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EUA citam etanol, açúcar e acordos comerciais para justificar tarifaço contra o Brasil

O etanol voltou ao centro das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após o governo norte-americano incluir o combustível entre as justificativas para a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7) e integra a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

Brasil e Estados Unidos são os dois maiores produtores mundiais de etanol e, juntos, responderam por cerca de 81% da produção global do biocombustível em 2024. Enquanto o produto brasileiro é fabricado principalmente a partir da cana-de-açúcar, a indústria norte-americana utiliza majoritariamente o milho. Apesar da atuação conjunta na promoção internacional dos biocombustíveis, os países acumulam divergências tarifárias há quase duas décadas.

Segundo o USTR, o Brasil abandonou o tratamento comercial considerado recíproco ao criar, em 2017, uma cota de importação com isenção para 600 milhões de litros e cobrar tarifa sobre os volumes excedentes. Atualmente, o país aplica uma alíquota de 18% ao etanol importado, em vigor desde fevereiro de 2023. Antes da nova sobretaxa, o combustível brasileiro entrava nos Estados Unidos com tarifa básica entre 1,9% e 2,5%, dependendo da classificação aduaneira — e não de 12,5%, como informado anteriormente.

O setor brasileiro rejeita a acusação de tratamento discriminatório e sustenta que a tarifa de 18% vale para qualquer país fora do Mercosul. Entidades também afirmam que a forte redução das compras de etanol norte-americano decorre do crescimento da produção brasileira de combustível de milho. Em 2024, o Brasil importou apenas 500 mil litros dos Estados Unidos, enquanto o mercado norte-americano recebeu cerca de 400 milhões de litros do produto brasileiro.

Em 2025, os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro, movimentando aproximadamente US$ 163 milhões e ocupando a posição de segundo principal destino internacional do setor, atrás da Coreia do Sul. Com a tarifa adicional de 25%, representantes das usinas avaliam que os embarques podem perder competitividade e sofrer forte redução.

A controvérsia também alcança o açúcar. Produtores brasileiros argumentam que Washington pede maior acesso para seu etanol, mas mantém cotas e tarifas que limitam a entrada do açúcar do Brasil. Em 2025, os norte-americanos importaram 420 mil toneladas do produto brasileiro, diante de 1,12 milhão de toneladas no ano anterior. O setor sucroenergético defende que qualquer negociação sobre o combustível seja acompanhada pela ampliação das cotas de açúcar destinadas ao Brasil.

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O etanol voltou ao centro das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após o governo norte-americano incluir o combustível entre as justificativas para a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7) e integra a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

Brasil e Estados Unidos são os dois maiores produtores mundiais de etanol e, juntos, responderam por cerca de 81% da produção global do biocombustível em 2024. Enquanto o produto brasileiro é fabricado principalmente a partir da cana-de-açúcar, a indústria norte-americana utiliza majoritariamente o milho. Apesar da atuação conjunta na promoção internacional dos biocombustíveis, os países acumulam divergências tarifárias há quase duas décadas.

Segundo o USTR, o Brasil abandonou o tratamento comercial considerado recíproco ao criar, em 2017, uma cota de importação com isenção para 600 milhões de litros e cobrar tarifa sobre os volumes excedentes. Atualmente, o país aplica uma alíquota de 18% ao etanol importado, em vigor desde fevereiro de 2023. Antes da nova sobretaxa, o combustível brasileiro entrava nos Estados Unidos com tarifa básica entre 1,9% e 2,5%, dependendo da classificação aduaneira — e não de 12,5%, como informado anteriormente.

O setor brasileiro rejeita a acusação de tratamento discriminatório e sustenta que a tarifa de 18% vale para qualquer país fora do Mercosul. Entidades também afirmam que a forte redução das compras de etanol norte-americano decorre do crescimento da produção brasileira de combustível de milho. Em 2024, o Brasil importou apenas 500 mil litros dos Estados Unidos, enquanto o mercado norte-americano recebeu cerca de 400 milhões de litros do produto brasileiro.

Em 2025, os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro, movimentando aproximadamente US$ 163 milhões e ocupando a posição de segundo principal destino internacional do setor, atrás da Coreia do Sul. Com a tarifa adicional de 25%, representantes das usinas avaliam que os embarques podem perder competitividade e sofrer forte redução.

A controvérsia também alcança o açúcar. Produtores brasileiros argumentam que Washington pede maior acesso para seu etanol, mas mantém cotas e tarifas que limitam a entrada do açúcar do Brasil. Em 2025, os norte-americanos importaram 420 mil toneladas do produto brasileiro, diante de 1,12 milhão de toneladas no ano anterior. O setor sucroenergético defende que qualquer negociação sobre o combustível seja acompanhada pela ampliação das cotas de açúcar destinadas ao Brasil.

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