Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção nos últimos dias para exigir acesso ao próprio dinheiro após a crise envolvendo o Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de três milhões de clientes. Os manifestantes cobram a devolução dos valores retidos na instituição e criticam a possibilidade de utilização de recursos públicos para cobrir os prejuízos provocados pelo colapso financeiro.

Durante os protestos, manifestantes também questionaram a participação de recursos do Estado nos investimentos mantidos pelo banco e cobraram explicações das autoridades sobre a fiscalização da instituição.
“Roubaram o dinheiro do Estado e agora querem repor o que roubaram com o dinheiro do Estado outra vez”, gritou um dos participantes do ato, ao criticar a possibilidade de utilizar novamente dinheiro público para solucionar a crise.
A situação também provocou preocupação entre aposentados e jovens paraguaios, diante do risco de comprometimento dos recursos previdenciários. Em um dos discursos registrados durante a manifestação, um jovem afirmou que os efeitos da crise atingem diferentes gerações.
“Eu também tenho avós que estão aposentados, eu também tenho gente que me importa, que é afetada por isso. E eu não vou ficar quieto”, declarou.
Os manifestantes também cobraram responsabilização dos envolvidos e defenderam a mobilização conjunta de aposentados e jovens.
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O brasileiro Diego, que mora no Paraguai e compartilha nas redes sociais a rotina na região de fronteira, também foi afetado pela crise do Ueno Bank. Ele relatou que mantinha sua conta principal na instituição e ficou sem acesso ao dinheiro após o bloqueio dos saldos e a suspensão das operações bancárias.
“Eu sou um dos prejudicados, tenho dinheiro lá, é minha conta principal. O banco fechou as portas e bloqueou saldo, bloqueou tudo e todo mundo. É uma coisa muito séria, inclusive estou bem preocupado. Vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias”, afirmou.
O Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar os impactos da crise sobre o sistema financeiro. A situação levou à renúncia do presidente do BC, Carlos Carvallo, e aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña. Durante os atos, os manifestantes também entoaram palavras de ordem contra o presidente e exigiram a abertura de um processo de julgamento político.
