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Rede de apoio à saúde mental ainda é falha, alerta psicóloga

O Brasil se tornou, em 2025, um dos “campeões mundiais” de ansiedade e está no “top três” dos países com os maiores índices de depressão, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

“Ansiedade, depressão, burnout e crises de pânico tornaram-se parte do vocabulário cotidiano dos brasileiros. Esses termos ecoam nas redes sociais, nas universidades, nos ambientes de trabalho e até nas conversas mais íntimas. A saúde mental entrou em evidência — mas a ampliação do discurso não veio acompanhada de políticas públicas eficazes, acesso real ao cuidado ou transformações estruturais capazes de conter o adoecimento. A crise que vivemos ultrapassa o campo clínico: ela é social, econômica e política”, afirma a professora do curso de Psicologia das Faculdades Martha Falcão Wyden, Aline Vitorino Nunes.

Mestre em Psicologia e Especialista em Saúde Pública, Aline adverte que, ao mesmo tempo em que todos os “atores sociais” pregam que o doente “procure ajuda”, a realidade brasileira mostra que essa ajuda não está disponível a todos, uma vez que o Sistema Único de Saúde enfrenta um processo de sucateamento, além de não ter profissionais em quantidade adequada, gerando uma sobrecarga de trabalho.

Para Aline Nunes, estes números da OMS são decorrentes de problemas reais da sociedade brasileira, como “desemprego persistente, informalidade crescente, violência, instabilidade política, racismo estrutural, aumento da pobreza e sucessivos desmontes de políticas sociais”. Para piorar, ela acrescenta que a pandemia da Covid-19  intensificou as feridas e ampliou desigualdades históricas.


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Doenças laborais

Conforme dados da Delegacia Regional do Trabalho e Emprego do Amazonas (DRTE-AM) e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), a primeira causa de dispensa médica do trabalho nas empresas do Polo Industrial de Manaus é a depressão, doença silenciosa que atinge o trabalhador submetido aos estresses da atividade laboral.

“Nos ambientes de trabalho, o cenário preocupa. Apesar de o burnout ter sido oficialmente reconhecido como fenômeno ocupacional, as condições laborais permanecem adoecidas. Exigências desumanas, assédio moral, metas inalcançáveis, salários defasados e o medo constante do desemprego formam um terreno fértil para o esgotamento. O cansaço vira culpa individual, quando deveria ser entendido como consequência de um modelo produtivo que corrói a saúde física e emocional dos trabalhadores”, analisa Aline Nunes.

Para a professora, chama especial atenção o adoecimento mental de jovens, que estão submetidos a pressões por desempenho, acesso ao ensino superior, precarização de oportunidades e a exposição incessante às redes sociais. “A promessa de mobilidade social convive com a ausência de perspectivas concretas — e a conta emocional dessa dissonância tem sido paga com sofrimento intenso, automutilação, uso abusivo de substâncias e aumento de comportamentos suicidas” afirma Aline.

Problema é mundial

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em relatório de outubro, revelam que mais de um bilhão de pessoas em todo o planeta vivem com algum tipo de transtorno mental. Entre eles, ansiedade e depressão. O cenário causa imensos prejuízos humanos e econômicos, alerta a instituição.

“O suicídio permanece como uma consequência devastadora, ceifando cerca de 721 mil vidas apenas em 2021 em todo o planeta”, alertou a OMS. A organização citou o suicídio como uma das principais causas de morte entre jovens em todos os países e contextos socioeconômicos.

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“Ansiedade, depressão, burnout e crises de pânico tornaram-se parte do vocabulário cotidiano dos brasileiros. Esses termos ecoam nas redes sociais, nas universidades, nos ambientes de trabalho e até nas conversas mais íntimas. A saúde mental entrou em evidência — mas a ampliação do discurso não veio acompanhada de políticas públicas eficazes, acesso real ao cuidado ou transformações estruturais capazes de conter o adoecimento. A crise que vivemos ultrapassa o campo clínico: ela é social, econômica e política”, afirma a professora do curso de Psicologia das Faculdades Martha Falcão Wyden, Aline Vitorino Nunes.

Mestre em Psicologia e Especialista em Saúde Pública, Aline adverte que, ao mesmo tempo em que todos os “atores sociais” pregam que o doente “procure ajuda”, a realidade brasileira mostra que essa ajuda não está disponível a todos, uma vez que o Sistema Único de Saúde enfrenta um processo de sucateamento, além de não ter profissionais em quantidade adequada, gerando uma sobrecarga de trabalho.

Para Aline Nunes, estes números da OMS são decorrentes de problemas reais da sociedade brasileira, como “desemprego persistente, informalidade crescente, violência, instabilidade política, racismo estrutural, aumento da pobreza e sucessivos desmontes de políticas sociais”. Para piorar, ela acrescenta que a pandemia da Covid-19  intensificou as feridas e ampliou desigualdades históricas.


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