O Ueno Bank, instituição financeira que desencadeou uma crise no sistema financeiro do Paraguai e levou à renúncia do presidente Santiago Peña, vem sendo comparado ao Banco Master, no Brasil. Os dois casos têm semelhanças, mas também diferenças.
O Ueno entrou em processo de resolução no dia 2 de novembro, depois que o Banco Central do Paraguai identificou problemas de capital e operações de crédito com empresas ligadas ao grupo controlador. O rombo constatado ultrapassa R$ 4 bilhões.
A investigação aponta que o crescimento acelerado e atípico do banco ocorreu por meio da concessão excessiva de crédito a empresas do próprio grupo controlador. O Banco Central assumiu o controle da instituição e começou a reorganizar seus ativos e passivos para proteger os depositantes.
Estratégias de captação
No Brasil, o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima da média do mercado, tendo a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como um dos atrativos para investidores. No Paraguai, o Ueno apostou em abertura digital de contas, cartões, descontos e devolução de até 40% do valor de compras.
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Recursos públicos e proximidade política
Os dois bancos receberam recursos públicos. No Brasil, regimes próprios de previdência de estados e municípios aplicaram cerca de R$ 1,9 bilhão no Master, sem cobertura do FGC.
No Paraguai, o Ueno administrava aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) de órgãos públicos e recebeu aportes expressivos de fundos previdenciários, o que comprometeu reservas de aposentados, como também ocorreu no caso do Master.
Ambos tinham proximidade com o setor político. No Ueno, o regulador identificou empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador. No Master, um dos episódios centrais foi a tentativa de aquisição pelo Banco de Brasília (BRB), barrada pelo Banco Central em 2025.
Diferenças de peso e desdobramentos
O Master, liquidado em novembro de 2025, tinha R$ 86,8 bilhões em ativos, mas representava cerca de 0,55% das captações do sistema brasileiro. O Ueno, por sua vez, possuía aproximadamente US$ 3,75 bilhões (R$ 20 bilhões) em ativos e concentrava 9,1% dos depósitos do Paraguai. O escândalo atinge cerca de 3 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 40% da população paraguaia.
Daniel Vorcaro, ex-dirigente do Master, está preso sob suspeita de fraude financeira. No Paraguai, até o momento, o escândalo provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvalho, e, no âmbito judicial, a prisão de oito executivos ligados à instituição.
