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Sexualidade no Brasil: progressos, mitos e obstáculos atuais

A sexualidade é um assunto cada vez mais comum nas conversas, superando o medo que havia em décadas anteriores. Atualmente, a curiosidade e a vontade de entender o tema impulsionam estudos e discussões. Apesar disso, homens e mulheres ainda lidam com tabus arraigados e preconceitos históricos.

Em entrevista à Rádio Câmara, a sexóloga Maria Helena Brandão, explica que o sexo é uma manifestação fisiológica, ao passo que a sexualidade é de natureza cultural e, por essa razão, muda ao longo do tempo. Ela recorda que, no começo da humanidade, era instintiva; na Idade Média, sufocada; e, hoje em dia, pode ser expressa livremente.

No entanto, ressalta que “não nos livramos tão facilmente de toda essa cultura que temos carregado ao longo dos anos”.

“Mas obviamente que a gente tem aí uma cultura de milhares e milhares de anos, que ela simplesmente não vai embora só porque a gente aprendeu ou sabe que sexo faz parte da vida do ser humano, que ele não tem nada de errado e que é exatamente o contrário: que ele é importante para a vida da gente. Então a gente não se desvencilha tão fácil de toda essa cultura que a gente vem trazendo ao longo desses anos”, explica.

A psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, destaca que os mitos ainda permanecem.

“Mas ainda temos muitos conceitos errôneos, como por exemplo: o brasileiro quer saber se a frequência sexual tem que ter um determinado número ou se ele pode ser livre e fazer sexo quantas vezes ele sentir necessidade; o tamanho de pênis também é uma preocupação muito grande de nossos homens e o equívoco de que o pênis quanto maior, mais prazer dá o homem à sua parceira; até o próprio ciclo fértil da mulher ainda é desconhecido gerando uma série de ideias que não correspondem à realidade”, observa.

Maria Helena considera que a sexualidade dos brasileiros atualmente é mais prazerosa, graças à comunicação entre os parceiros e ao acesso à informação. Para ela, a virgindade e a abstinência são, progressivamente, questões de opção e oportunidade.

“E com isso, eu não acredito nessa questão da manutenção da virgindade, da abstinência sexual. Eu acho que isso é apenas uma questão de oportunidade. No mundo em que a gente vive hoje, os jovens não vivem mais em um mundo onde o sexo seja proibido. A sociedade não reprime mais essa sexualidade dos jovens e eles têm muita oportunidade de estarem juntos, vivendo sua intimidade, vivendo um relacionamento, inclusive extremamente positivo, desde que eles assumam isso, tenham condições de assumir isso com responsabilidade”, comenta.

A atenção dada à sexualidade também impacta a saúde em geral. Carmita ressalta que problemas sexuais podem estar ligados a condições de saúde físicas ou emocionais, como diabetes, hipertensão e depressão. Maria Helena, por outro lado, chama a atenção para o efeito negativo do estresse e da velocidade da vida, que afetam o desempenho e o desejo.

“Os brasileiros procuram agora primeiro se estabelecerem porque têm a liberdade sexual, podem desfrutar do exercício da sexualidade sem estarem casados. E deixam para mais tarde essas uniões, exatamente no momento em que privilegiam constituir mesmo uma família e ter filhos”, conclui.

Em geral, as pesquisas de Maria Helena indicam que a sexualidade dos brasileiros “vai bem”, apesar de alguns ainda enfrentarem desafios. Ela chega à conclusão de que não há uma fórmula única: a melhor sexualidade é a que é criada de acordo com os desejos e expectativas de cada pessoa.

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A sexualidade é um assunto cada vez mais comum nas conversas, superando o medo que havia em décadas anteriores. Atualmente, a curiosidade e a vontade de entender o tema impulsionam estudos e discussões. Apesar disso, homens e mulheres ainda lidam com tabus arraigados e preconceitos históricos.

Em entrevista à Rádio Câmara, a sexóloga Maria Helena Brandão, explica que o sexo é uma manifestação fisiológica, ao passo que a sexualidade é de natureza cultural e, por essa razão, muda ao longo do tempo. Ela recorda que, no começo da humanidade, era instintiva; na Idade Média, sufocada; e, hoje em dia, pode ser expressa livremente.

No entanto, ressalta que “não nos livramos tão facilmente de toda essa cultura que temos carregado ao longo dos anos”.

“Mas obviamente que a gente tem aí uma cultura de milhares e milhares de anos, que ela simplesmente não vai embora só porque a gente aprendeu ou sabe que sexo faz parte da vida do ser humano, que ele não tem nada de errado e que é exatamente o contrário: que ele é importante para a vida da gente. Então a gente não se desvencilha tão fácil de toda essa cultura que a gente vem trazendo ao longo desses anos”, explica.

A psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, destaca que os mitos ainda permanecem.

“Mas ainda temos muitos conceitos errôneos, como por exemplo: o brasileiro quer saber se a frequência sexual tem que ter um determinado número ou se ele pode ser livre e fazer sexo quantas vezes ele sentir necessidade; o tamanho de pênis também é uma preocupação muito grande de nossos homens e o equívoco de que o pênis quanto maior, mais prazer dá o homem à sua parceira; até o próprio ciclo fértil da mulher ainda é desconhecido gerando uma série de ideias que não correspondem à realidade”, observa.

Maria Helena considera que a sexualidade dos brasileiros atualmente é mais prazerosa, graças à comunicação entre os parceiros e ao acesso à informação. Para ela, a virgindade e a abstinência são, progressivamente, questões de opção e oportunidade.

“E com isso, eu não acredito nessa questão da manutenção da virgindade, da abstinência sexual. Eu acho que isso é apenas uma questão de oportunidade. No mundo em que a gente vive hoje, os jovens não vivem mais em um mundo onde o sexo seja proibido. A sociedade não reprime mais essa sexualidade dos jovens e eles têm muita oportunidade de estarem juntos, vivendo sua intimidade, vivendo um relacionamento, inclusive extremamente positivo, desde que eles assumam isso, tenham condições de assumir isso com responsabilidade”, comenta.

A atenção dada à sexualidade também impacta a saúde em geral. Carmita ressalta que problemas sexuais podem estar ligados a condições de saúde físicas ou emocionais, como diabetes, hipertensão e depressão. Maria Helena, por outro lado, chama a atenção para o efeito negativo do estresse e da velocidade da vida, que afetam o desempenho e o desejo.

“Os brasileiros procuram agora primeiro se estabelecerem porque têm a liberdade sexual, podem desfrutar do exercício da sexualidade sem estarem casados. E deixam para mais tarde essas uniões, exatamente no momento em que privilegiam constituir mesmo uma família e ter filhos”, conclui.

Em geral, as pesquisas de Maria Helena indicam que a sexualidade dos brasileiros “vai bem”, apesar de alguns ainda enfrentarem desafios. Ela chega à conclusão de que não há uma fórmula única: a melhor sexualidade é a que é criada de acordo com os desejos e expectativas de cada pessoa.

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Josemar Antunes
Josemar Antunes
Josemar Antunes é jornalista formado pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte). Desde 2014, atua com experiências em matérias de polícia, esportes entre outras editorias.

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