6% não souberam ou não responderam.
Na prática, isso significa que, do total de 22% de eleitores que votam por rejeição no cenário de segundo turno, 16 pontos percentuais vêm do campo de Flávio e apenas 6 pontos percentuais vêm do campo de Lula.
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Rejeição a Lula atinge o maior nível da série
A pesquisa acompanha essa pergunta desde maio, e a rodada atual registra o maior índice de voto por rejeição já medido entre eleitores de Flávio. Em maio, 32% dos seus eleitores diziam votar nele apenas para barrar Lula. O percentual oscilou entre 31% e 32% nas rodadas seguintes e chegou a 35% na medição de agosto, ao mesmo tempo em que a fatia que o considera “o melhor candidato” caiu para 59%, o menor porcentual da série.
Do lado de Lula, o comportamento é mais estável. A fatia que vota nele apenas para derrotar Flávio oscilou entre 13% e 19% desde maio, sem tendência de alta, e está hoje no piso da série histórica, em 13%.
O que isso indica sobre a disputa
O resultado sugere que a candidatura de Flávio Bolsonaro depende, proporcionalmente, mais da rejeição a Lula do que a candidatura de Lula depende da rejeição ao candidato do PL.
Enquanto o apoio ao petista no segundo turno segue majoritariamente ligado à avaliação positiva do próprio candidato, uma fatia crescente do apoio a Flávio Bolsonaro parece estar mais associada ao desejo de impedir a permanência de Lula na Presidência do que à identificação com o próprio candidato.
A pesquisa BTG/Nexus foi realizada pela Nexus por telefone entre 28 e 30 de agosto de 2026, com 2.005 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08900/2026.


