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Festival de Parintins: lenda de Pai Francisco e Catirina renasce a cada junho

Com a chegada de junho, os olhos do Brasil voltam-se para Parintins, no Amazonas, onde uma história centenária é revivida todos os anos em um dos maiores espetáculos culturais do país. Por trás da disputa entre os bois Garantido e Caprichoso está a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina, que deu origem ao Festival de Parintins e permanece como a essência da festa.

Segundo a tradição, Catirina, grávida, sente o desejo de comer a língua do boi preferido do patrão. Para atender ao pedido da esposa, Pai Francisco mata o animal, provocando a ira do amo do boi. Diante da tragédia, entra em cena o pajé, personagem que, por meio de seus rituais, consegue ressuscitar o boi e livra Pai Francisco da morte ao transformar a tristeza em celebração.

Inspirada no bumba-meu-boi nordestino, a história ganhou características próprias na Amazônia, incorporando elementos indígenas, caboclos e ribeirinhos. O pajé passou a ocupar papel central na narrativa, simbolizando a força dos povos originários e a conexão espiritual com a floresta.


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Segundo a etno-historiadora Larice Butel, a lenda de Pai Francisco e Catirina é uma narrativa construída em torno do desejo, da morte e da ressurreição.

Ela destaca que, diante da morte do boi, várias tentativas são feitas para trazê-lo de volta à vida, mas é o pajé quem consegue realizar o milagre. “Quem ressuscita o boi é o pajé, com sua sabedoria ancestral. Ele devolve a vida ao animal e transforma a tragédia em festa”, afirma.

À Rede Onda Digital, a pesquisadora explica como a história ganhou identidade amazônica ao chegar a Parintins.

“O Alto do Boi se expande e incorpora elementos do imaginário, do folclore e da encantaria da Amazônia. A essência continua sendo a morte e a ressurreição do boi, mas a narrativa ganha mais cor, mais significado e passa a representar a cultura e os povos da região”, ressalta.

Para Butel, a presença de Pai Francisco e Catirina, que não somam como itens oficiais, mas aparecem de forma implícita no conto e fazem os bois perderem pontos com as suas ausências, é fundamental para manter viva a tradição do Festival de Parintins.

“O alto era uma sátira, uma crítica social, que surge em relação à figura do negro escravizado, da fome,  das mazelas sociais,  tanto que os brancos, sendo os padres e os doutores, citados no alto tradicional, são um bêbado e o outro não dá conta. Quem ressuscita o boi é o pajé. Então, você percebe que são posições meio de crítica social, e para cada noite tem uma participação diferente dentro dessa narrativa, mas a história é sempre a mesma”, conclui.

Sobre o festival

Oficializado em 1965, o Festival de Parintins tornou-se um patrimônio cultural brasileiro e reúne, todos os anos, milhares de visitantes no Bumbódromo da cidade que fica a 369 quilômetros de Manaus.

Durante três noites, Caprichoso e Garantido recriam a lenda em apresentações grandiosas, com alegorias, toadas, danças e encenações que exaltam a cultura amazônica.

Mais do que uma disputa, o festival é a celebração de uma história que atravessa gerações e continua viva no imaginário do povo amazonense, reafirmando a identidade cultural da Amazônia para o Brasil e para o mundo.

Neste ano, a 59ª edição será realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho, mantendo a tradição de acontecer no último fim de semana do mês.

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Com a chegada de junho, os olhos do Brasil voltam-se para Parintins, no Amazonas, onde uma história centenária é revivida todos os anos em um dos maiores espetáculos culturais do país. Por trás da disputa entre os bois Garantido e Caprichoso está a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina, que deu origem ao Festival de Parintins e permanece como a essência da festa.

Segundo a tradição, Catirina, grávida, sente o desejo de comer a língua do boi preferido do patrão. Para atender ao pedido da esposa, Pai Francisco mata o animal, provocando a ira do amo do boi. Diante da tragédia, entra em cena o pajé, personagem que, por meio de seus rituais, consegue ressuscitar o boi e livra Pai Francisco da morte ao transformar a tristeza em celebração.

Inspirada no bumba-meu-boi nordestino, a história ganhou características próprias na Amazônia, incorporando elementos indígenas, caboclos e ribeirinhos. O pajé passou a ocupar papel central na narrativa, simbolizando a força dos povos originários e a conexão espiritual com a floresta.


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Ela destaca que, diante da morte do boi, várias tentativas são feitas para trazê-lo de volta à vida, mas é o pajé quem consegue realizar o milagre. “Quem ressuscita o boi é o pajé, com sua sabedoria ancestral. Ele devolve a vida ao animal e transforma a tragédia em festa”, afirma.

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“O Alto do Boi se expande e incorpora elementos do imaginário, do folclore e da encantaria da Amazônia. A essência continua sendo a morte e a ressurreição do boi, mas a narrativa ganha mais cor, mais significado e passa a representar a cultura e os povos da região”, ressalta.

Para Butel, a presença de Pai Francisco e Catirina, que não somam como itens oficiais, mas aparecem de forma implícita no conto e fazem os bois perderem pontos com as suas ausências, é fundamental para manter viva a tradição do Festival de Parintins.

“O alto era uma sátira, uma crítica social, que surge em relação à figura do negro escravizado, da fome,  das mazelas sociais,  tanto que os brancos, sendo os padres e os doutores, citados no alto tradicional, são um bêbado e o outro não dá conta. Quem ressuscita o boi é o pajé. Então, você percebe que são posições meio de crítica social, e para cada noite tem uma participação diferente dentro dessa narrativa, mas a história é sempre a mesma”, conclui.

Sobre o festival

Oficializado em 1965, o Festival de Parintins tornou-se um patrimônio cultural brasileiro e reúne, todos os anos, milhares de visitantes no Bumbódromo da cidade que fica a 369 quilômetros de Manaus.

Durante três noites, Caprichoso e Garantido recriam a lenda em apresentações grandiosas, com alegorias, toadas, danças e encenações que exaltam a cultura amazônica.

Mais do que uma disputa, o festival é a celebração de uma história que atravessa gerações e continua viva no imaginário do povo amazonense, reafirmando a identidade cultural da Amazônia para o Brasil e para o mundo.

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