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O que refrigerantes e salgadinhos fazem com sua mente; entenda

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O que refrigerantes e salgadinhos fazem com sua mente; entenda
(Foto: Reprodução)

Dietas ricas em alimentos ultraprocessados vêm sendo associadas ao aumento de sintomas de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais. Pesquisas indicam que o consumo frequente de produtos como refrigerantes, embutidos e salgadinhos pode afetar o funcionamento do cérebro e o humor.

Um estudo da Universidade de São Paulo, que acompanhou cerca de 14 mil pessoas por 15 anos, mostrou que 58% dos participantes desenvolveram problemas de saúde ao mesmo tempo em que mantinham alto consumo desses alimentos. Já entre os que priorizavam alimentos naturais, não houve registro de depressão durante o período analisado.

A relação entre alimentação e saúde mental ganhou espaço em pesquisas científicas nos últimos anos, impulsionando uma área conhecida como psiquiatria nutricional. O foco é compreender como padrões alimentares podem interferir no desenvolvimento ou agravamento de doenças psíquicas.

Outro levantamento, com base no estudo ELSA-Brasil, também identificou que pessoas que consomem mais ultraprocessados têm maior risco de apresentar sintomas depressivos persistentes.

A relação entre alimentação e saúde mental tem ganhado espaço na chamada psiquiatria nutricional, área que estuda como a dieta influencia o funcionamento do cérebro. Especialistas apontam que esses alimentos são ricos em açúcar, gordura e aditivos químicos, e pobres em nutrientes essenciais.

Outro fator investigado é a relação entre intestino e cérebro. Estudos indicam que alterações na microbiota intestinal podem influenciar a produção de neurotransmissores, como a serotonina, relacionada ao humor e ao bem-estar. Dietas pobres em alimentos naturais e ricas em industrializados tendem a reduzir a diversidade de bactérias benéficas no organismo.

Pesquisadores também analisam o impacto das oscilações glicêmicas provocadas pelo consumo frequente de alimentos altamente processados. Picos rápidos de açúcar no sangue podem interferir na disposição, no sono e na estabilidade emocional.

Apesar da associação encontrada, cientistas destacam que ansiedade e depressão são condições multifatoriais. Aspectos genéticos, condições socioeconômicas, rotina de sono, sedentarismo e níveis de estresse também influenciam o surgimento de transtornos mentais.

A recomendação presente em diretrizes de saúde pública é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas frescas. O objetivo é reduzir fatores de risco relacionados tanto às doenças crônicas quanto à saúde mental.


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Ultraprocessados são produtos industriais formulados a partir de ingredientes extraídos de alimentos, combinados com aditivos químicos, aromatizantes, corantes, conservantes e realçadores de sabor. Em geral, passam por várias etapas de processamento e apresentam pouca ou nenhuma presença de ingredientes naturais em sua forma original.

São exemplos de alimentos ultraprocessados:

  • Refrigerantes e bebidas adoçadas
  • Salgadinhos industrializados
  • Biscoitos recheados
  • Macarrão instantâneo
  • Nuggets e empanados congelados
  • Salsichas, mortadelas e outros embutidos
  • Cereais matinais açucarados
  • Barras de chocolate e doces industrializados
  • Pizzas congeladas e refeições prontas
  • Iogurtes com excesso de aditivos e aromatizantes

O tamanho na depressão no Brasil

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta quase 6% da população brasileira, o que corresponde a cerca de 12 milhões de pessoas. No mundo, são mais de 300 milhões de diagnósticos. O tratamento envolve terapia e medicação, mas o gerenciamento da doença também passa pela busca de um estilo de vida mais saudável, priorizando atividade física, alimentação e sono equilibrados. Diversos estudos associam estes fatores a uma melhora global e duradoura.

No Amazonas, dados da Delegacia Regional do Trabalho (AM/RR) mostram que depressão e ansiedade são as doenças que mais afastaram trabalhadores das fábricas do Polo Industrial de Manaus, um sinal claro de que essas doenças viraram uma epidemia no principal modelo de desenvolvimento econômico do Estado.