Apesar da intensa exposição solar em grande parte do território brasileiro, a deficiência de vitamina D continua sendo um problema recorrente no país. A condição, muitas vezes silenciosa, está diretamente relacionada à saúde dos ossos e acomete principalmente pessoas com pouca exposição ao sol, idosos, indivíduos com obesidade e pacientes com algumas doenças crônicas.
Embora a principal fonte da vitamina seja a produção natural do organismo por meio da luz solar, fatores ligados ao estilo de vida e a condições de saúde ajudam a explicar a persistência do problema mesmo em um país tropical.
A endocrinologista Cristina Khawalli, do laboratório Delboni, em São Paulo, explica que viver em uma região ensolarada não garante, necessariamente, níveis adequados da vitamina no organismo.
Segundo a especialista, a rotina em ambientes fechados, a maior pigmentação da pele, a obesidade, doenças intestinais, hepáticas e renais, além de cirurgias bariátricas e do uso contínuo de determinados medicamentos, podem reduzir a produção ou a absorção da vitamina D.
Cristina ressalta ainda que a realização de exames para verificar os níveis da vitamina não é recomendada para toda a população. As diretrizes atuais indicam o rastreamento principalmente para grupos considerados de risco, enquanto a suplementação deve ocorrer apenas em situações específicas, como deficiência comprovada, gestação, infância, adolescência e em idosos acima dos 75 anos.
“Nos últimos anos, a vitamina D passou a ser associada a diversas doenças, mas as evidências mais consistentes continuam relacionadas à saúde musculoesquelética. Hoje, a orientação é evitar tanto a deficiência quanto o excesso de suplementação”, afirma a médica.
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Exposição ao sol continua sendo a principal fonte
A endocrinologista Renata Amazonas, do Hospital da Bahia, destaca que a exposição solar permanece como a principal forma de obtenção da vitamina D pelo organismo.
De acordo com a especialista, a recomendação geral é permanecer cerca de 15 minutos ao sol antes das 10h ou após as 16h, sempre observando os cuidados necessários para evitar danos à pele.
Ela explica que níveis superiores a 20 ng/mL são considerados adequados para a população em geral, enquanto pessoas com maior risco de perda óssea costumam necessitar de concentrações acima de 30 ng/mL.
A suplementação é indicada principalmente para crianças, idosos, pessoas com obesidade, mulheres na pós-menopausa e pacientes diagnosticados com doenças ósseas.
“A reposição de vitamina D deve ser feita com critério. O excesso pode provocar intoxicação, levando à elevação do cálcio no sangue, alterações neurológicas, arritmias e calcificações em diferentes órgãos”, alerta Renata.
Saúde dos ossos é a principal preocupação
Especialistas apontam que a relação entre deficiência de vitamina D e problemas ósseos, como osteoporose, está amplamente comprovada pela ciência. A falta da vitamina compromete a absorção de cálcio pelo organismo, favorecendo a perda de massa óssea e aumentando os riscos de quedas e fraturas, especialmente entre idosos.
Por outro lado, estudos que investigam possíveis benefícios da vitamina D para a imunidade, depressão, doenças cardiovasculares e outras condições ainda não apresentam evidências suficientes para justificar a suplementação indiscriminada com essas finalidades.
Diante disso, a recomendação médica é que tanto os exames laboratoriais quanto a reposição da vitamina sejam realizados de forma individualizada, priorizando pessoas que integram os grupos de maior risco para a deficiência.
