A produtora cultural, comunicadora, ativista e pré-candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Michelle Andrews, atribuiu parte dos problemas de segurança pública no Amazonas à atuação do Legislativo. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (19), durante entrevista ao programa Em Alta, da Rede Onda Digital.
Segundo Michelle, os deputados estaduais precisam exercer maior fiscalização sobre o Executivo e cobrar medidas para ampliar o efetivo das forças de segurança e a realização de concursos públicos.
“Porque hoje, se a segurança está ruim, parte da culpa é dos deputados que não fiscalizam, que não implementam, que não vão lá cobrar o executivo para fazer mais concursos, para ter mais contingentes”, afirmou.
Michelle defende mandato voltado à sociedade
Além da fiscalização na área da segurança pública, Michelle defendeu uma atuação parlamentar próxima das demandas da população. Para ela, um mandato na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) deve contemplar diferentes grupos sociais, principalmente aqueles que historicamente têm pouca participação no debate público.
“A gente, quando ocupa a Aleam, a gente tem que ocupar para a sociedade, como um todo. Então, vou escutar as demandas”.
Durante a entrevista, a pré-candidata também abordou a destinação das emendas parlamentares e a aplicação dos recursos públicos no Amazonas.
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Michelle compara emendas de deputados ao prêmio de 8 BBBs por ano
Michelle Andrews comparou o volume de recursos das emendas parlamentares destinadas pelos deputados estaduais a oito edições do Big Brother Brasil. Segundo os valores apresentados durante a entrevista, cada parlamentar pode indicar até R$ 40 milhões por ano, o que representa cerca de R$ 960 milhões considerando os 24 deputados da Aleam.
“É tipo 8 Big Brothers Brasil por ano, entendeu? Ganhando já 5 milhões, assim, tipo, meu Deus, pra onde tá indo?”.
Na avaliação da pré-candidata, existe planejamento para a destinação das emendas, inclusive com percentuais mínimos estabelecidos para determinadas áreas, como a saúde. Ela, porém, questionou o que ocorre com os recursos depois que deixam o gabinete dos parlamentares.
“Tem esse planejamento, tem esse programa pensado, porque assim, a emenda, você manda, mas tem as porcentagens mínimas que o deputado tem que mandar. Ele tem uma porcentagem pra saúde… todo mundo vai ter seu dinheirinho.”
Michelle afirmou ainda que, na visão dela, o problema ocorre posteriormente, quando os recursos das emendas passam a tramitar fora do mandato parlamentar.
Michelle comenta polêmica sobre o Bar do Armando
A pré-candidata também falou sobre a polêmica envolvendo o Bar do Armando, no Largo de São Sebastião, em Manaus, durante entrevista ao programa Em Alta, da Rádio Antena 1 Manaus. O estabelecimento enfrenta uma disputa relacionada ao despejo e à devolução do prédio.
Michelle reconheceu a importância histórica do espaço e destacou que, no passado, o estabelecimento ajudava a fortalecer uma relação de pertencimento com o Centro de Manaus.
No entanto, ela afirmou que atualmente não defende a permanência do bar. A ativista também criticou comportamentos que, segundo ela, eram adotados pelos responsáveis pelo estabelecimento, principalmente durante a tradicional Banda do Armando, que, em sua avaliação, desrespeitavam direitos das mulheres.
“Agora não levanto a bandeira para ter Bar do Armando; eles que se esforcem lá”, declarou.
Trajetória de Michelle Andrews
Michelle desenvolveu sua trajetória profissional e política com atuação nas áreas de direitos humanos, igualdade racial, cultura, direitos das mulheres, juventude e defesa de populações historicamente invisibilizadas.
Além da atuação eleitoral, participou de projetos sociais, culturais e educacionais voltados à democratização do acesso à cultura, à formação cidadã e ao fortalecimento de comunidades periféricas e tradicionais do Amazonas.
Entre essas iniciativas está o trabalho desenvolvido na Casa Coletiva de Manaus, espaço voltado à promoção da cultura, da educação popular, do audiovisual, da literatura e dos direitos humanos.
Michelle também foi a primeira chefe do Escritório Estadual do Ministério da Cultura (MinC) no Amazonas. Na função, atuou na aproximação entre as políticas culturais do governo federal e os fazedores de cultura do estado, ampliando o diálogo com artistas, produtores, coletivos e movimentos sociais.
Sua atuação política também inclui a defesa de políticas públicas inclusivas, da cultura como instrumento de desenvolvimento social e da participação popular. Ao longo da trajetória, tornou-se uma das vozes ligadas à defesa da cultura amazônica, do movimento negro, das mulheres e da juventude.
