As campanhas de identificação precoce do câncer de mama também chama a atenção para a saúde dos animais de estimação. Cães e gatos podem desenvolver tumores mamários, mais comuns em fêmeas, mas que também podem atingir machos, embora raramente. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) recomenda observar mudanças na região das mamas, manter consultas periódicas e buscar avaliação profissional diante de qualquer alteração.
Nódulos, aumento de volume, vermelhidão, feridas que não cicatrizam ou secreções são sinais que merecem atenção. Nem todo caroço é câncer: os tumores podem ser benignos ou malignos, e somente a avaliação veterinária pode orientar a investigação. Entre os fatores associados ao risco estão a idade e a exposição a hormônios. O uso de anticoncepcionais hormonais sem prescrição também pode elevar o risco e causar outros problemas de saúde.
A médica veterinária Ádria Silva orienta os tutores a observar e palpar delicadamente a região durante os momentos de cuidado com o animal.
“Basta pressionar a mama do pet. Caso sinta um caroço, uma formação de uma massa, bem como perceba uma coloração fora do normal ou até secreção, já pode iniciar a procura por um acompanhamento profissional especializado. Aí fazemos o exame inicial, que é a citologia, ou seja, coletamos material daquela mama para saber como proceder: se é um tumor maligno ou benigno e se o paciente vai passar por cirurgia ou outro tipo de tratamento”, observa.

A citologia pode auxiliar na investigação, mas nem sempre consegue diferenciar um tumor benigno de um maligno. A confirmação costuma depender da análise histopatológica do tecido. O veterinário também pode solicitar exames de imagem e outros procedimentos para avaliar a extensão da doença e definir a conduta mais adequada para cada paciente.
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Castração e acompanhamento devem ser avaliados caso a caso
A castração pode reduzir o risco de tumores mamários, especialmente quando realizada em determinadas fases da vida. A idade ideal, porém, deve ser discutida com um médico-veterinário, considerando espécie, porte, idade e condições de saúde. O CFMV também esclarece que cruzar ou ter filhotes não previne a doença.
O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento. A cirurgia é indicada em muitos casos, mas a decisão depende do tipo e do estágio do tumor, da presença de metástases e do estado geral do animal. Em cães, os pulmões estão entre os locais mais comuns de metástase; em gatos, os linfonodos e os pulmões também são locais frequentes.
“Cada diagnóstico precoce representa uma história que pode ser diferente, uma chance a mais de seguir lado a lado, compartilhando afeto, companhia e vida. Caso o tutor perceba alguma alteração, mas deixe crescer, não tenha atenção, corre o risco de inflamar, de ulcerar, ou seja, abrir uma ferida, e, dependendo do tempo, causar a metástase, quando se espalha por outros órgãos. E o grande ponto é que esses tutores mamários têm um percentual muito alto de metástase, principalmente no pulmão”, afirma Ádria.
A veterinária ressalta que nem toda alteração aparente significa uma emergência, mas recomenda procurar atendimento ao notar mudanças nas mamas. “Na oncologia veterinária, cada caso tratado a tempo representa uma vida preservada, um vínculo protegido, uma história que continua”, finaliza.
