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Coletiva sobre greve termina em disputa política

A coletiva concedida pelo prefeito de Manaus, Renato Junior, do Avante, nesta terça-feira (21) para tratar da paralisação parcial do transporte coletivo, seguiu para o campo eleitoral. O encontro com a imprensa havia sido convocado para apresentar a posição da Prefeitura sobre a greve dos rodoviários, mas boa parte do tempo foi dedicada a cobranças contra o governador Roberto Cidade, do União Brasil, pelos não repasses do passe livre estudantil da rede estadual. A pauta operacional, voltada à solução da greve, deu lugar a um confronto político.

Ao direcionar as críticas ao Governo do Amazonas, Renato levou o debate para além da paralisação dos ônibus. Em vez de concentrar a discussão nas negociações para restabelecer o serviço, o prefeito colocou em evidência o impasse envolvendo o financiamento do benefício estudantil e ampliou um embate institucional que já vinha sendo observado entre Prefeitura e Estado.

Segundo Renato, a Prefeitura mantém em dia os pagamentos referentes aos estudantes da rede municipal, enquanto o Governo do Estado ainda não teria realizado repasses ao sistema de transporte em 2026 para custear o benefício dos alunos da rede estadual. Uma petição do Sindicato das Empresas de Transporte, o Sinetram, protocolada na Justiça do Trabalho em 8 de julho (quase duas semanas antes da coletiva), mostra, no entanto, que o próprio município está inadimplente com o sistema.

O documento aponta débito de R$ 89,1 milhões referentes a 2026, sendo R$ 11,2 milhões de abril e R$ 23,7 milhões de maio, já vencidos, além de uma previsão de R$ 54,2 milhões para junho. Somado o débito remanescente de 2025, de mais de R$ 101 milhões, o passivo do município junto ao sistema chega a R$ 190,4 milhões. Em audiência anterior, o então presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) já havia reconhecido esse descompasso, ao admitir um custo mensal do sistema de cerca de R$ 81 milhões contra um repasse municipal de apenas R$ 20 milhões.

Cobrança pública ao governador

Durante a coletiva, Renato desafiou publicamente Roberto Cidade a apresentar comprovantes de pagamentos realizados neste ano ao sistema de transporte. Em seguida, disse que tentou resolver a questão por meio do diálogo institucional, mas afirmou não ter obtido resposta do Governo do Estado.

Em outra coletiva, o vice-governador Serafim Correa, que está à frente do Governo enquanto Roberto Cidade cumpre agenda fora do Estado, rebateu as acusações do prefeito de Manaus. Segundo Corrêa, “o que é responsabilidade do Estado está definido em uma decisão judicial, pagar R$ 3 milhões por mês. Em seis meses, isso totaliza R$ 18 milhões. Agora, numa ação protocolada na Justiça do Trabalho, os trabalhadores afirmam isso, e o próprio Sinetram reconhece ser credor de aproximadamente R$ 190 milhões da Prefeitura de Manaus”. O valor citado por Corrêa corresponde ao apurado na notificação extrajudicial e na petição do próprio Sinetram.

Transporte perde espaço para o confronto político

O momento de maior repercussão ocorreu quando Renato deixou de abordar diretamente a operação do transporte coletivo e passou a fazer críticas ao governador, afirmando que ele deveria priorizar o exercício do cargo.

“Governador Roberto Cidade, sente na cadeira. A cadeira de governador está vazia, não tem ninguém sentado. Chega de brincadeira. Se apresente como pré-candidato, não tem problema, seja pré-candidato. Agora cumpra pelo menos uma liminar que foi deferida pela Justiça”, declarou.

Em seguida, voltou a cobrar uma interlocução institucional com o Executivo estadual. “Como prefeito de Manaus eu tentei o diálogo institucional. Lamentavelmente, não consegui. Se o prefeito não consegue diálogo com o governador, que foge do prefeito como o diabo foge da cruz, faz ideia o povo do interior”, disse.

As declarações mudaram o eixo da coletiva. A greve dos rodoviários, motivo original da convocação da imprensa, passou a dividir espaço, e depois perdeu prioridade, diante das cobranças sobre o passe livre estudantil e das críticas dirigidas ao governador.

Enquanto prefeito e vice-governador discutiam de quem é a responsabilidade pelo repasse, o presidente do sindicato dos trabalhadores em transporte, Givancir Oliveira, que revelou na coletiva integrar o mesmo grupo político do prefeito Renato, defendia publicamente a paralisação como último recurso diante de salários atrasados havia semanas. Em sua fala, ele atribuiu a crise aos empresários e ao Governo do Estado, sem mencionar a dívida da Prefeitura apontada pela petição do Sinetram.


Leia mais

Renato Junior nega dívida com Sinetram e promete revelar políticos por trás da greve

Justiça determina fim da greve e circulação de 100% dos ônibus em Manaus


Debate ultrapassa a crise do transporte

Ao mencionar que Roberto Cidade poderia se apresentar como pré-candidato, Renato também inseriu a discussão no contexto das eleições de 2026. A referência ampliou o alcance político da entrevista e reforçou o ambiente de disputa entre Prefeitura de Manaus e Governo do Amazonas.

Mais do que discutir os impactos imediatos da paralisação, a coletiva evidenciou que o transporte coletivo passou a ser usado como espaço para um embate político entre os dois gestores. O foco da entrevista, que deveria ser a solução da greve, deu lugar a divergências sobre responsabilidades administrativas e ao cumprimento do convênio do passe livre estudantil.

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A coletiva concedida pelo prefeito de Manaus, Renato Junior, do Avante, nesta terça-feira (21) para tratar da paralisação parcial do transporte coletivo, seguiu para o campo eleitoral. O encontro com a imprensa havia sido convocado para apresentar a posição da Prefeitura sobre a greve dos rodoviários, mas boa parte do tempo foi dedicada a cobranças contra o governador Roberto Cidade, do União Brasil, pelos não repasses do passe livre estudantil da rede estadual. A pauta operacional, voltada à solução da greve, deu lugar a um confronto político.

Ao direcionar as críticas ao Governo do Amazonas, Renato levou o debate para além da paralisação dos ônibus. Em vez de concentrar a discussão nas negociações para restabelecer o serviço, o prefeito colocou em evidência o impasse envolvendo o financiamento do benefício estudantil e ampliou um embate institucional que já vinha sendo observado entre Prefeitura e Estado.

Segundo Renato, a Prefeitura mantém em dia os pagamentos referentes aos estudantes da rede municipal, enquanto o Governo do Estado ainda não teria realizado repasses ao sistema de transporte em 2026 para custear o benefício dos alunos da rede estadual. Uma petição do Sindicato das Empresas de Transporte, o Sinetram, protocolada na Justiça do Trabalho em 8 de julho (quase duas semanas antes da coletiva), mostra, no entanto, que o próprio município está inadimplente com o sistema.

O documento aponta débito de R$ 89,1 milhões referentes a 2026, sendo R$ 11,2 milhões de abril e R$ 23,7 milhões de maio, já vencidos, além de uma previsão de R$ 54,2 milhões para junho. Somado o débito remanescente de 2025, de mais de R$ 101 milhões, o passivo do município junto ao sistema chega a R$ 190,4 milhões. Em audiência anterior, o então presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) já havia reconhecido esse descompasso, ao admitir um custo mensal do sistema de cerca de R$ 81 milhões contra um repasse municipal de apenas R$ 20 milhões.

Cobrança pública ao governador

Durante a coletiva, Renato desafiou publicamente Roberto Cidade a apresentar comprovantes de pagamentos realizados neste ano ao sistema de transporte. Em seguida, disse que tentou resolver a questão por meio do diálogo institucional, mas afirmou não ter obtido resposta do Governo do Estado.

Em outra coletiva, o vice-governador Serafim Correa, que está à frente do Governo enquanto Roberto Cidade cumpre agenda fora do Estado, rebateu as acusações do prefeito de Manaus. Segundo Corrêa, “o que é responsabilidade do Estado está definido em uma decisão judicial, pagar R$ 3 milhões por mês. Em seis meses, isso totaliza R$ 18 milhões. Agora, numa ação protocolada na Justiça do Trabalho, os trabalhadores afirmam isso, e o próprio Sinetram reconhece ser credor de aproximadamente R$ 190 milhões da Prefeitura de Manaus”. O valor citado por Corrêa corresponde ao apurado na notificação extrajudicial e na petição do próprio Sinetram.

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“Governador Roberto Cidade, sente na cadeira. A cadeira de governador está vazia, não tem ninguém sentado. Chega de brincadeira. Se apresente como pré-candidato, não tem problema, seja pré-candidato. Agora cumpra pelo menos uma liminar que foi deferida pela Justiça”, declarou.

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Enquanto prefeito e vice-governador discutiam de quem é a responsabilidade pelo repasse, o presidente do sindicato dos trabalhadores em transporte, Givancir Oliveira, que revelou na coletiva integrar o mesmo grupo político do prefeito Renato, defendia publicamente a paralisação como último recurso diante de salários atrasados havia semanas. Em sua fala, ele atribuiu a crise aos empresários e ao Governo do Estado, sem mencionar a dívida da Prefeitura apontada pela petição do Sinetram.


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