O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou nesta quarta-feira (22) após ser desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por declarações em que atacava as urnas eletrônicas. Em nota à imprensa, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que confia no sistema eleitoral brasileiro e que sua fala foi “descontextualizada”.
Em reunião com diplomatas de quase 50 países na terça-feira (21), Flávio havia afirmado que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic e que um relatório da CIA apontaria vulnerabilidades no sistema de votação. O TSE, no entanto, já havia desmentido as acusações em nota publicada em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026, esclarecendo que as urnas não são fornecidas pela empresa.
“É falsa a informação de que a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, diz a nota do TSE.
Nota de Flávio
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro encaminhou uma nota à imprensa assinada também pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua pré-campanha, e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri. No documento, o pré-candidato afirma que “não é verdade” que tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil.
“Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro, uma reunião com embaixadores; 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas”, diz a nota.
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A nota ainda resgata a fala de Flávio no encontro com diplomatas, na qual ele afirma expressamente que “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e exorta os países a enviarem o maior número possível de observadores internacionais para as eleições.
“Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições”, conclui a nota.
Histórico de ataques às urnas
A declaração de Flávio segue o mesmo discurso adotado por seu pai, Jair Bolsonaro, que durante anos atacou a credibilidade das urnas eletrônicas. Em 2022, o TSE já havia desmentido que a Smartmatic tivesse acesso ao programa que roda nas urnas e afirmou que o software é desenvolvido e gerido apenas pela Justiça Eleitoral.
O tribunal também destacou que a Smartmatic prestou serviços de conexão de dados e voz ao TSE em outras ocasiões, mas não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. A empresa participou da licitação para fabricação de urnas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.
Segundo o TSE, em mais de 20 anos de uso, o sistema eletrônico de votação brasileiro foi reiteradamente testado e não apresentou formas de manipulação, fraude na totalização de votos ou quebra do sigilo do voto.
