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O direito de decidir o próprio fim: médica explica os limites da autonomia

Até onde uma pessoa pode decidir sobre o próprio fim? Em entrevista ao Onda News, nesta quinta-feira (27/8), a médica Rayssa Leite, especialista em clínica médica e cuidados paliativos, afirmou que a discussão sobre eutanásia precisa ser enfrentada pela sociedade, especialmente quando envolve pacientes com doenças graves, sofrimento intenso e a proximidade da morte.

A pergunta, que envolve questões médicas, éticas, jurídicas e humanas, voltou a ganhar espaço no debate público após casos de pessoas que buscaram países onde a morte assistida é permitida. Segundo a especialista, falar sobre autonomia significa também discutir o que cada pessoa entende como dignidade.

“Cada um se pergunta o que é dignidade para você e eu respeito o que é dignidade para você”, afirmou.

Para Rayssa, a autonomia do paciente é um princípio ético importante na medicina e está relacionada ao direito de participar das decisões sobre o próprio tratamento. No entanto, esse direito não significa que todas as escolhas sejam permitidas pela legislação.

A médica lembra que a eutanásia continua proibida no Brasil. A prática consiste na intervenção deliberada para provocar a morte de um paciente com o objetivo de interromper um sofrimento considerado insuportável.

Debate envolve doenças graves e sofrimento

A discussão sobre o direito de decidir sobre o próprio fim ganha ainda mais complexidade quando envolve doenças terminais, condições incuráveis e diferentes formas de sofrimento.

De acordo com a especialista, não se trata apenas da dor física. Também existem situações de sofrimento psicológico e existencial que precisam ser avaliadas por profissionais especializados.

“São doenças, são muitos sofrimentos envolvidos, doenças terminais, sofrimentos existenciais”, explicou.

Rayssa destaca que um diagnóstico de sofrimento existencial não deve ser feito de maneira isolada. O paciente pode ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar, com médicos, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais, para compreender a dimensão do sofrimento e avaliar as possibilidades de cuidado.


Saiba mais: 

Pesquisa por pesquisa, a eleição para o Senado ficou ainda mais imprevisível

Cuidados paliativos não significam fim da vida, explica médica


Sedação paliativa não tem como objetivo provocar a morte

Dentro dos cuidados paliativos, existe ainda um procedimento que muitas vezes é confundido com eutanásia: a sedação paliativa.

Segundo Rayssa Leite, a sedação é um procedimento médico legal utilizado em situações específicas para aliviar sintomas e sofrimentos que não conseguem ser controlados adequadamente por outras medidas.

A diferença fundamental, explica a médica, está no objetivo do procedimento.

“A sedação é um procedimento médico legal, mas ela não deve levar à morte”, afirmou.

Na sedação paliativa, a intenção é proporcionar conforto ao paciente. A evolução da própria doença é que determina o processo de morte.

“O que leva à morte é a doença. A doença vai levar, inevitavelmente, essa pessoa à morte. Não o ato médico”, destacou.

Uma conversa que a sociedade ainda evita

Para a especialista, questões relacionadas à morte ainda são cercadas por tabus. O resultado é que pacientes e familiares muitas vezes deixam para discutir decisões importantes somente quando a doença já está em estágio avançado.

Rayssa defende que assuntos considerados difíceis sejam abordados com antecedência, permitindo que pacientes expressem seus desejos e que as famílias compreendam melhor as possibilidades de cuidado.

“A sociedade precisa discutir e, mais uma vez, não evitar assuntos difíceis”, afirmou.

Nesse cenário, os cuidados paliativos ganham importância ao oferecer uma abordagem que não se limita ao controle da doença. O foco passa a incluir o conforto, a qualidade de vida, o apoio emocional e as necessidades do paciente e de sua família.

O debate sobre autonomia no fim da vida, portanto, permanece aberto. Para a medicina, a discussão passa pelo respeito às escolhas do paciente, mas também pelos limites éticos, médicos e legais existentes no país.

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Até onde uma pessoa pode decidir sobre o próprio fim? Em entrevista ao Onda News, nesta quinta-feira (27/8), a médica Rayssa Leite, especialista em clínica médica e cuidados paliativos, afirmou que a discussão sobre eutanásia precisa ser enfrentada pela sociedade, especialmente quando envolve pacientes com doenças graves, sofrimento intenso e a proximidade da morte.

A pergunta, que envolve questões médicas, éticas, jurídicas e humanas, voltou a ganhar espaço no debate público após casos de pessoas que buscaram países onde a morte assistida é permitida. Segundo a especialista, falar sobre autonomia significa também discutir o que cada pessoa entende como dignidade.

“Cada um se pergunta o que é dignidade para você e eu respeito o que é dignidade para você”, afirmou.

Para Rayssa, a autonomia do paciente é um princípio ético importante na medicina e está relacionada ao direito de participar das decisões sobre o próprio tratamento. No entanto, esse direito não significa que todas as escolhas sejam permitidas pela legislação.

A médica lembra que a eutanásia continua proibida no Brasil. A prática consiste na intervenção deliberada para provocar a morte de um paciente com o objetivo de interromper um sofrimento considerado insuportável.

Debate envolve doenças graves e sofrimento

A discussão sobre o direito de decidir sobre o próprio fim ganha ainda mais complexidade quando envolve doenças terminais, condições incuráveis e diferentes formas de sofrimento.

De acordo com a especialista, não se trata apenas da dor física. Também existem situações de sofrimento psicológico e existencial que precisam ser avaliadas por profissionais especializados.

“São doenças, são muitos sofrimentos envolvidos, doenças terminais, sofrimentos existenciais”, explicou.

Rayssa destaca que um diagnóstico de sofrimento existencial não deve ser feito de maneira isolada. O paciente pode ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar, com médicos, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais, para compreender a dimensão do sofrimento e avaliar as possibilidades de cuidado.


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Segundo Rayssa Leite, a sedação é um procedimento médico legal utilizado em situações específicas para aliviar sintomas e sofrimentos que não conseguem ser controlados adequadamente por outras medidas.

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