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PT do Amazonas vive crise interna às vésperas da Eleição 2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta uma série de divisões internas no Amazonas às vésperas das eleições de 2026. A legenda parece ser formada mais por inimigos do que por aliados, e fatos que demonstram isso não faltam.

A candidatura de Marcelo Ramos ao Senado, por exemplo, é defendida por parte da legenda no estado, mas sofre restrições do Diretório Nacional. Já o presidente estadual do PT, deputado Sinésio Campos, apoia a candidatura do senador Omar Aziz (PSD) ao governo do Amazonas, mas vinha participando de eventos com o candidato ao Senado pelo União Brasil. Some-se a isso o caso recente do presidente do Diretório Municipal da legenda em Manaus, Valdemir Santana, que prestou apoio jurídico a um vereador do PV contra um político do seu próprio partido, que entrou na Justiça para conseguir essa vaga na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Essas divisões atrapalham qualquer intenção de consolidar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Amazonas. Afinal, Manaus, que é o maior colégio eleitoral do estado, é também a cidade onde o petista apresenta a maior rejeição no eleitorado.

“O PT no Amazonas não passa de uma sigla nanica eleitoral e tem contribuído para o pior da política, incluindo o fisiologismo e as omissões diante das mazelas sociais e ambientais do Estado. Nas últimas eleições, apenas diminuiu o número de eleitos pela sigla. E, quando lança uma chapa majoritária conduzida pelo Diretório Nacional, sem qualquer organização, como ocorreu no último pleito em Manaus, obtém uma votação vexatória”, analisa o cientista político Carlos Santiago.

Entre os pontos de tensão internos está o caso de Marcelo Ramos, cuja pré-candidatura ao Senado sofre resistência do Diretório Nacional do PT, que estaria disposto a atender a um pedido do senador Eduardo Braga (MDB), um dos principais apoiadores do governo Lula no Congresso Nacional, para que ele seja o único candidato ao Senado pela chapa formada com o Partido dos Trabalhadores no Amazonas. Mesmo assim, Ramos afirmou que vai apresentar sua pré-candidatura na Convenção Estadual, o que transferiria para Brasília a responsabilidade por retirá-lo da disputa.

Em consequência dessa disputa interna no PT, aparece o presidente do Diretório Estadual, Sinésio Campos, que apoia a candidatura de Marcelo ao Senado, mesmo sabendo que ela poderá ser revertida em Brasília, e, volta e até há algumas semanas, era visto em eventos do ex-governador Wilson Lima, de quem foi muito próximo durante os sete anos de seu governo, que é candidato ao Senado.

Disputa jurídica envolve vereador cassado e diretório municipal do PT

Outro capítulo de divergência interna no PT envolve o presidente do Diretório Municipal de Manaus, Valdemir Santana, que também preside a Central Única dos Trabalhadores no Amazonas (CUT-AM), e o ex-vereador Sassá da Construção Civil, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomec). Sassá mantém uma disputa na Justiça Eleitoral para assumir um mandato na Câmara Municipal de Manaus no lugar de Jaildo dos Rodoviários (PV), que foi cassado pela Justiça Eleitoral por improbidade administrativa no uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Cotão).

Na última semana, Sassá obteve uma vitória judicial e chegou a ser chamado para assumir o mandato. Uma liminar, no entanto, manteve Jaildo no cargo e revelou que Valdemir Santana pediu, em cartório, a anulação do processo contra o vereador, afirmando nunca ter autorizado a ação movida por Sassá que resultou na perda do mandato de Jaildo.

Segundo o PT Municipal, a ação contra Jaildo, de 2010, já havia perdido validade e o partido teria desistido do processo, sem autorizar Sassá a mover nova ação contra o vereador.

“Hoje quem manda no partido é uma maioria que sempre apoia os caciques e os governantes, com o objetivo de conseguir cargos públicos por meio de nomeações, inclusive de parentes dos presidentes dos diretórios municipal e estadual. Isso se reflete na baixa adesão contrária à eliminação da pré-candidatura de Marcelo Ramos e na atuação do principal dirigente municipal para inviabilizar o retorno de Sassá da Construção Civil, aliado do ex-prefeito David Almeida, ao Poder Legislativo de Manaus”, avalia Carlos Santiago.

Para o cientista político, diante das divisões internas, da baixa força eleitoral e do predomínio de grupos fisiológicos e aliados de caciques locais, o Diretório Nacional tende a conduzir o partido no estado de acordo com os interesses da política em Brasília, o que reduziria a autonomia do diretório local.

Professor da Ufam aponta falta de projeto de unidade no PT

O professor de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Luiz Antônio Souza, filiado ao partido, afirma que o PT no Amazonas enfrenta um problema antigo de fragmentação e não consegue estruturar um projeto de unidade.

“O que dá unidade aos petistas do Amazonas? Isso tem faltado e, à medida que você não tem uma variável comum a todo mundo, a gente fica correndo cada um para um lado. Falta um projeto de unidade na diversidade”, analisa.

Segundo Luiz Antônio Souza, sem essa unidade, os diferentes grupos do partido buscam, “de forma legítima”, se apoiar em espaços de poder e de governo.

“Muitas vezes é possível o PT não fazer aliança com um Governo do Estado, mas você vai lá no governo e lá dentro tem três ou quatro forças políticas do PT ocupando espaço no governo. Isso é ruim porque você não tem um projeto de partido, mas um projeto de grupos dentro do PT”, completa o professor.

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O Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta uma série de divisões internas no Amazonas às vésperas das eleições de 2026. A legenda parece ser formada mais por inimigos do que por aliados, e fatos que demonstram isso não faltam.

A candidatura de Marcelo Ramos ao Senado, por exemplo, é defendida por parte da legenda no estado, mas sofre restrições do Diretório Nacional. Já o presidente estadual do PT, deputado Sinésio Campos, apoia a candidatura do senador Omar Aziz (PSD) ao governo do Amazonas, mas vinha participando de eventos com o candidato ao Senado pelo União Brasil. Some-se a isso o caso recente do presidente do Diretório Municipal da legenda em Manaus, Valdemir Santana, que prestou apoio jurídico a um vereador do PV contra um político do seu próprio partido, que entrou na Justiça para conseguir essa vaga na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Essas divisões atrapalham qualquer intenção de consolidar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Amazonas. Afinal, Manaus, que é o maior colégio eleitoral do estado, é também a cidade onde o petista apresenta a maior rejeição no eleitorado.

“O PT no Amazonas não passa de uma sigla nanica eleitoral e tem contribuído para o pior da política, incluindo o fisiologismo e as omissões diante das mazelas sociais e ambientais do Estado. Nas últimas eleições, apenas diminuiu o número de eleitos pela sigla. E, quando lança uma chapa majoritária conduzida pelo Diretório Nacional, sem qualquer organização, como ocorreu no último pleito em Manaus, obtém uma votação vexatória”, analisa o cientista político Carlos Santiago.

Entre os pontos de tensão internos está o caso de Marcelo Ramos, cuja pré-candidatura ao Senado sofre resistência do Diretório Nacional do PT, que estaria disposto a atender a um pedido do senador Eduardo Braga (MDB), um dos principais apoiadores do governo Lula no Congresso Nacional, para que ele seja o único candidato ao Senado pela chapa formada com o Partido dos Trabalhadores no Amazonas. Mesmo assim, Ramos afirmou que vai apresentar sua pré-candidatura na Convenção Estadual, o que transferiria para Brasília a responsabilidade por retirá-lo da disputa.

Em consequência dessa disputa interna no PT, aparece o presidente do Diretório Estadual, Sinésio Campos, que apoia a candidatura de Marcelo ao Senado, mesmo sabendo que ela poderá ser revertida em Brasília, e, volta e até há algumas semanas, era visto em eventos do ex-governador Wilson Lima, de quem foi muito próximo durante os sete anos de seu governo, que é candidato ao Senado.

Disputa jurídica envolve vereador cassado e diretório municipal do PT

Outro capítulo de divergência interna no PT envolve o presidente do Diretório Municipal de Manaus, Valdemir Santana, que também preside a Central Única dos Trabalhadores no Amazonas (CUT-AM), e o ex-vereador Sassá da Construção Civil, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomec). Sassá mantém uma disputa na Justiça Eleitoral para assumir um mandato na Câmara Municipal de Manaus no lugar de Jaildo dos Rodoviários (PV), que foi cassado pela Justiça Eleitoral por improbidade administrativa no uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Cotão).

Na última semana, Sassá obteve uma vitória judicial e chegou a ser chamado para assumir o mandato. Uma liminar, no entanto, manteve Jaildo no cargo e revelou que Valdemir Santana pediu, em cartório, a anulação do processo contra o vereador, afirmando nunca ter autorizado a ação movida por Sassá que resultou na perda do mandato de Jaildo.

Segundo o PT Municipal, a ação contra Jaildo, de 2010, já havia perdido validade e o partido teria desistido do processo, sem autorizar Sassá a mover nova ação contra o vereador.

“Hoje quem manda no partido é uma maioria que sempre apoia os caciques e os governantes, com o objetivo de conseguir cargos públicos por meio de nomeações, inclusive de parentes dos presidentes dos diretórios municipal e estadual. Isso se reflete na baixa adesão contrária à eliminação da pré-candidatura de Marcelo Ramos e na atuação do principal dirigente municipal para inviabilizar o retorno de Sassá da Construção Civil, aliado do ex-prefeito David Almeida, ao Poder Legislativo de Manaus”, avalia Carlos Santiago.

Para o cientista político, diante das divisões internas, da baixa força eleitoral e do predomínio de grupos fisiológicos e aliados de caciques locais, o Diretório Nacional tende a conduzir o partido no estado de acordo com os interesses da política em Brasília, o que reduziria a autonomia do diretório local.

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