A edição genética começa a transformar os alimentos disponíveis no mercado. A tecnologia permite modificar pontos específicos do DNA de plantas e animais para obter características como maior valor nutricional, resistência a doenças, tolerância à seca e vida útil prolongada.
Uma das ferramentas mais conhecidas é a CRISPR-Cas9, frequentemente comparada a uma “tesoura molecular”. Ela possibilita localizar uma sequência do material genético e realizar alterações direcionadas, como remover, substituir ou desativar partes do DNA.
Diferença entre editados e transgênicos
Embora os conceitos estejam relacionados, alimentos editados geneticamente não são necessariamente transgênicos. Na transgenia, geralmente ocorre a introdução de material genético de outro organismo para desenvolver determinada característica.
A edição genética, por sua vez, pode apenas alterar genes já existentes no próprio organismo, sem incorporar DNA de outra espécie. Em alguns casos, a mudança poderia ocorrer naturalmente ou ser alcançada por melhoramento convencional, mas a tecnologia torna o processo mais rápido e preciso. Dependendo da técnica empregada, entretanto, a edição também pode introduzir material genético externo.
Entre os exemplos já desenvolvidos estão tomates com maior concentração de compostos nutricionais, soja com óleo de melhor perfil lipídico e cultivos mais resistentes a pragas e condições climáticas extremas. A agência reguladora norte-americana FDA explica que essas técnicas podem reduzir de décadas para poucos anos o tempo necessário para introduzir uma característica em uma cultura.
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Segurança e regulamentação
Os possíveis benefícios incluem redução de perdas agrícolas, menor uso de defensivos, adaptação às mudanças climáticas e produção de alimentos com propriedades nutricionais aprimoradas. A tecnologia, porém, também provoca discussões sobre alterações não intencionais, impactos ambientais, concentração de patentes e direito do consumidor à informação.
No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) analisa cada produto para determinar seu enquadramento regulatório. Uma variedade obtida por edição genética pode não ser classificada como organismo geneticamente modificado (OGM) quando não apresenta material genético externo, mas a definição depende das características do produto e do processo empregado.
A regulamentação varia entre os países. Nos Estados Unidos, alimentos provenientes de plantas editadas devem cumprir os mesmos padrões de segurança aplicados aos demais produtos alimentícios.
Na União Europeia, novas regras para plantas obtidas por técnicas genômicas foram aprovadas em junho de 2026. A aplicação do novo regulamento está prevista para julho de 2028.
