Sintomas como ansiedade, tristeza, irritabilidade e falta de disposição nem sempre estão relacionados exclusivamente à saúde mental. Em alguns casos, essas manifestações podem estar associadas a alterações hormonais provocadas por doenças da tireoide, uma glândula que desempenha funções importantes no organismo e pode ter seus problemas confundidos com transtornos emocionais.
O alerta é da endocrinologista Renata Bussuan. Segundo a especialista, os hormônios produzidos pela tireoide atuam em praticamente todo o organismo, inclusive no cérebro, influenciando o metabolismo, o sono, a memória, a concentração e o estado emocional.

“Quando existe uma alteração importante na quantidade desses hormônios, o paciente pode perceber mudanças não apenas físicas, mas também na forma como se sente e se comporta”, explica Renata.
Ansiedade e tristeza podem indicar alterações hormonais
De acordo com a endocrinologista, o hipotireoidismo e o hipertireoidismo podem provocar manifestações diferentes.
“Quando temos hormônio tireoidiano de menos, como acontece no hipotireoidismo, várias funções ficam mais lentas. Quando temos hormônio em excesso, como no hipertireoidismo, o organismo tende a ficar acelerado. E o cérebro acompanha essas alterações”, afirma a médica.
No hipotireoidismo, podem surgir sintomas semelhantes aos da depressão, como tristeza, desânimo e falta de motivação. No hipertireoidismo, ansiedade, nervosismo e irritabilidade podem ganhar destaque.
A especialista ressalta, entretanto, que apresentar ansiedade ou depressão não significa necessariamente ter uma doença da tireoide. As condições podem ocorrer de forma independente ou aparecer simultaneamente.
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Quando é necessário investigar?
Um dos principais sinais de alerta é a presença de sintomas emocionais acompanhados de alterações físicas. No hipotireoidismo, os pacientes podem apresentar intolerância ao frio, pele seca, queda de cabelo, prisão de ventre, alterações menstruais, aumento do colesterol e tendência ao ganho de peso.
No hipertireoidismo, os sinais podem incluir palpitações, tremores nas mãos, suor excessivo, intolerância ao calor, perda de peso mesmo com a alimentação mantida ou aumentada, aumento do funcionamento intestinal e fraqueza muscular.
Quando essas manifestações aparecem em conjunto, é importante procurar avaliação médica para investigar as possíveis causas.
A confirmação de alterações na função da tireoide é feita por meio de exames de sangue. O TSH costuma ser o principal exame inicial e pode ser complementado pela dosagem de T4 livre e, em situações específicas, de T3.
Mulheres e pessoas com histórico familiar precisam de atenção
Segundo Renata Bussuan, as doenças autoimunes da tireoide, como a tireoidite de Hashimoto, são mais frequentes em mulheres e podem ocorrer em pessoas da mesma família.
A especialista também destaca a importância de atenção especial durante a gestação, após o parto e com o avanço da idade. Nessas situações, a avaliação médica pode ajudar a identificar alterações que precisam de acompanhamento.
O tratamento varia conforme o diagnóstico. No hipotireoidismo, geralmente é feita a reposição hormonal com levotiroxina. No hipertireoidismo, as opções incluem medicamentos e, em casos específicos, iodo radioativo ou cirurgia.
A médica alerta ainda que a normalização dos hormônios não garante o desaparecimento de todos os sintomas emocionais. Se a ansiedade, a tristeza ou a falta de motivação persistirem, outras causas devem ser investigadas, com acompanhamento de profissionais de saúde mental quando necessário.
“A tireoide e a saúde emocional têm uma relação importante, mas não podemos transformar todo sintoma emocional em problema hormonal e nem ignorar a possibilidade de uma alteração hormonal quando existe um conjunto de sinais sugestivos. O ideal é olhar o paciente como um todo”, conclui Renata.
