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Casos de pancreatite reacendem debate sobre uso de canetas emagrecedoras

A pancreatite voltou ao centro das discussões na área da saúde após notificações de casos associados ao uso de medicamentos indicados para diabetes tipo 2 e obesidade, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O alerta foi reforçado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que destacou a importância da prescrição e do acompanhamento médico no uso deles.

A doença é uma inflamação do pâncreas que pode se manifestar de forma aguda ou crônica. Nos quadros mais graves, pode levar à falência de órgãos e até à morte. A forma aguda ocorre quando as enzimas produzidas pelo próprio pâncreas passam a agir dentro do órgão, provocando um processo de autodigestão e inflamação intensa.

Médica Maria Fernanda Cabral, especialista em Endocrinologia, Metabologia e Nutrologia.

Em entrevista à Rede Onda Digital, a médica Maria Fernanda Cabral, especialista em Endocrinologia, esclareceu as principais dúvidas sobre a doença, os riscos e os cuidados necessários para quem utiliza análogos de GLP-1.

Sintomas que não devem ser ignorados

O principal sinal de alerta é dor abdominal intensa, geralmente localizada na parte superior do abdômen, que pode irradiar para as costas em faixa. Náuseas, vômitos persistentes, febre, queda de pressão e amarelamento da pele e dos olhos também podem estar presentes.

O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais, principalmente com elevação significativa da lipase sérica, além de exames de imagem para avaliar a extensão da inflamação.

De acordo com Maria Fernanda, um ponto importante é o risco indireto ligado à perda de peso acelerada. Quando o emagrecimento ocorre de forma rápida, há maior mobilização de gordura corporal, o que pode aumentar a concentração de colesterol na bile e favorecer a formação de cálculos na vesícula.

Esses cálculos podem migrar e obstruir o canal comum por onde passam a bile e as enzimas pancreáticas, desencadeando pancreatite aguda. Por isso, a médica recomenda que pacientes que iniciam tratamento para obesidade realizem ultrassonografia abdominal como parte da avaliação inicial.


Saiba mais: 

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Canetas emagrecedoras e pancreatite: há comprovação?

O alerta recente envolve medicamentos agonistas do receptor GLP-1 e do GIP, como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

A agência reguladora do Reino Unido, a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency, informou ter recebido, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso dessas medicações, incluindo 19 mortes.

No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, com seis óbitos sob investigação, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Apesar das notificações, a médica destaca que não há comprovação científica definitiva de relação causal direta entre os análogos de GLP-1 e pancreatite.

“A associação existe, mas não há nexo causal estabelecido. Grandes estudos com milhares de pacientes não confirmaram aumento do risco em quem usa essas medicações”, explica a especialista.

Ela ressalta que náuseas e desconfortos gastrointestinais são efeitos adversos comuns no início do tratamento, mas pancreatite não é considerada um evento frequente.

Quando suspender o tratamento

A suspensão do medicamento é obrigatória em caso de pancreatite aguda confirmada. Pacientes com histórico da doença não devem reiniciar o uso dessas medicações. Também é necessária reavaliação médica diante de dor abdominal intensa, icterícia, febre associada à dor ou vômitos persistentes por mais de dois dias.

O uso indiscriminado, principalmente para fins estéticos sem indicação clínica, aumenta riscos e pode atrasar o diagnóstico de complicações graves. Diante de qualquer sintoma diferente ou intenso, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

 

 

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A pancreatite voltou ao centro das discussões na área da saúde após notificações de casos associados ao uso de medicamentos indicados para diabetes tipo 2 e obesidade, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O alerta foi reforçado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que destacou a importância da prescrição e do acompanhamento médico no uso deles.

A doença é uma inflamação do pâncreas que pode se manifestar de forma aguda ou crônica. Nos quadros mais graves, pode levar à falência de órgãos e até à morte. A forma aguda ocorre quando as enzimas produzidas pelo próprio pâncreas passam a agir dentro do órgão, provocando um processo de autodigestão e inflamação intensa.

Médica Maria Fernanda Cabral, especialista em Endocrinologia, Metabologia e Nutrologia.

Em entrevista à Rede Onda Digital, a médica Maria Fernanda Cabral, especialista em Endocrinologia, esclareceu as principais dúvidas sobre a doença, os riscos e os cuidados necessários para quem utiliza análogos de GLP-1.

Sintomas que não devem ser ignorados

O principal sinal de alerta é dor abdominal intensa, geralmente localizada na parte superior do abdômen, que pode irradiar para as costas em faixa. Náuseas, vômitos persistentes, febre, queda de pressão e amarelamento da pele e dos olhos também podem estar presentes.

O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais, principalmente com elevação significativa da lipase sérica, além de exames de imagem para avaliar a extensão da inflamação.

De acordo com Maria Fernanda, um ponto importante é o risco indireto ligado à perda de peso acelerada. Quando o emagrecimento ocorre de forma rápida, há maior mobilização de gordura corporal, o que pode aumentar a concentração de colesterol na bile e favorecer a formação de cálculos na vesícula.

Esses cálculos podem migrar e obstruir o canal comum por onde passam a bile e as enzimas pancreáticas, desencadeando pancreatite aguda. Por isso, a médica recomenda que pacientes que iniciam tratamento para obesidade realizem ultrassonografia abdominal como parte da avaliação inicial.


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No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, com seis óbitos sob investigação, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Apesar das notificações, a médica destaca que não há comprovação científica definitiva de relação causal direta entre os análogos de GLP-1 e pancreatite.

“A associação existe, mas não há nexo causal estabelecido. Grandes estudos com milhares de pacientes não confirmaram aumento do risco em quem usa essas medicações”, explica a especialista.

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