A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi internada na terça-feira (22/9), no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar um quadro de enxaqueca refratária ao tratamento clínico ambulatorial iniciado há dois meses. Segundo o boletim médico, ela permanece sob cuidados especializados e ainda não há previsão de alta hospitalar.
O caso chama atenção para uma forma de enxaqueca que pode provocar dores persistentes e incapacitantes, dificultando o controle dos sintomas com os tratamentos habituais. Embora a condição possa exigir atendimento hospitalar, a gravidade e a resposta ao tratamento variam de acordo com cada paciente.
Enxaqueca refratária
A enxaqueca, também conhecida como migrânea, é uma doença neurológica que pode provocar dor de cabeça intensa, geralmente pulsátil, acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e aos sons. As crises podem comprometer atividades profissionais, sociais e pessoais.
O termo “refratária” é utilizado para descrever casos em que a doença não responde adequadamente aos tratamentos adotados. A definição pode variar entre estudos e especialistas, mas está associada à persistência dos sintomas e à dificuldade de obter controle satisfatório da dor mesmo após diferentes abordagens terapêuticas.
Isso não significa, necessariamente, que nenhum tratamento poderá funcionar. O acompanhamento médico pode envolver a revisão do diagnóstico, a investigação de fatores que agravam as crises e a combinação de diferentes estratégias de tratamento.
Sintomas
Entre os sintomas mais comuns da enxaqueca estão:
- Dor de cabeça moderada ou intensa, frequentemente pulsátil;
- Dor que pode piorar com atividades físicas;
- Náuseas e vômitos;
- Sensibilidade à luz, aos sons e, em alguns casos, a cheiros;
- Cansaço e dificuldade de concentração.
Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. A duração e a frequência das crises também variam.
Quando a crise de enxaqueca dura mais de 72 horas, pode ser classificada como estado migranoso, uma situação que exige avaliação médica para controlar a dor e descartar outras causas de cefaleia.
Internação
A internação pode ser necessária quando a dor é persistente, incapacitante ou não melhora com o tratamento realizado fora do hospital. Também pode ser indicada quando o paciente precisa de medicamentos administrados sob supervisão médica, hidratação, controle de vômitos ou investigação de outras causas.
No ambiente hospitalar, a equipe avalia o histórico do paciente, os medicamentos utilizados e a evolução dos sintomas. O objetivo é aliviar a crise, verificar a segurança do tratamento e identificar sinais que possam indicar outro problema de saúde.
No caso de Michelle, o hospital informou que ela está recebendo tratamento clínico especializado, mas não divulgou detalhes sobre os medicamentos utilizados ou a evolução do quadro.
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Tratamento
O tratamento da enxaqueca é definido conforme a frequência, a intensidade e o impacto das crises na vida do paciente. Além dos medicamentos utilizados durante os episódios de dor, médicos podem indicar tratamentos preventivos para reduzir a frequência e a intensidade das crises.
Entre as opções avaliadas na prática clínica estão:
- Medicamentos preventivos de uso contínuo;
- Toxina botulínica tipo A, em situações específicas, especialmente na migrânea crônica;
- Anticorpos monoclonais que atuam na via do CGRP, conforme indicação médica e disponibilidade;
- Medidas não medicamentosas, como regularidade do sono, identificação de fatores desencadeantes e acompanhamento especializado.
A Sociedade Brasileira de Cefaleia possui diretrizes para o diagnóstico e o tratamento das cefaleias, incluindo recomendações para migrânea episódica e crônica. A escolha do tratamento, porém, deve ser individualizada e feita por profissional habilitado.
Segunda internação
Michelle Bolsonaro já havia sido internada no início de agosto, após apresentar um quadro de dor de cabeça persistente que não respondia aos medicamentos orais. Na ocasião, ela passou por exames e por um procedimento de bloqueio anestésico de nervos cranianos, com resposta considerada satisfatória, segundo as informações divulgadas sobre o atendimento.
A nova internação ocorre durante o período eleitoral. Michelle é candidata ao Senado pelo Distrito Federal, mas o hospital não informou quando ela poderá receber alta ou retomar suas atividades.
